É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la?
(Mc 3: 4)

            Lembra-te do dia de sábado, para o santificar (Ex.20:8). Esse texto corresponde a um dos dez mandamentos dados por Deus a Moisés com o propósito de levar o povo hebreu ao descanso. A cada sete anos a terra também descansava com a ausência do cultivo. Os animais seguiam o rito e, da mesma forma, descansavam no sétimo dia.

 Atitudes de cuidados com a saúde foram incluídas nas diretrizes legais da comunidade hebréia, além de comportamentos que espelhavam a adoração ao Deus único que se revelara com milagres na libertação do cativeiro no Egito.  Não eram leis rígidas, mas estipulações de um relacionamento pontuado pela graça divina. Com a morte de Moisés, de Josué e dos demais líderes que acompanharam a observância inicial dos mandamentos, esse arcabouço jurídico passou por interpretações puramente humanas desprovidas da misericórdia e do bem ao próximo.

Mas o sétimo dia é o sábado do senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem  a tua serva,  nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu (Dt 5:14).

Se na servidão de Faraó o povo não conheceu descanso por quatrocentos anos, era chegado o momento de promover proclamação de boas novas. Cuidar da saúde com descanso e aproveitar esse dia para santificar a Deus era pacto de cumprimento obrigatório. Porém, com a finalidade de promover o bem e não de uma obrigação desprovida de um significado maior.

O tempo passou e várias gerações se findaram. Aparece Jesus como o verbo encarnado no contexto do cumprimento da Lei Mosaica. Mas com uma interpretação que visualizou o sábado como prisma da aprovação divina, pautada na bondade, ele desafiou os melhores intérpretes da Lei de seu tempo. Mostrou que o sábado foi estabelecido por causa do homem e não o contrário ( Mc 2:27).

E assim segue a história da humanidade. Criam-se normas para o bem estar e são interpretadas como simplesmente um rito a ser seguido sem observância dos princípios humanitários. Os fariseus, que formava o grupo de judeu devoto à Torá (Lei dos Hebreus), observavam Jesus atentamente aos sábados para encontrarem motivo da acusação de não santificação desse dia.

Contudo o mestre da bondade deixou claro que o dia do descanso e da santificação a Deus era a oportunidade maior da prática do bem. E por isso curou no sábado, ensinou, pregou as boas novas, multiplicou pães e peixes. E fez mais. Mostrou aos hipócritas que o cuidado com os bens materiais existiam no dia santo. Então, concluiu que uma pessoa vale mais que recursos materiais.

Quando prestamos obediência a Deus, nossas obras são consideradas justas aos olhos do juiz de toda terra. O que acontece, então, com o cumprimento de preceitos humanos? Se estes ferem o mandamento divino, importa obedecer a Deus. Igrejas, organizações de defesa de direitos humanos e outros devem ser criados para a melhoria da vida no mundo. E não para impor regras e mais regras, preceitos e mais preceitos que não revelam atos amorosos.

Acima de tudo isso, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. (Cl 3:14)

Em tese, amos. E muito. E no caso concreto? Temos feito o que está ao nosso alcance para promover a benignidade em nossa família, comunidade, trabalho, igreja? Ou temos leis e regulamentos que nos impedem de  fazer o bem ou de salvar uma vida? Disciplina é necessário, desde que não quebre o vinculo da perfeição. Descansemos, mas carreguemos pedras espirituais para garantir um mundo melhor.

Por Auxilandia, pastora em cristo, seva de Deus.

   
         

14 - 07 - 2011     

 
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