ONDE DEUS HABITA E O QUE ELE ANSEIA?

ONDE ESTÁ A CASA DO TESOURO NOS DIAS ATUAIS?

 

O homem simples, conhecido pela alcunha de o Nazareno Galileu, veio ao mundo em cumprimento ao que anunciara o profeta Isaías e o evangelista João, anunciar as boas notícias divinas de resgate da humanidade e reconciliação de todos os homens com Deus (Isaías 61:1-3; João 3:16).

Nasceu em Belém da Judéia em uma manjedoura, na época em que o império romano dominava toda a terra, cujo imperador vigente era César Augusto e a Judéia tinha como governador Herodes, o Grande, o qual quando avisado pelos magos orientais do nascimento do rei dos judeus, enfureceu-se e fingiu interesse de visitar a criança para adorá-la, quando em verdade queria tirar-lhe a vida ( Mateus 2:16-18).

Então, seus pais, José e Maria, foram por divina advertência instruídos e fugiram para o Egito com o recém-nascido. Regressou anos depois, após a morte de seu perseguidor Herodes, para crescer, viver e trabalhar como carpinteiro em Nazaré na Galileia, auxiliando seus pais a manterem a família, onde a doméstica Maria e o marceneiro José, ganhavam a vida, e, ali, tiveram outros filhos (Mateus 13:55-56).

Assim, em obediência às determinações da lei mosaica e à autoridade dos pais, por ser o filho mais velho do casal, arrimo de família, Jesus auxilia na manutenção da casa até os trinta anos de idade, tempo em que outros irmãos, já crescidos, puderam sucedê-lo nessa missão.

Então, após ser batizado no rio Jordão e passar pelo crivo da tentação, depois de quarenta dias em jejum e oração no ermo deserto árido da Palestina (Mateus 4:1-11), o desfigurado Nazareno – homem de dores e que sabe o que é padecer, não tinha aparência nem formosura, nenhuma beleza física evidente chamava a atenção de quem o via. Era desprezado pelos maiorais, o mais rejeitado entre os homens, viravam o rosto quando o olhavam e não faziam caso dele (Isaías 53:1-3); inicia seu ensino e começa a anunciar as boas notícias da chegada do Reino dos Céus na terra (Mateus 4:17).

Portanto, em um determinado dia em que seus discípulos não estão presentes, possivelmente tinham viajado em missão evangelística, dirige-se à adversária cidade de Sicar, na província de Samaria, onde historicamente os judeus não eram bem-vindos, e, tem um inusitado diálogo com uma mulher à beira do poço de Jacó, ao meio dia - sexta hora do dia judeu (Mateus 4:6).

Dentre outras indagações que essa o faz, destaca-se a solicitação de se saber onde verdadeiramente se deveria adorar a Deus. Então, Jesus responde: Mulher...vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (Mateus 4:23-24).

Aqui cabe fazer uma breve digressão histórica bíblica quanto ao lugar que Deus escolhera e determinara ao seu povo escolhido, Israel, para adorá-lo.

Nas épocas passadas do Velho Testamento, quanto à antiga aliança feita por meio de Moisés, por uma questão geográfica e para demonstrar unidade e a coesão do povo de Israel, Deus estabelecera que todo o Israel o adorasse em Jerusalém e ali seria o lugar de sua habitação (Esdras 7;15-16). Sendo assim, prometera a Davi que o descendente desse lhe construiria casa (I Crônicas 17:11-12), a qual foi construída logo após a posse de Salomão como rei de Israel (II Crônicas 3:1).

 Ali, todos os judeus das doze tribos de Israel da distante aldeia de Dã no norte do País, até à longínqua Beseba, ao sul da nação, tinham de festejar, alegrarem-se e cultuar a Deus junto com todos os irmãos, em Jerusalém (Deuteronômio 12:5-7, II Samuel 17:11).

Entretanto, Jesus assim responde aquela ousada e bem informada mulher samaritana, que havia chegado a hora de não se deter a determinado lugar físico, mas o que Deus deseja e procura para o adorar, são pessoas que o façam em espírito e em verdade, de forma sincera, sem definição ou mesmo restrição de lugar, espaço ou ocasião. 

Passamos então a fazer algumas citações bíblicas sobre o tema, pois, corrobora com a afirmação de Jesus a essa mulher, o que o profeta Isaías menciona sobre a casa de Deus e o lugar do seu repouso, bem como outras referências do livro sagrado, a saber:

“Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? Por que a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o Senhor, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Isaías 66:1-2).

Em Isaías 57:15 diz: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o coração dos contritos”.

Em II Crônicas 16: 9, lemos: “Por que, quanto ao Senhor, os seus olhos percorrem por toda a terra, para se fazer forte para com aqueles cujo coração é integralmente dele.”

Tem-se ainda a afirmação do discurso do apóstolo Paulo aos atenienses gregos e forasteiros, quando falou no areópago, e verificou o zelo religioso deles, assim declara:

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (Atos 17:24-25).”

Por essas citações, concluímos então que Deus hoje habita no coração daqueles que o buscam, que o invocam e que tem o coração integralmente para Ele, pois, a intimidade ou a comunhão do Senhor é para aqueles que o temem aos quais dará a conhecer a sua aliança (Salmos 25:14).

Entretanto, se nos dias atuais, Deus não habita num lugar físico, pois, Jesus disse que Ele é espírito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade, como podemos cumprir o que diz Malaquias 3:10, quando afirma: Trazei todos os dízimos à Casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida? Onde está a Casa do Tesouro hoje em dia?

O apóstolo Paulo quando escreve a segunda carta aos crentes em Coríntios, capitulo 4, versículo 7 diz:

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Pelo versículo anterior a este fica claro que tal tesouro que temos em nosso vaso (corpo) é Cristo, pois é dito:

“Porque Deus, que disse: das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.”

O autor de Hebreus também esclarece este assunto quando afirma no capítulo 3, versículos 5 e 6: “E Moisés era fiel, em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas; Cristo, porém, como Filho em sua casa; a qual casa somos nós, se guardarmos firmemente, até o fim, a ousadia e a exultação da esperança.

Em João 14:26 se lê: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.”

Temos assim que Deus hoje está em Cristo reconciliando a si mesmo com os homens e Cristo habita juntamente com o Pai no coração daqueles que o amam, fazendo nestes morada.

Quando Jesus profere o último ensino aos seus amigos discípulos, antes de ir ao Getsêmani, ele afirma em João 17:20-21: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”

Lê-se também em Atos 2:44-45: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.”

Logo, pelas citações acima, concluímos que a Casa do Tesouro hoje é onde Deus habita. E onde é que Deus habita hoje? No coração dos crentes que amam a Jesus e guardam a sua palavra.

Portanto, precisamos seguir o exemplo dos primeiros crentes e compartilhar o produto de nossas posses materiais e espirituais com os crentes em Jesus mais necessitados para que não lhes falte o mantimento, pois, como diz Malaquias 3:10, a intenção de trazer todos os dízimos à Casa do Tesouro é para que haja mantimento em minha casa e mantimento diz respeito, principalmente, a alimentos.

Assim, entendo que só podemos praticar o amor fraternal e dar testemunho para que o mundo creia que Jesus é o Cristo, enviado do Pai, quando compartilhamos e socorremos, na medida do possível, nossos irmãos mais carentes do corpo de Cristo.

É lógico que se nos reunimos em um determinado lugar físico para cultuar e servir a Deus, temos despesas com a manutenção deste local, bem como a retribuição financeira àqueles que servem à Igreja em tempo integral e se dedicam principalmente à Palavra, pois, “devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a escritura diz: o trabalhador é digno do seu salário. (I Timóteo 5:18).

Quando Jesus ressuscitou ele foi ao encontro do líder dos seus discípulos e pergunta a Pedro, três vezes: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele responde: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Jesus responde: “Apascenta os meus cordeiros, pastoreia as minhas ovelhas, e, por fim, apascenta as minhas ovelhas.” Nisso vemos o cuidado do Senhor pelo seu povo quando recomenda ao seu principal discípulo a cuidar do seu rebanho.

A ênfase do Evangelho de Jesus sempre foi dar ao povo necessitado o que os seus líderes lhes negavam e que eram abandonados pelo estado, pelos líderes do povo (o sinédrio que era composto pelos anciãos de Israel e compunham o Congresso Judaico), pela religião oficial da época – o judaísmo, que só impunha pesados fardos e deveres por meio de ordenanças que eles mesmos não cumpriam, levando Jesus a determinados momentos a se comover com a situação de abandono e desespero daquele povo.

Por isso, recomenda ao líder de seu pequeno grupo de seguidores que apascente as suas ovelhas, cuide de suas carências espirituais, mas também materiais para que através do cuidado recíproco os incrédulos cressem que Deus estava no meio deles e se convertessem aos ensinos de Jesus Cristo.

Portanto, eis a instrução para nós hoje e sempre até a volta e a instituição do seu Reino: Apascentem os meus cordeiros, pastoreia e apascentem as minhas ovelhas. Nisso nos adverte o apóstolo Paulo em Gálatas 6:2 – “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis as leis de Cristo.”

 

Irmão Ronaldo Vasconcel
Fevereiro de 2017

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