- A SOBERANIA DE DEUS NO LIVRO DE RUTE

        De modo marcante, porém, a direção de Deus assume forma singular. Em boa parte da Bíblia, Deus intervém de maneira direta e sobrenatural nos assuntos dos homens para concretizar sua vontade, que culmina nos propósitos da redenção. Deus está, em Rute, por trás das coincidências e em planos puramente humanos. A providência de Deus esconde-se por trás do "acaso" que faz Rute encontrar-se com Boaz e do plano arriscado de Noemi. Deus age nos bastidores, por meio dos atos das pessoas fiéis como Rute, Noemi e Boaz. O livro relata também a divina providência que faz nascer Davi, que fez parte da linhagem do Messias. Conduzida pela direção oculta de Deus, a fidelidade de Rute, Noemi e Boaz realizou mais do que eles tiveram consciência. A história induz sutilmente os leitores a participar da experiência dos personagens e, dessa forma, desfrutar da atividade providencial divina. Teologicamente o livro destaca a direção bondosa de Deus na vida da família de Rute. O Senhor intervém diretamente em dois momentos cruciais, moldando de maneira significativa os eventos subseqüentes, enviando a fome, o evento que reconduz Noemi a Belém e fazendo com que Rute engravide, dando com isso, finalmente, um herdeiro a Noemi. Mas a direção de Deus torna-se especialmente clara em relação às orações dos personagens em seus pedidos de bênçãos divinas. No final, Deus atende a todos e as amigas de Noemi creditam a Deus o final feliz da história. Em suma, o livro ensina a plena causalidade de Deus, uma direção contínua e soberana de tudo. Por fim, o livro registra a divina providência que faz nascer Davi. A genealogia final situa a história dessas pessoas comuns de Belém num contexto mais amplo. Ela mostra a ligação direta entre a vida deles e a obra de Deus em Israel como nação. O filho que nasceu de Noemi é mais que um simples presente de Deus para que sua linhagem familiar tenha continuidade. Ele também inicia a história da atuação de Deus por meio da dinastia de Davi. Dessa maneira, o livro liga-se ao tema bíblico principal da história da redenção. Da família deles, surgiu o grande Davi, e muitas gerações depois, o filho mais importante do grande Davi: Jesus.

 

 

- A SOBERANIA DE DEUS NO LIVRO DE JÓ

        Observastes o meu servo Jó? A pergunta direta apresentada por Deus a Satanás no capítulo um dá ocasião aos quarenta e dois capítulos de sofrimentos, queixas, discurso, discussões e respostas que compreendem o livro de Jó. Poucas histórias na literatura da experiência humana têm tamanho poder de alargar a mente, cobrar a consciência e expandir a visão como Jó. Todos os que testemunharam o desastre na terra de Uz, bisbilhotam a conversa no tribunal de Deus, arbitram o debate entre Jó e seus amigos ou se arrepiam com a voz que sai do redemoinho terão modificadas suas crenças básicas. Terão alterada sua concepção de soberania e liberdade divinas bem como sua idéia de sofrimento, arrogância e integridade humana. O início do livro leva ao entendimento de que o interesse de Deus está mais na reação confiante de Jó que em seu consolo pessoal. O prólogo retrata a soberania de Deus sobre Satanás, que não pode prejudicar Jó além dos limites dados por Deus, e estabelece uma tensão deliberada com as conversas que se seguem, honrando a firma confiança de Jó em Deus. Num dado momento, Deus lança perguntas a Jó que ele não pode responder. Deus observa que deu origem ao mar e fixou os limites para ele. Já que o mar passou a simbolizar para Deus forças hostis, essa seção implica que o suposto mal tem sua origem em Deus e que está confinado entre fronteiras estabelecidas. As restrições foram impostas a Satanás por Deus e assim ele permite o mal está presente na terra, um mal que Deus limita e controla tendo em vista bons propósitos. Deus registra a incapacidade humana de visitar os longínquos recessos do mundo: as profundezas, o horizonte, as alturas. Como homens finitos podem estabelecer uma teoria sadia para explicar como Deus governa o mundo com justiça e sabedoria? Essa pergunta mostra que Deus mantém sabiamente a criação. Ele envia chuva para lugares desolados. Deus quer impedir Jó de se agarrar à sua convicção com tanta obstinação que coloque a própria inocência acima da pureza moral de Deus. Tal pecado seria a presunção, a arrogância desenfreada. Deus leva Jó a crer que suas defesas são menos importantes que entender que seu sofrimento se encaixa no plano maior do governo universal divino. Jó desafia a Deus e este desafia a Jó. Quem vencerá? Deus prolonga seu discurso e trabalha pacientemente para fazer com que Jó busque seu favor e abandone a confiança na própria inocência. Jó então afirma que Deus governa de maneira suprema e que seu propósito prevalece. Quem desafia o governo justo de Deus?

 
A visão que Jó tem de Deus o deixa abatido, retratando-se em pó e cinza. Jó não se arrependeu de nenhum pecado, mas largou sua demanda judicial contra Deus. A intenção de Deus é que Jó reconheça a vasta diferença entre a sabedoria e o poder de dele e a ignorância e a fragilidade do homem. A fé manifestada por Jó, intensa no início, foi refinada como ouro pelo fogo da dúvida, da adversidade e da incompreensão. Os propósitos de Deus são recobertos de mistérios. Ainda assim, a esperança e a fé são tornadas possíveis pela revelação do caráter do Deus que permitiu tal sofrimento.
 

 

- A SOBERANIA DE DEUS NO LIVRO DE OBADIAS

        O Senhor não tolerará para sempre um comportamento contrário à sua santa vontade. Uma vez que Israel é seu povo particular, cujo destino é ensinar a todas as nações acerca de Javé e da Torah, Deus requer lealdade à aliança, obrigando-o a um alto nível de justiça. Quando a nação se mostra desleal à tarefa, Deus determina punir sua desobediência. A vontade do Senhor, no entanto, poupa alguns e, com este remanescente, cumpre sua vontade. Javé é quem governa o céu e a terra, o Deus de todas as nações. Essa é uma forte insinuação contida na esperança profética. Mas não podemos compreender a esperança profética sem ajustar contas com esse Deus. Mas se Javé é o Santo e exige santidade de seu povo, como pode permitir que as nações do mundo pratiquem o mal? Obadias responde citando o mal praticado por Edom e depois anunciando o dia da vinda de Javé. Após o julgamento sobre todas as nações no Dia do Senhor, virá então a esperada restituição e restauração e o resultado é que o reino será do Senhor de toda a terra. É Javé, não o nacionalismo, que domina o panorama profético. A intervenção humana por mais importante que seja não é a resposta final para a sede de justiça. Ouvir um Deus que promete esse dia é crucial. E quando isso acontecer, todos de fato conhecerão aquele que conserta todos os erros, restaura as posses justas e faz sua vontade na terra assim como ela é feita no céu.

 

 

- A SOBERANIA DE DEUS NO LIVRO DE JONAS

        A ordem divina e suas conseqüências. O livro começa com a ordem de Javé para que profetize contra a perversa Nínive. Como houve a desobediência, o exercício do livre arbítrio para não cumprir a ordem, Javé provoca tempestade que ameaça naufragar o navio. A segunda ordem e suas conseqüências. Javé dá uma segunda ordem a Jonas e dessa vez ele obedece. Jonas faz declarações doutrinárias acerca de Javé. Ele identifica Javé como o criador do mundo, e alguns incidentes do livro destacam seu poder sobre a criação. Jonas mostra a soberania de Deus em relação às nações. Deus está no controle do destino das nações. A cidade de Nínive e seu futuro não fugiram ao controle de Deus. Foi pela vontade de Deus que a mensagem chegou a Nínive e houve conversão e salvação dos ninivitas. E Jonas pudesse ter influenciado, Nínive teria sido subvertida. Mas quem tem o poder de decisão? Quem é que estabeleceu o conselho de salvação? Deus, o Rei das Nações. Quem não o temeria? As nações levantam ou caem não pela aliança com outras nações, ou pela defesa nacional forte, mas pela vontade soberana de Deus. Quanto mais Jonas tentou cumprir a sua vontade, mais Deus o puxou de volta, a ponto de criar uma situação em que Jonas se viu obrigado a desistir de suas escolhas. A situação foi um forte vento e um grande peixe, demonstrando o controle divino inclusive sobre a natureza. Da mesma maneira, no capítulo quatro, Deus preparou uma planta e um verme para fazer a sua vontade. "Então, fez o Senhor Deus nascer uma planta, que subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça....Mas Deus, no dia seguinte, ao subir da alva, enviou um verme, o qual feriu a planta, e esta se secou" (vs. 6-7). O ponto que precisamos compreender é que tudo obedeceu a Deus. O vento obedeceu, a criatura do mar obedeceu, a planta obedeceu e o verme obedeceu. Tudo obedeceu a Deus perfeitamente, menos Jonas. Toda a criação de Deus o obedece perfeitamente, exceto o homem.

 

 

- A SOBERANIA DE DEUS NO LIVRO DE TIAGO

        "Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não somente iremos viver como também faremos isto ou aquilo" (Tiago 4:13-15). Com este texto, aprendemos que Deus é a causa última de todas as coisas. Ele controla não somente a duração de nossa vida, mas também de nossas escolhas. Aqui Tiago coloca Deus não como um mero observador da história, que executa seus propósitos a partir das escolhas dos homens, mas os homens devem procurar saber a vontade de Deus para buscar o enquadramento de suas ações nesta vontade. Deus rege a história dos homens e de maneira certa e incontestável. Tiago reconhece que Deus é supremo e soberano, e que tudo que fazemos depende em última instância da sua vontade e decreto. Tiago, aqui, expressa o que Davi disse no Salmo 139:16: "os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda."

 
        Tiago, também, expressa o que Moisés escreveu em Deuteronômio 2.30 que o rei Seon não concedera passagem ao povo porque Deus lhe havia endurecido o espírito e lhe fizera obstinado o coração, e de imediato acrescenta o propósito de seu plano: "Para que o entregasse em nossas mãos". Visto que era o plano de Deus, a obstinação do coração foi uma preparação divina para a ruína. Sendo Deus o soberano absoluto do universo, é totalmente impossível que algo ocorra sem a sua ação direta, pois isso implicaria que ele não é Deus. Paulo escreveu em Efésios 1: 11 afirmando que "Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade."
 
v Deus, pelo seu poder soberano, conhece a cada um de nós e usa o seu poder para capturar a nossa atenção e nos dar oportunidade de seguir o seu desejo. É o que o salmo 139:7-10 nos ensina: "Para onde me ausentarei do teu espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, e ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá." É impossível fugir de um Deus soberano.
 
        Deus sabe de tudo. Ele é soberano sobre os céus e sobre a terra. Quando a humanidade sem Cristo se desespera, mas para os que crêem num Deus Todo-Poderoso, há uma mensagem de esperança em Romanos 8:28: "Todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus". Deus é santo, é fiel, é justo é onisciente e onipotente. Ele está no comando de tudo que acontece com cada criatura.
 

 

- A SOBERANIA DE DEUS NO LIVRO DE ISAÍAS

        A percepção de como Deus soberano emprega as nações para levar as bênçãos e os julgamentos decorrentes da aliança foi uma das contribuições profundas de Isaías para Israel compreender seu lugar no programa de Deus na história. Nos capítulos 40 a 49 do Livro de Isaías, encontramos a apresentação mais bem fundamentada da natureza e do poder universal do domínio de Deus. Javé não é apenas o protetor e mantenedor de seu povo Israel, como o controlador de todas as nações. Aquele que dá força ao cansado é o criador dos confins da terra. A prática dos povos pagãos era retirar dos templos os deuses dos povos conquistados, para simbolizar o maior poder dos seus deuses. Mas Javé levanta Ciro para reconstruir a cidade e livrar seus exilados, mostrando assim seu poder eterno. Isaías 14:26: "Este é o plano estabelecido para toda terra. Essa é a mão estendida para todas as nações. Pois esse é o propósito do Senhor dos Exércitos. Quem pode impedi-lo? Sua mão está estendida. Quem pode fazer recuar?"

 
        O livro de Isaías transmite mensagens de esperança e julgamento dentro do contexto de que Deus é quem governa. Quando o povo saía de sua vontade, o julgamento era certo. Quando o povo se arrependia, as bênçãos eram derramadas. O cenário espiritual do povo de Israel por volta dos anos 740 a 700 a.C era o seguinte: Judá está repleta de crimes de todos os tipos: rebelião, ritualismo religioso sem conteúdo, bebedeiras, injustiças, subornos, tratamento desumano, orgulho ostensivo. É preciso um julgamento, e Deus aplicará por meio de invasores estrangeiros cuja velocidade e malignidade assolarão a terra como um maremoto. Isaías mostra que o cuidado de Javé por Jerusalém tem dois aspectos. Tanto a proteção como a purificação são propósitos divinos para a cidade santa. O Senhor emprega agressores estrangeiros para purificar o povo. A mão divina estabelece limites a seus estragos e preserva um remanescente para prosseguir a relação de aliança, e por fim tornar-se uma luz para todas as nações.
 
        Deus usou os invasores como parte do processo divino para purgar seu povo das transgressões. As alianças estrangeiras não foram salvaguarda quando a liderança (reis, nobres, sacerdotes e profetas) deixou de manter sua aliança com Javé.
 
Os olhos do profeta enxergavam além dos detalhes da situação presente, com a Assíria no centro do palco e a Babilônia esperando nos bastidores. Ele viu que a responsabilidade universal para com o criador exigia um julgamento universal sobre as nações e salvação final para o remanescente fiel.
 
Isaías mostra como a terra de Judá entoará um dia um canto de vitória que anuncia a função indispensável da fé: "Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti."( Isaías 26.3). Isso tudo é a mão divina regendo a história de forma soberana.
 
A profecia de Isaías se coloca entre dois mundos: Fala aos pecadores que vêem diante de si um Deus irado e também aos remanescentes que receberão a salvação desse mesmo Deus, revelado a eles como pai e redentor. Fala com autoridade a todas as pessoas de toas as épocas. Como Israel, toda a humanidade tem pecado repetidas vezes em pensamento, palavras e atos. Como Israel, todos necessitam de salvação e a salvação é proporcionada pelo Deus que tem pleno controle deste mundo com suas nações, fortes ou fracas e que pode revelar aos seus profetas o que ocorrerá no futuro. É a mão do Santo de Israel dominando sobre seu povo escolhido.
 
        A percepção de como Deus soberano emprega as nações para levar as bênçãos e os julgamentos decorrentes da aliança foi uma das contribuições profundas de Isaías para Israel compreender seu lugar no programa de Deus na história. O Senhor da história é aquele que pode permitir que o futuro seja contado com antecedência. A mensagem de Isaías indica claramente que não seria destinada só para os dias dele, mas para um tempo futuro. Isaías fala de guardar o testemunho e de selar o ensino entre seus discípulos.

Por Auxilandia, a partir de consulta em livros teológicos.


Baixar estudo bíblico