O valor do temor a Deus

Agora, pois, seja o temor do Senhor convosco; tomai cuidado e fazei-o, porque não há no Senhor, nosso Deus, injustiças,
nem parcialidade, nem aceita ele suborno.
(2 Cr 19:7)

        Mesmo que não somos juízes como profissionais, carregamos no ser um componente eterno chamado justiça, que se baseia no temor a Deus. Quando ouvimos que um juiz foi parcial ao julgar uma causa, o nosso coração se entristece e uma revolta brota do íntimo clamando por justiça, por imparcialidade. É assim que acontece com o ser humano que ainda não apagou as virtudes que refletem como espelho a imagem do criador. Como temos tratado nosso próximo? Como tratamos aqueles que são pobres de recursos deste mundo e necessitam de nossa misericórdia para não desfalecerem em sua jornada diária? E aqueles que têm recursos deste mundo, mas necessitam de apoio espiritual, emocional? O profeta Isaías, por volta do ano 740 a.c, nos ordena, pelo Espírito, a fortalecer os desalentados de coração. Salomão, o sábio rei de Israel, escreve em Provérbios: julga retamente a favor dos pobres e dos necessitados. Esse conselho não é direcionado apenas aos que têm a competência legal ou profissional de julgamento, mas a todos nós, que segundo após segundo tomamos decisões que afetam vidas. Em que base acontece essas decisões? O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, deixou suas últimas palavras registradas no segundo livro de Samuel (23:4): "Aquele que domina sobre o homem no temor do Senhor, que domina com justiça, é como luz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, que depois da chuva faz brotar da terra a erva". Temos brilhado como luz da manhã, como estrela sempre e eternamente? Ou temos sido nuvens negras e provocado abrolhos e espinhos na terra de corações necessitados? Na nossa casa, no nosso trabalho, na nossa faculdade, na nossa igreja temos vidas sob nosso domínio. Como temos agido?

        O rei Josafá, que reinou sobre Judá e fez o que era reto aos olhos do Senhor, ao nomear juízes para atuar como conciliadores das causas apresentadas ao reino, alerta o povo a tomar cuidado ao emitir um juízo de valor, pois no Senhor não há injustiças, nem subornos e nem parcialidade. Ele também alerta para o temor ao Senhor, que é o princípio da sabedoria. Quantas vezes podemos optar por fazer o bem, por agregar valor ao reino de Deus e preferimos o egoísmo, a insensibilidade e a intolerância com os erros do próximo! Essa atitude é julgar sem temor a Deus, é cometer injustiças e agir com parcialidade. O suborno que recebemos é, muitas vezes, deixar de fazer um algo mais porque estamos no conforto de nossa comodidade e não nos doamos para fortalecer o coração do desalentado. No Salmo 94, o escritor chama a atenção dos exploradores do povo: Se foi Deus quem criou os olhos e os ouvidos, acaso não é capaz de ver e ouvir? Acaso a criatura é maior que o criador? Se Deus é capaz de governar sobre as nações por meio das leis eternas de sua providência, acaso não é capaz de tratar de um bando de perversos que exploram seu povo? O salmista crê na justiça de Deus, no julgamento vindouro dos perversos e na promessa de um reino de justiça para os que têm um coração reto e bom. O homem bom tira do coração o bom tesouro. Tiago nos ensina que o juízo é sem misericórdia para quem age sem misericórdia, e ainda acrescenta: a misericórdia triunfa sobre o juízo. Como temos interpretado as leis de sobrevivência? Procurando brechas para satisfazer nosso componente impuro ou procurando aflorar a pureza como divina semente no nosso coração? Quando a Bíblia fala em lei, não se refere a apenas leis do sistema jurídico de um Estado, nação, ou ambientes profissionais. Esse conceito bíblico vai muito além e atinge a esfera moral, o componente interior que se herda de eternidade a eternidade, pois fomos criados à semelhança de Deus. Paulo adverte aos irmãos de Corinto para não se firmarem em sabedoria humana, mas somente na encontrada nas Escrituras, que é comparável ao ouro, à prata e às pedras preciosas (I Cor. 3:20; Pv 2:1-4). Como sal da terra e luz do mundo, os filhos de Deus devem fazer todo o possível para promover a justiça aqui na terra. Deus não rejeita seu povo ligado a ele por aliança eterna e por essa razão os perversos cavam covas para si ao deixarem de praticar o bem, estando em suas mãos o poder para fazê-lo. O nosso Deus, que veste a luz como manto, que usa as nuvens como carruagem e que estendeu os céus como uma tenda, e descansa sobre um alicerce inabalável é o juiz de todos, e seus "olhos percorrem toda terra, para se mostrar forte com aqueles cujo coração é reto." Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Efésios 1:10). Praticar as boas obras é andar em temor a Deus.

Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.

19 - Junho - 2009       

 
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