Lembra-se de que eles são carne, vento que passa e já não volta.

(Sl 78:39)

 

Asafe fez um breve relato da história do povo de Israel no Salmo 78.  Ressaltou a fidelidade de Deus para com seu povo, o livramento das mãos dos opressores egípcios e a entrada triunfal na terra prometida. Em meio a colunas de nuvens e de fogo, o povo recebeu de Deus a promessa de liberdade.

Contou também os periódicos acessos de teimosia, rebeldia e obstinação do povo contra Deus. Afinal, eram apenas seres humanos imbuídos de uma missão: conquistar uma terra a partir de estratégias divinamente elaboradas.

           

Ele, porém, que é misericordioso, perdoa a iniquidade e não destrói; antes, muitas vezes, desvia sua ira.  (Sl 78: 38)

 

Como fonte de respiração espiritual, ao lembrar-se dos feitos poderosos do Senhor e dos erros e pecados de Israel, Asafe encontra uma explicação para a longanimidade de Deus. Pessoas são como carne, perecíveis,  e como vento que passa.

Por isso, o perdão é bálsamos que cura, que constrói. Assim, o Santo de Israel é Pai misericordioso, que perdoa e não se lembra dos pecados de seu povo.

 Carne vem do hebraico basar e descreve o aspecto físico do homem em contraste com a parte incorpórea (espírito, alma). A carne perece, mas o espírito é eterno. Buscar alimento para o corpo, alma e espírito é ordenança divina.

           

 Toda a carne é erva, e toda a sua beleza como a flor do campo. Seca-se a erva, e murcha a flor, soprando nelas o hálito do Senhor. Na verdade o povo é erva. Seca-se a erva, e murcha a flor; mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.

 (Is 40:6-8)

 

Isaías também lembra ao povo a grandeza de Deus em contraste com a fraqueza humana. E com uma linguagem poética vigorosa, ele faz menção da majestade do Senhor:

 

Quem mediu com o seu punho as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu numa medida o pó da terra e pesou os montes com pesos e os outeiros em balanças? Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse entendimento, e quem lhe mostrou a vereda do juízo? Quem lhe ensinou conhecimento, e lhe mostrou o caminho de entendimento? Eis que as nações são consideradas por ele como a gota dum balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para um holocausto. Todas as nações são como nada perante ele; são por ele reputadas menos do que nada, e como coisa vã. (Sl 40: 12-17)

 

A brevidade dos humanos o obriga a buscar o cuidado do Senhor. Cuidado vem do latim cura e é usado num contexto de amizade e amor. A indiferença pontua a vida dos que adoecem. Cuidar é saber que o Ser Infinito que mostra o caminho de entendimento requer de suas criaturas atitudes responsáveis com a vida, que é passageira. Só Deus sustenta o universo com o poder de sua Palavra. Nosso sustento vem dele.

Ao comparar a existência humana como vento que passa, o salmista nos coloca na dimensão de filhos totalmente dependentes do Pai. 

Deus sempre se lembra da natureza frágil e por essa razão apresenta-se como rocha eterna, como o porto seguro. Quando pressionado pelos juízos divinos, Israel lembrava-se de que não passava de erva, e voltava a crer na Palavra do Senhor, que permanece de geração a geração, de eternidade a eternidade.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

04 - 05 - 2011     

 
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