Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. (Mq 7:18)

 

         Bondade vem do grego agathos e descreve aquilo que sendo bom em caráter ou constituição é benéfico em seu efeito. Bom, em seu conceito teológico, atinge a dimensão do moralmente aceito, daquilo que é agradável a Deus.

         Compaixão é palavra do mesmo campo semântico de misericórdia. Refere-se à emoção profunda de alguém que associa esse sentimento ao amor prático.

 

Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. (Mq 7:19)

 

         O amor de Deus é marcado por uma profunda compaixão e chega a ser quase indescritível. O apóstolo Paulo por pouco não conseguiu descrever o que viu no terceiro céu. Ele ouviu palavras inefáveis, encantadoras. Não as pode transmitir antes que o Espírito do Vivo Deus o movesse a escrever.

Mesmo não conseguindo por um tempo comunicar por palavras as coisas celestes que presenciou em espírito, lançou-se no ministério da pregação do evangelho alicerçado na esperança no Deus que se compadece dos pecadores. Fez por fé naquele que tanto o amou.

         Um dos pecados do povo de Israel que entristeceu o coração de Deus foi idolatria. A troca do Bom Deus  por imagens feitas de madeira, ouro e prata que precisavam ser carregadas por mãos humanas fragilizou a proteção divina. Abriu brechas para o reino da maldade. Com isso, atritos familiares, violência, opressão, ganância, engano e infidelidade pontuaram a vida do povo que escolheu aborrecer o bem e amar o mal.

O que fez Deus diante de tal cenário hostil?

         Não os abandonou. Enviou profetas que começando pelo raiar da aurora chamavam a atenção para o retono às boas obras. Um deles foi Miquéias. Anunciou que Deus é misericordioso e que não se recorda dos pecados já perdoados.

 Ou seja, proclamou que o movimento para vencer a luta da carne contra o espírito tem direção. Vem do próprio Deus que não tem prazer na morte do ímpio.

Mas a vitória requer disciplina.

         A busca por um bom coração deve ser diária. Uma consciência que age vantajosamente para com o próximo foi defendida por Jesus em seu sermão da montanha.

 

Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. (Lc 6:35)

 

         Pode-se dizer: Somente a Jesus, como Filho de Deus, coube essa atitude. Conclusão lógica, levando-se em consideração fraquezas humanas.

 Mas o escritor de Hebreus deixou claro que foi o coração piedoso de Cristo que  levou a confirmar sua exaltação na glória como destra do Deus Pai. Ele se tornou a expressão exata do ser de Deus pela obediência.

Além de prometer perdão divino para os pecados do povo, Miquéias recebeu a incumbência de anunciar o Messias que neutralizaria  na eternidade toda influência do mal. Jesus se apresentaria como o verdadeiro pastor do rebanho perdido. E cumpriu essa missão triunfantemente.

As promessas maravilhosas do Senhor foram reveladas para que o povo tivesse um alento e retornasse à busca da verdade na fonte de águas vivas e não em cisternas rotas. 

 

O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (Jo 10:10)

 

No contexto da eterna bondade, vida em abundância é reconhecer fragilidades e buscar perdão no Trono da Graça.

 

Mas é preciso entender que é perdoando que se é perdoado. Como lembra bem a oração do Pai Nosso, tão conhecida e que  expressa a verdade espiritual reveladora da marca da bondade que se imprime no coração dos seguidores de Cristo. Perdoar é a exteriorização da misericórdia. É regar a semente que brota como fruto do Espírito.

 

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 6:22)

 

         Plantar a semente para colher esses frutos demanda tempo investido em oração, jejuns e meditação da Palavra. Não há quem possa  por si só desenvolver virtudes próprias da mente de Cristo sem crucificar a carne com suas paixões e concupiscências.

                  Que a mente misericordiosa de Deus seja a marca da busca da bondade em nossos corações.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.    

 
 
 

07 - 12 - 2011     

 
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