Eu mesmo disse: debalde tenho trabalhado; inútil e em vão gastei as minhas forças.

(Isaías 49: 4)

 

         O profeta Isaías teve uma missão na vida. Desde o ventre, foi escolhido para anunciar oráculos divinos. Foi-lhe fácil a tarefa? Mesmo tendo tomado conhecimento de seu chamado por meio de vislumbre do glorioso trono celeste, com Serafins que proclamavam a santidade e honra do Criador, passou por momentos pelos quais  concluiu que o resultado de toda sua obra era vã e inútil.

Situações que furtam paz nos fazem pensar como o profeta.

         Recebemos a Palavra de Deus como um legado vivo e eficaz que por meio de exemplos passados pontuamos nossas ações. Além disso, atingimos a compreensão do que se passa e buscamos resposta na única fonte segura: direção do Espírito Santo ao interpretar as Sagradas Escrituras.

 

O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende

(Is.1:3)

 

         Os animais possuem conhecimento instintivo e por essa razão obedecem a seu dono docilmente. Israel estava tão obstinado com interesses individualistas, sem visão de reino celeste, que não percebia as dádivas divinas, embora fosse chamado pelo próprio Deus de seu povo. Diante de tanta crueldade e desvios dos retos caminhos do Senhor, por parte dos israelitas, Isaías expressa de forma poética que havia chegado a hora de parar.

         Porém, sua intimidade com Deus o leva a uma reflexão profunda. Delimita o texto afirmando que por mais que não enxergasse pelos olhos carnais o objetivo de seu esforço em cumprir sua vocação, o direito e a recompensa estavam garantidos. Perante o Senhor estava o galardão.

         Se Isaías retrocedesse, teria agido a partir de sua ira, que não produz justiça divina. A ira humana origina vingança egoísta e leva à destruição. A de Deus baseia-se em seu caráter justo e santo. Para que o profeta entendesse dessa forma, foi necessário purificação de seus lábios. Ele habitava em meio a um povo de torpe falar. Para ter autoridade na entrega da mensagem, palavras de sua boca deveriam refletir seu viver. Não mais caberiam coisas inconvenientes a santos.

 

Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!

(Is. 6:5)

         Nunca seremos perfeitos. A cada dia o Senhor liberta nossa alma de algo que impede ver a glória divina. Nossa jornada é mesmo como a luz do dia, que brilha até ser perfeita. Por mais que Jesus nos ensinou a buscar a perfeição no modelo do Pai Celeste, nosso status de criaturas humanas nos coloca sempre na dependência do perdão divino.

Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.

(Is. 6:8)

         Sabe o que mais agrada a Deus? Coração quebrantado, disposto a reconhecer  as falhas  e a pedir remissão. Coração determinado a se enquadrar na vocação recebida, sem ideia de retrocesso, move o coração de Deus a nosso favor.

Nas religiões do antigo Oriente Médio, somente os seres divinos eram enviados como mensageiros dos deuses. O coração agradecido de Isaías o leva a pedir seu envio, mesmo sabendo da árdua jornada a ser enfrentada. Ele desejou servir ao Deus que lhe perdoou e lhe colocou em condições de ver o céu aberto com miríade de anjos. Os deuses pagãos perderiam espaço com sua atuação como enviado de Deus.

 

O Senhor tem nos dado a conhecer seus mistérios. Tem revelado o laço oculto do adversário de nossa alma e fornecido armas para o combate. A maior recompensa enquanto permanecemos em corpo não glorificado é vencer as hostes da maldade.

 Vale ser embaixador do reino? E sofrer por amor ao nome que está acima de todo nome? Que recompensa terrena sublima a coroa da eterna alegria na nova Jerusalém? Paulo entendeu que a felicidade ultrapassa a dimensão terrena e se realiza plenamente na vida eterna.

O rei Uzias se ensoberbeceu depois de ter-se fortalecido espiritualmente e materialmente. Mas caiu na ruína. Ele não se lembrou de que era servo.

Servo vem do hebraico Ebed e é traduzido por escravo, que foi chamado para servir, trabalhar. Jesus foi chamado de servo, pois seria totalmente obediente à missão de redentor da humanidade. Pensou em desistir, lá no Getsêmani, quando seu penoso trabalho rendeu-lhe gotas de sangue. Mas como servo, entregou-se à vontade soberana de seu Senhor.

Palavras tendem a revelar o caráter de quem proferem. Podem causar medo, estupidez, insegurança ou consolo. O Espírito Santo é o consolador que nos guia a toda verdade. Ele nos conduz à emissão de palavras que produzem vida.

 Que tem saído de nossos lábios? Palavras têm levado a construções ou a destruições? Tem gerado vida ou morte?  Tiago afirmou que  uma mesma boca não pode proferir bênçãos ou maldições.

O Servo Sofredor do Senhor foi levado à prisão e à morte pelos nossos pecados. Mas foi glorificado e assenta-se hoje à destra do Pai Todo Poderoso.

Se o sofrimento por realizar obra divina revela inutilidade na compreensão humana, perseveremos porque nosso direito e nossa recompensa vêm do Senhor em tempo jamais conhecido por nossa razão.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

08 - 06 - 2011     

 
  Voltar para índice de mensagens
|- - IEMB - Design: João Batista A.P - Igreja Evangélica Missionaria Brasileira- Leia a Bíblia, ouça a voz de Deus - Ministério: Pr. João Nogueira Pimenta -|