O amor acima de todos os amores

"Não terás outros deuses diante de mim."
(Êxodo 20:3)

         Quem deixou de amar alguém ou algo nesta vida? Ninguém. Todos, de alguma forma, exercem o sentimento amor, pois é intrínseco ao ser humano. Todavia, para os cristãos, o amor transcende a esfera do sentimento e alcança a dimensão do mandamento divino. Amar, no contexto cristão, é obedecer. O povo de Israel aprendeu bem qual era o amor que devia está acima de todos os amores. Nos rituais religiosos diários dos judeus, há um credo que destaca a unidade e a singularidade do Deus único, o Shemá: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força". (Deut.6.4). Esse credo apresenta o Senhor como o único Deus que os israelitas podiam amar. Amá-lo de todo coração, alma e força, não deixa espaço para devoção a outros deuses. Como a Palavra de Deus é viva e eficaz, bem como capaz de discernir os propósitos do coração, além de ser aplicável a todas as gerações, não nos resta outra alternativa a não ser internalizar o Shemá e praticar, pois bem-aventurado é o fiel cumpridor. E quem não quer ser feliz?

         Amar a Deus é exercer um amor que o elege como o único alvo de adoração. Podemos, muitas vezes, não ter deuses de prata, ouro ou madeira, entretanto cultivamos ídolos em nosso coração que limitam o espaço que deve ser reservado unicamente para o autor da vida, para aquele que escolheu um povo santo como sua propriedade exclusiva e seu sacerdócio real. O chamado de Abraão abre caminho para a obra de redenção divina e o povo de Israel é chamado para apresentar ao mundo a aliança salvadora. Os cristãos são, também, o Israel de Deus, o povo escolhido que dia após dia dá continuidade ao plano redentor. Mas como não ter outros deuses além do Santo de Israel? Como amar o Senhor de todo coração? Deus fala por Isaías: "Tu não tens me invocado, ó Jacó, embora tenha estado exausto por minha causa". Temos freqüentado a igreja, participamos de um ministério e até exercemos a liderança na Casa do Senhor. Mas, agindo assim, é suficiente para garantir a comunhão com o Pai? A descendência de Abraão, representada neste versículo por Jacó, cumpria os ritos determinados por Deus para a adoração no Templo, contudo não estava invocando o Santo Nome. Santificamos e invocamos a Deus com as nossas atitudes de amor a ele sobre todas as coisas, que se materializa no amor a misericórdia, na prática da justiça e no andar humildemente com o Criador (Miq. 6:8). João nos leva a refletir na seguinte questão: "Se você tem recursos deste mundo e vir seu irmão a passar necessidade, pode o amor de Deus está sobre você? E acrescenta: "Se você não ama seu irmão que ver, pode amar ao Deus invisível?". Não há amor de única mão. O amor como mandamento é comunicável e atua horizontalmente (amor ao próximo) e verticalmente (amor a Deus).

         O Pai comunicou seu amor ao Filho, enviando-o como luz do mundo para que ensinasse seus discípulos a amar com a excelência do amor dele. O salmo 104 nos mostra um Deus criador e sustentador de um mundo lindo e farto, o qual reflete sua glória. Os pecados da humanidade destroem a criação que geme pela redenção desde a queda do homem no Jardim do Eden. O nosso papel como cristão é não ter outros deuses além da Rocha de Israel e isso implica invocar o nome dele para que ele possa rasgar os céus e descer em nosso favor, pois sua generosidade, grandiosidade e sabedoria são o suficiente para que nós lhe rendamos graças e louvores. Invocamos seu santo nome por meio da oração, de nossas atitudes, do conhecimento dele pelo estudo da Palavra, e quando nos arrependemos de nossos pecados, transgressões e iniqüidades. Todos precisam um do outro e a adoração individual e coletiva é capaz de abalar as estruturas espirituais do mal e invocar a presença do Todo Poderoso.
         O mandamento "Não terás outros deuses diante de mim," e o Shemá (Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força) nos movem a elevar a fidelidade a Deus acima de todos os compromissos humanos. Pois, que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o SENHOR nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?
(Deut. 4:7)


Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.

15 - Maio - 2009       

 
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