Se te fadigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?

(Jr 12.5)

 

         Aurélio define competição como luta, desafio, disputa, rivalidade. Competição é o contexto no qual todo ser humano está inserido. Impossível haver momento de total ausência de desafio. Lutamos por melhorar saúde, finanças, relacionamentos, espiritualidade.

         A maior peleja para o cristão é desenvolver sustentabilidade espiritual. Tarefa que se torna obrigatória quando se compreende o sentido da guerra que se trava nas regiões celestes. Paulo explica que forças espirituais do mal exercidas por principados e potestades dominam o mundo e o torna tenebroso. Seu conselho, então, é buscar fortaleza que vem do poder de Deus. Para permanecer inabalável, e resistir o dia mal, a armadura divina deve ser tomada plenamente.

         O profeta Jeremias passou por combate que o deixou atônito. Ele se considerou como cordeiro manso, levado ao matadouro. Tramaram projetos malignos contra ele. Disseram:

Destruamos a árvore com seu fruto; a ele cortemo-lo da terra dos viventes, e não haja mais memória de seu nome.

(Jr. 11:19)

Morte era o obstáculo que o profeta teria que superar. Como fazer para escapar das mãos dos inimigos? Ananote era sua terra natal e a traição vinha de pessoas íntimas. De lá se levantava a afronta ao homem de Deus. O que fez Jeremias? Entrou num pleito com o Senhor dos Exércitos. Foi procurar resposta na luz do mundo. E ouviu uma réplica satisfatória: juízo para os homens de Ananote viria no ano de sua punição. (Jr. 11:23).

         Escreveu o escritor de Eclesiastes: há tempo e modo para todo propósito debaixo do céu(Ec. 8:6). O tempo determinado pelo Altíssimo em que a sentença favorável a Jeremias seria lida diante dos que procuravam dar cabo à sua vida ainda não havia chegado. Mas a oração que o conectou ao eterno criador ascendeu esperança em sua memória.

         A região de Ananote e a presença dos edomintas e moabitas atacavam o perímetro de Judá com saques a cidades, além de manter pessoas cativas. Um cenário desesperador para quem foi constituído por Deus para derribar, demolir e arrancar inimigos por meio da proclamação da mensagem de julgamento. E também para edificar e plantar a mensagem de esperança nos corações arrependidos. Diante desse cenário, Jeremias pergunta a Deus:

         Mas tu, ó Senhor, me conheces, tu me vês e provas o que sente o meu coração para contigo. Arranca-os como as ovelhas para o matadouro e destina-os para o dia da matança. Até quando estará de luto a terra, e se secará a erva de todo campo? Por causa da maldade dos que habitam nela, perecem os animais e a as aves; porquanto dize: ele não verá o nosso fim. (Jr 12:3-4)

                  Porém, diante de todo esse desabafo junto ao trono da graça, Jeremias ouve de Deus uma resposta que o levou a pensar no futuro desafiador que estava prestes a levá-lo a uma competição espiritual ainda maior. A réplica veio em forma de duas ilustrações. A primeira, uma corrida a pé, deu a entender ao profeta que o obstáculo enfrentado até então era algo irrisório diante das futuras batalhas com o rei da Babilônia,  comparado, nesta resposta,  a cavalo. Ele viria com maior rapidez, maior força. O preparo  deveria aumentar e não servir como escoadouro de energia espiritual.  A terra que para Deus era de paz, seria transformada numa floresta do rio Jordão, de difícil acesso, com animais ferozes e perigosos.

         Por que Deus assustaria Jeremias? Que propósito tem um Deus que é amor, pureza e bondade em anunciar oráculo tão desanimador?  Exatamente por ter esses atributos como essência de seu caráter, Deus avisa o laço que o inimigo planeja armar para que haja providências capazes de levar o lutador a enfrentar desafios e sair vitorioso.

         Em que dimensão espiritual estamos? Andando a pé e seguro em terra de paz ou na floresta do Jordão? Nossa resposta não é importante para garantir que o dia mal será vencido. Todavia, a que vem do Santo de Israel, e que nos estimula a ser geração que busca a face do Todo Poderoso, certificará a renovação das forças aparentemente perdida após uma batalha.

 

         O próprio Jesus disse a seus discípulos, quando explicava a parábola da videira e seus ramos, que o mundo o odiou sem motivo. Ele, como videira verdadeira, não escondeu os sofrimentos pelos quais seus amados seguidores passariam em conformidade com sua cruz. Jeremias sofreu, Jesus sofreu, Paulo sofreu e ainda afirmou que carregava em seu corpo a marca da cruz de Cristo.

         Mas diante de todo esse sofrimento, trazemos à memória a glória incomparável que há de ser revelada no dia da vitória de Jesus Cristo sobre todo principado e potestade. Até lá, guardemos a fé, com a qual apagamos os dardos inflamados do maligno, seja em terra de paz ou na floresta de um rio assustador.

Assim diz o Senhor, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para  a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; Senhor dos exércitos é seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. (Jr. 31:35-36)

 

Essa é a dimensão do cuidado do Deus eterno. Como não há possibilidade de deixarem de existir sol, lua, estrelas ou ondas marítimas até que venha novo céu e nova terra, não é possível Deus se esquecer de seu povo e não avisá-lo do mal que está por vir. Além do aviso, ele fornece força e poder para vencer novas batalhas espirituais que se refletem no reino físico.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.      

22 - 06 - 2011     

 
  Voltar para índice de mensagens
|- - IEMB - Design: João Batista A.P - Igreja Evangélica Missionaria Brasileira- Leia a Bíblia, ouça a voz de Deus - Ministério: Pr. João Nogueira Pimenta -|