CANON BÍBLICO

1. O que é Crítica Bíblica?

A palavra crítica é a transliteração do adjetivo grego kriticos, que vem do verbo grego krino, e significa julgar à luz de evidências. O adjetivo significa pesquisar e julgar uma matéria à luz e todas as evidências. Nesse sentido, ao longo dos anos começaram a fazer um trabalho na Bíblia que, a partir de documentos que iam se achando pelas pesquisas arqueológicas, criaram a ciência que, cientificamente se ocupa do texto bíblico. A crítica não diz respeito, a princípio, à opinião que a pessoa tem sobre a Bíblia. É uma atitude que se tem para o trabalho com textos bíblicos antigos.

Breve história da Alta Crítica Bíblica
Um tipo primitivo de Crítica, bem antes de Cristo, foi aplicada à investigação literária, contudo, J. G. Eichhorn, um alemão do século 18 foi o primeiro a aplicá-la ao estudo da Bíblia. Por isso ele é chamado de o "Pai da Crítica do Antigo Testamento". Mas sua aplicação prática foi lançada mesmo por Jean Astruc em seu tratado sobre o Gênesis em 1753. Astruc conquanto defendia a autoria mosaica do livro, asseverou entretanto, que havia indícios de varias fontes entrelaçadas por todo o livro. Em outras palavras, Moisés lançou mão de várias fontes e não somente uma para compor o livro. Pode-se dizer então que a Alta Critica originou-se devido às investigações do Pentateuco, embora, de maneira naturalista e racional, relegando os milagres bíblicos a meras lendas e contos populares. Até mesmo muitas passagens, locais, personagens e costumes considerados por cristãos e judeus durante séculos como verídicos, foram postos sob suspeita. Tendo este pano de fundo histórico em mente, podemos então entender onde se firmam as bases do liberalismo teológico. É de se considerar que desde Astruc até aos dias de hoje, tem surgido várias escolas de Alta Critica, com as mais variadas teorias distanciando cada vez mais dos relatos bíblicos, levando assim, para mais longe da ortodoxia as conclusões delas resultantes. Por isso em alguns círculos ela é chamada pejorativamente de "Alta Crítica destrutiva" ou "negativa".

2. Escritura Literária

A estruturação dos textos procura, na análise literária, familiarizar-se com as disposições externas do seu conteúdo. Ela ainda não pressupõe um exame acurado desse conteúdo. Baseiam-se suas descobertas unicamente na atenção concedida às partes exteriores do texto, ou seja, na sua disposição, subdivisão, realce e conexão. Por isso, alguns autores dizem que a estruturação não procura mostrar o "interior", mas somente a "cara" do texto, o perfil do seu rosto.
O Estudo da Estrutura Literária procura responder a perguntas como: em quantas partes, diferenciáveis pela forma e ou pelo conteúdo, se subdivide o texto? o texto como um todo, ou versículos isolados do mesmo apresentam características formais específicas, como paralelismo de membros ou estrutura simétrica? Qual o nexo existente entre as diversas partes do texto, que o perpassam como um todo e o "amarram". Que termos ou assuntos são estes?

3. Paralelismo

O judaísmo anterior e contemporâneo a Jesus fazia amplo uso do paralelismo para expressar suas idéias. Trata-se de um recurso empregado mais na poesia do que na prosa. Trata-se de um meio usado para expressar posicionamentos e conteúdos em que frases de um versículo estão dispostas de tal maneira que duas linhas de mesmo período se correspondem. Essa correspondência pode ser de natureza sinônima, sintética, antitética ou cumulativa. Jesus como judeu e filho se sua época, usou alternadamente os diversos tipos de paralelismo. Também em Paulo, nas demais epístolas e no Apocalipse pode ser encontrada essa forma de expressão.

3. Tipos de paralelismo empregados no AT, nos evangelhos e nas epístolas 4.

Paralelismo antitético - característico para a linguagem de Jesus, é o emprego de paralelismos antitéticos em que duas linhas ou membros apresentam sentido equivalente em formulação antitética. Lucas 6:43 nos dá o exemplo: Não há árvore voa que dê mau fruto; Nem tampouco árvore má que dê bom fruto.

Paralelismo sinonímico - apresenta a mesma idéia repetida com outras palavras. Marcos 4:22: Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; E nada se faz escondido, senão para ser revelado . Paralelismo sintético - Apresenta, na segunda linha ou membro, uma continuação da idéia da primeira linha ou membro, acrescentando-lhe novos aspectos ou explicações. Mateus 10:37

Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.

PARALELISMO CULMINATIVO - uma variante do paralelismo sintético é o paralelismo gradual ou culminativo, também denominado paralelismo culminativo ou ascendente. Este se caracteriza por desenvolver gradualmente um pensamento em linhas sucessivas, até chegar a um clímax. Exemplo em Marcos 9:37:

Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou.

5. Evangelho e seus principais gêneros

Palavra Profética - Lc 12:32 : "Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino".
Palavra Sapiencial - Mc 6.4: "Jesus, porém, lhes disse: "Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa".
Comparação - Marcos 2.21: "Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura". Parábola - Mateus 13.31,32: "Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos."

Narrativa de um milagre - Marcos 5:25-34 - "Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. Porque, dizia Se eu apenas lhe tocar as vestes, fiarei curada. E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada de seu flagelo. Jesus, reconhecendo imediatamente que ele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: quem me tocou? Ele, porém olhava ao redor para ver quem fizera isto. Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal."

6. Siz in leben (identificação do ambiente vital).

A identificação do ambiente vital consiste em buscar o tipo de situação ou de experiência que deu origem a um gênero literário particular, ou que motivou sua utilização. Na realidade, trata-se de identificar e estabelecer o contexto histórico, comunitário, sociológico na origem de um gênero e de elucidar o papel que lhe foi atribuído. Embora essa seja uma tarefa bastante difícil, é possível colocar no texto algumas questões suscetíveis de orientar a busca do ambiente vital: Quem toma a iniciativa? A iniciativa é tomada visando a quem? E em que situação? De que maneira (palavras ou gestos)? Qual é a consequência? Qual é a situação do hagiógrafo? O conhecimento do ambiente vital é decisivo para responder a perguntas básicas acerca de um texto, como "o que está acontecendo ao autor de Lamentações?" Está ele sofrendo de um colapso nervoso ou de uma reação de angústia normal. Ou, quais as implicações de Cantares de Salomão para uma teologia de expressão sexual cristã? No trabalho de interpretação textual, a crítica do gênero literário e o estabelecimento do ambiente vital estão muito ligados ou são praticamente indissociáveis. A compreensão do texto é condicionada pela seleção do gênero literário, e essa seleção é condicionada pelo ambiente vital.

7. Importância e o desenvolvimento das Línguas.
O Aramaico

A designação "aramaico" deriva de Arã, um dos filhos de Sem, Gn 10.22: "Os filhos de Sem são: Elão assur, Arfaxade, Lude e Arã". Esta palavra é também traduzida por Síria, levando-nos à conclusão de que o aramaico era a língua primitiva da Síria. Deduzimos também de II Reis 18:26 - " Então disseram Elaquim, filho de Hilquias, Sebna e Joá a Rabsaqué: Rogamos-te que fales em araaico aos teus servos, porque o entendemos, e não nos fales em judaico, aos ouvidos do povo que está sobre as muralhas." A língua também falada na Mesopotâmia era o aramaico ou siriaco, e por isso também era falada no tempo de Labão. Outra prova de que a Babilônia falava o aramaico é que parte dos livros de Daniel e Esdras está em aramaico. No tempo de Ezequias os líderes judaicos conheciam o aramaico muito bem. O aramaico foi adotado obrigatoriamente pelos judeus por causa do cativeiro babilônico e exerceu tal pressão sobre a Língua Nacional (hebraico), que já no primeiro século aC. o havia substituído completamente. O hebraico permaneceu apenas como língua dos sacerdotes, dos eruditos e da literatura religiosa. Quando Jesus nasceu, o aramaico era a língua oficial dos judeus. O aramaico é a língua materna, a língua da alma. Este fenômeno aconteceu porque o contexto desses livros está inserido no cativeiro Babilônico. Não fosse isso, o Livro Sagrado estaria apenas em duas línguas: o hebraico e o grego.

HEBRAICO
O Antigo Testamento foi escrito originalmente na língua hebraica, com exceção de algumas passagens em aramaico. Os hebreus são o povo que fala o hebraico. Também se acredita que pode vir de uma raiz que significa "cruzar". Pois Abraão foi o homem que cruzou ou atravessou uma grande faixa de terra. Assim, Abraão, o arameu, se tornou também Abraão, o hebreu. A origem dessa língua é totalmente obscura. Sabemos que ela é chamada de "A Língua de Canaã". De uma coisa, porém, devemos estar certos, Deus quis que sua revelação de Cristo fosse grava na língua gravada.

O GREGO
Todos os livros do Novo Testamento foram escritos em Grego, também chamado de "koiné", que significa popular, comum. Existiam dois tipos de grego: 1.O Ático ou clássico era falado principalmente na capital, usado pelos grandes filósofos da Grécia e eruditos em geral. 2. O "koiné". Alexandre, o Grande, anexou muitos povos ao seu Império pela sede de conquista. Essas civilizações eram obrigadas a aprender o grego por imposição do orgulhoso Imperador, que desejava helenizar o mundo. Praticamente, o mundo daquela época falava o grego Koiné. Chegou a ser a língua oficial em todas as transações de qualquer natureza. Esta língua é também conhecida como "Língua Helênica", isto porque os gregos eram chamados de Hellenos ou Povo de Hellas, nome bastante primitivo da velha Grécia. O Novo Testamento foi escrito provavelmente de 35 a 60 d.C. Nessa época, a Palestina se expressava em três idiomas: o aramaico, língua usada entre os judeus, aprendida na Babilônia; o hebraico, conservado pelos sacerdotes e eruditos, e o grego, usado na comunicação em geral, principalmente em documentos e transações comerciais. Vimos estampada a sabedoria de Deus: o Novo Testamento foi escrito em uma língua que quase todos os povos do mundo antigo podiam entender, inclusive os judeus da "Diáspora", isto é, aqueles que esse espalharam pelo mundo depois do ano 70 d.C.

8. Materiais e Instrumentos da Escrita
Material de Escrita do Velho Testamento
Já sabemos com certeza que primitivamente usavam-se até tabletes de argila para se grafar documentos, mensagens e pequenos livros.
1. As Tábuas de Tel - El - Amarna: São 320 tabletes grafados, que foram achados em 1887, nessa antiga cidade egípcia. São cartas oficiais do governo egípcio na Palestina ao Faraó do Egito, datadas de 180 a.C.
2. Tábuas de Laquis: são confeccionadas no mesmo material (tabletes de argila). Datam aproximadamente de 1400 aC.
3. Código de Hamuraby: está grafado em bloco de basalto (rocha vulcânica) de 2,25., e está grafada em caracteres cuneiformes. O bloco original está atualmente no Museu do Louvre em Paris e foi descoberto por Morgan, em 1901.
4. Tábuas de Ras Shamra: são aproximadamente de 1400 a 1350 aC. Nelas encontram-se nomes dados a Deus, tais como El, Eldrin e Xavé. Também são tabletes de argila. 5. Papiro: este material é registrado desde 2.700 aC. Só que apresentava séria desvantagem - não resistia ao tempo. É por isso que alguns autores afirmam que os manuscritos mais antigos do Antigo Tesamento foram grafados em Argila.
6. Peles: também eram usados no Egito cerca de 2.900 a 2.750 a C, seu uso era mais constante por se um pouco mais durável.

Material de Escrita do Novo Testamento:

1. Papiro: supõe-se que os manuscritos originais do Novo Testamento foram grafados em papiro. O papiro era o material de escrita mais usado nos três primeiros séculos d.C. 2. Vellum: era um material de boa qualidade. Podiam-se usar de ambos os lados. Na realidade era uma pele fina, geralmente de antílope ou bezerro. Identificava-se com o pergaminho, só que este era especificamente pele de ovelha ou de cabra, preparado para a grafia. Sabemos hoje, que quase todos os manuscritos foram grafados em vellum ou Pergaminho.
3. Papel: já era usado na China no Século II aC. Na Arábia foi introduzido no Século VII d.C. Na Europa, no Século X, tornou-se realmente popular nos Séculos X e XIII, e caminhou ao lado do Vellum até o advento da imprensa (1450).

9. Os Principais Manuscritos originais

Manuscritos originais:
a) Alexandrino - desenvolvido desde os fins do Século I e começo do II). Maioria dos Papiros, Aleph, B, C, L, 33 e Copta b) Ocidental - desenvolvido desde os fins do Século II - Europa, Versões latinas, África c) Oriental - desenvolvido desde os fins do Século II e começo do III - Cesaréia.

Os Manuscritos originais tiveram a revisão de Luciano por volta de 310 d.C. (Bizantino anterior, texto mesclado. Bizantino Padronizado - EFGH e outros (Século VI e mais tarde), muitos manuscritos minúsculos.
Bizantino Posterior - muitos manuscritos minúsculos (da idade média até a invenção da imprensa.

Textus recptus.
10. As principais traduções da Bíblia

a) Traduções aramaicas - Aramaica (Siríaco). As versões siríacas, entre as principais, são a velha siríaca ou a Pesita com acréscimos. A Versão Pesita teve praticamente o mesmo itinerário da Septuaginta. Primeiramente, parece que só existia o texto em grego, traduzido do hebraico, com o tempo e a chegada dos cristãos, os escritos do Novo Testamento começaram a ser vertidos par aos crentes ali. Depois da Pesita, outras que merecem consideração são: A Filoxênia, a siríaca Harcleana e a chamada siríaca Palestinense.
b) Traduções gregas

- A Septuaginta - O Antigo Testamento foi traduzido para o grego no reinado de Ptolomeu Filadelfo (285-246 a C.), denominada Septuaginta (LXX). Essa obra continha os catorze livros apócrifos do Antigo Testamento, e que era aceita pelos judeus da dispersão. Quase a coleção inteira, através da decisão do Concílio de Trento, ao tempo da Reforma

- - Protestante, foi adotado pela Igreja Católica Romana, ao passo que o cânon protestante manteve-se idêntico ao cânon Palestino ou hebraico, que consiste nos nossos trinta e nove livros do Antigo Testamento. Os livros da Septuaginta que não constavam do cânon hebreu chegaram até nós designados como apócrifos. Esse termo foi primeiramente, usado por Cirilo de Jerusalém, Século II d.C. e Jerônimo d.C. século V, d.C.

- Versão de Áquila - Fez uma nova tradução do Antigo Testamento para os judeus de língua grega, durante a primeira metade do segundo século D. C. Áquila foi o empreendedor desta jornada. A versão do Antigo Testamento feita por Áquila é obra servil, rigidamente acorrentada ao texto hebraico. Ainda que usasse palavras gregas, o padrão de pensamento e as estruturas de linguagem prendem-se às regras hebraicas de composição. No entanto, o texto de Áquila veio tornar-se a versão grega oficial do Antigo Testamento usado pelos judeus não-cristãos. A obra sobreviveu apenas em fragmentos e citações.

A REVISÃO DE TEOLÓCIO

A sua revisão é mais livre do que a versão de Áquila e, em algumas passagens, substitui algumas das expressões antigas da LXX.

A REVISÃO DE SÍMACO
Símaco aparentemente seguiu a Teodócio tanto no tempo como no entendimento teológico. Ele foi capaz de transformar expressões hebraicas em expressões gregas excelentes, perfeitamente idiomáticas, o que coloca Símaco muito perto de qualquer tradutor hoje. Jerônimo fez uso considerável desse autor enquanto esteve compondo sua Vulgata.

4. TRADUÇÕES LATINAS

a)A Versão Velha Latina

A versão velha latina, ainda que não se saiba exatamente quando começaram as traduções do seu texto ( do Novo Testamento) para o latim, sabe-se que foi em época bem tardia. Já durante o século terceiro, na África, conhecia-se versões em latim e que chegou em torno de 1000 manuscritos.

c) A VULGATA - A velha Vulgata latina apresentava alguns problemas, Jerônimo, secretário do papa Damásio é encarregado de preparar o texto e traduzir as escrituras para o latim, 382 d.C. Jerônimo procurou ser conservador, usou um bom texto latino, e, só modificou-o, quando discordava do texto grego original. A Vulgata recebeu várias redações e muitas edições foram feitas ao longo da Idade Média, fazendo com que aquela que seria a reparadora da velha latina, ficasse tão corrompida quanto a anterior. Há cerca de 800 traduções latinas do tipo "Vulgata". A tradução bíblica latina tem cerca de 10 mil manuscritos conhecidos.

A BÍBLIA POLIGLOTA

Em 1502, o Cardeal Ximenes idealizou uma Bíblia em várias línguas, usando a imprensa A Bíblia tinha colunas paralelas: hebraico, aramaico, grego e latim. A edição completa da Poliglota só saiu em 1522, e chamou-se Poliglota Computense, por causa da cidade de Complutum, onde fora publicado.

TRADUÇÕES PARA O INGLÊS

Wyeliffe - João Wycliffe, (1320 - 1384) é tido como o tradutor (talvez coordenador da tradução) da Bíblia para o inglês. Para essa versão, usou a Vulgata como base. A tradução foi completada no ano de 1383, era toda escrita à mão e foi distribuída entre os lollardos (pregadores leigos, também conhecidos como "sacerdotes pobres). Por causa da pregação destes, a igreja proibiu o uso da referida Bíblia. Wycliffe e sua Bíblia foram perseguidos a tal ponto, que, mesmo depois de sua morte em 1384, seu corpo foi exumado em 1424 e seus restos mortais queimados.

Tyndale - Tyndale sentiu a necessidade do povo conhecer o conteúdo do texto bíblico. Foi com este propósito que começou a trabalhar na tradução da Bíblia. Visto que o rei e a igreja haviam proibido a leitura da Bíblia, foi para a Alemanha trabalhar na tradução. Em 1526 aparecerem alguns exemplares frutos do seu trabalho. Tyndale continuou a tradução do Antigo Testamento, quando em 1535, foi traído, enforcado e queimado. O bispo de Londres comprou toda a produção que chegou a Inglaterra. Porém, com o dinheiro arrecadado, mais Bíblias foram impressas. Enquanto Tyndale morria, contas-se, pronunciou as seguintes palavras: "Deus, abre os olhos do rei da Inglaterra" Três anos após sua morte, o rei sentenciou: "Em nome de Deus deixo a Bíblia ser espalhada entre o povo".

A BÍBLIA GENEBRA
O primeiro Novo Testamento Inglês com os capítulos divididos em versículos de acordo com o texto grego de Estefânio foi impresso em 1557. Em 1560 toda a Bíblia foi revista e impressa com os versículos como o temos hoje.

A VERSÃO KING JAMES

EM 1604, O Rei Tiago (King James) convocou uma conferência para tentar diminuir as diferenças e opiniões acerca das traduções que eram usadas na época dos protestantes calvinistas e anglicanos. Foi nomeada uma comissão com mais de 50 eruditos para trabalharem numa edição bíblica que satisfizesse a todos. O trabalho levou em consideração vários manuscritos antigos e "aprovou", tendo substituído as outras versões. A Bíblia do Rei Tiago (a Bíblia King James) foi considerada de excelente qualidade, vigora até nossos dias e tem o reconhecimento até de pessoas de outros credos (judeus e católicos). BÍBLIA AMERICANA REVISTA E PADRONIZADA ( The Amercian Standard Revised Bible)
Com o passar do tempo, a terminologia linguística vai se modificando e exigindo que alguns documentos de uso corrente se atualizem. Foi isto que aconteceu com a Versão King James. Muitas de suas palavras tiveram seus sentidos alterados no desenvolvimento da língua inglesa fazendo-se necessário o aparecimento de um texto mais puro e atual.

Traduções para o Português

Algumas tentativas já tinham sido feitas por Dom João I (1483), por Gonçalo Garcia de Santa Maria, jurisconsulto (1479), d. Leonor (1525), no sentido de colocar na mão do povo português pelo menos a tradução dos evangelhos, mas a ditadura religiosa romana sempre bloqueou tal iniciativa. Vale lembrar que a Igreja Católica Romana, sempre proibiu tal iniciativa. Vale lembrar que a Igreja Católica Romana, sempre proibiu a tradução da Bíblia e tudo fazia para impedir qualquer empreendimento neste sentido. Entendia a Igreja que a Bíblia só poderia ser lida em três línguas. Hebraica, Grega, e Latim.

A VERSÃO ALMEIDA - Em 1628, nascia em Lisboa, filho de pais católicos, um robusto menino que recebeu o nome de João Ferreira de Almeida. Ainda jovem, em visita a Holanda, converteu-se a Cristo na Igreja Reformada através da leitura de um folheto em Espanhol, que lhe causou profunda impressão. Logo depois foi à Jacarta, onde se entregou ao ministério religioso ( Ministério Calvinista) pregando e escrevendo em várias línguas. Foi durante este período que surgiu por sua instrumentalidade a famosa Versão Almeida. Logo depois foi à Jacarta, onde se entregou ao ministério religioso (Ministério Calvinista) pregando e escrevendo em várias línguas. Foi durante este período que surgiu por sua instrumentalidade a famosa Versão Almeida. O Novo Testamento completo foi publicado em 1681 e o Velho Testamento, estacionado em Ex.48.21, foi completado por Jacobus Den Akker saiu em 1748. Somente em 1819 foram publicados o Velho e o Novo Testamento em apenas um volume. Desde então, incontáveis edições Almeida foram postas em circulação, atendendo sempre as mudanças naturais que ocorrem numa língua no decorrer do tempo.

VERSÃO DE FIGUEIREDO
Para fazer frente à versão protestante, Roma incumbiu o padre Antonio Pereira de Figueiredo, com a responsabilidade de preparar uma versão em português, tendo como base a Vulgata e outros documentos originais. Latinista, historiador, teólogo, versado também em línguas orientais, gastou 18 anos neta obra. Duas revisões foram feitas antes da publicação. A obra completa ficou pronta em 1821. Essa versão tornou-se o texto tradicional dos católicos, mormente porque trazia em seu bojo os livros não canônicos, chamados apócrifos.

VERSÃO DE MATOS SOARES
Em 1932, o padre Matos Soares recebia do Vaticano, uma carta apoiando e endossando a publicação de sua obra, que trazia como novidade pequenos comentários abonando a doutrina romana, em parênteses e rodapés. Foi totalmente baseado na Vulgata Latina e tem-se dito que é a versão mais popular entre os católicos.

TRADUÇÃO BRASILEIRA

Em 1902 , já havia no Brasil um excelente movimento evangélico. Todavia, as Bíblias usadas aqui eram versões em Português arcaico (versão Almeida).Por isto, as Sociedade Bíblicas (Britânica e Americana) que funcionavam no Brasil se reuniram e nomearam uma comissão para traduzir diretamente dos originais, uma versão em português atualizado e falado no Brasil. Esta comissão ficou composta de três missionários de juntas estrangeiras operando no Brasil no Brasil e mais seis eruditos evangélicos da época que também eram pastores leigos, bem como de eminentes educadores brasileiros. A direção geral deste trabalho ficou a cargo do Dr. H. C. Tucker. O Novo Testamento completo foi publicado em 1910 e a Bíblia inteira em 1917. Esta versão foi considerada magnífica por vários eruditos do assunto.

A BÍBLIA NA LINGUAGEM DE HOJE

Tudo começou em 1964 quando o Dr. Roberto Bratcher, brasileiro, nascido em Campos, RJ, especialista em lingüística, especificamente em grego, recebeu um convite da Sociedade Bíblica Americana para fazer uma versão do Novo Testamento na linguagem de hoje, no idioma inglês. Após mais de três anos de labor intensivo, terminou sua obra que recebeu o seguinte título: Goode New For Moern Man (Boas Novas para o Homem Moderno).
Em 1973, por ocasião de seu Jubileu de Prata, a Sociedade Bíblica do Brasil colocou nas mãos dos brasileiros uma edição do Novo Testamento na Linguagem de Hoje. A tradução feita em quatro anos por uma comissão de eminentes evangélicos, sob a direção do próprio Doutor Bratcher.

Por Auxilandia, a partir de coletânia de textos teológicos da apostila didática do Professor Waldir Pires


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