Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi.
(Is. 44:22)

 

         A história antiga dos hebreus relata que quando pobreza recaía sobre alguém, propriedades ou pessoas eram vendidas para remediar dívidas. Mas a libertação da vida ou do bem adquirido nessas condições acontecia logo que um parente próspero se revelava como remidor.

 

“Portanto em toda a terra da vossa possessão dareis resgate à terra. Quando teu irmão empobrecer e vender alguma parte da sua possessão, então virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão. E se alguém não tiver resgatador, porém conseguir o suficiente para o seu resgate, então contará os anos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao homem a quem a vendeu, e tornará à sua possessão. Mas se não conseguir o suficiente para restituí-la, então a que foi vendida ficará na mão do comprador até ao ano do jubileu; porém no ano do jubileu sairá, e ele tornará à sua possessão.” (Lv 25:24 ss)

 

         Justa lei dada por Deus a Moisés para pontuar a vida de um povo. Se fosse cumprida pelos mais de  6 bilhões de habitantes da terra, não existiria quem perambulasse no frio das noites sem tetos.

A falta de recursos físicos pode atingir a espiritualidade. Não deveria. Entretanto, o egoísmo de quem muito possui e nada compartilha provoca, nos corações desalentados, revolta e faz brotar raízes de amargura.

Um coração magoado produz incredulidade e impede o raciocínio que traz clareza de um Deus que se preocupa com aflitos e necessitados. E por essa razão vivem no pecado e atiram ao ar palavras de blasfêmias contra os céus.

Assim, como para os hebreus,  o parente resgatador era responsável por preservar a integridade, a vida, a propriedade de quem empobrecia, Jesus Cristo tornou-se, há mais de dois mil anos, o remidor espiritual da humanidade.

 

Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. (Is. 43)

 

Hoje, em nossa história, não há quem resgate bens materiais no modelo israelita. Mas há um cuja remissão vai além de coisas perecíveis. Adentra o espírito e o sela com o penhor do Espírito do Vivo Deus para o dia da redenção eterna.

 A salvação como promessa divina vem carregada de livramentos na dimensão espiritual. É algo que não se compra com moedas terrenas. A fé é a senha para aquisição.          Fé regada a boas obras, que evidencia o caráter de quem recebeu sem preço o perdão dos pecados.

Aproxima-te da minha alma, e resgata-a; livra-me por causa dos meus inimigos. Bem tens conhecido a minha afronta, e a minha vergonha, e a minha confusão; diante de ti estão todos os meus adversários. Afrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquíssimo; esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei. (Sl 69.18)

 

O resgate divino não é apenas um presente reservado para o dia em que Deus executará juízo eterno sobre a criação e salvará aqueles que receberam a Jesus como Redentor. É também bálsamo que cura ferida da alma aqui na dimensão terrena.

 O salmista, diante de perseguições de inimigos, sentia os batimentos do coração que declarava falta de paz interior. Para expurgar a angústia, pediu resgate da alma. Os adversários poderiam até prosperar diante dele, mas a derrota seria sublimada pela presença do doce Espírito Libertador. O que importava era a tranquilidade de seu espírito, que o levaria a perder ou ganhar sem prejuízos na saúde emocional.

A redenção espiritual foi colocada em paralelo com a física por grandes vencedores na história bíblica.  No salmo 103, o poeta declara:

Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia, que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. O SENHOR faz justiça e juízo a todos os oprimidos. (Sl 103)

 

Bens materias nunca suprirão a redenção da vida. Propriedades podem se perder, mas o espírito é eterno, e deve ser redimido tanto para essa  vida como para a eternidade.

O Santo de Israel proclama:

“Eu te remi, por isso, volta-te para mim.”(Is. 44).

 

Ter os pecados perdoados é evidência da remissão divina. Só precisamos nos lembrar de que iniquidades são perdoadas na medida em que perdoamos. O bem maior, que é o resgate de nosso espírito, acontece com a humildade em reconhecer que somos pecadores e necessitamos de um resgatador a todo instante.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

17 - 08 - 2011     

 
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