O sofrimento nos conduz á eternidade

        Nas manhãs sem nuvens e nas noites sem estrelas sentimos o abandono, a solidão. Somos humanos e, por conseqüência, passamos por aflições que nos levam a fazer a pergunta que Jesus fez no calvário: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Jesus, que conhecia mais do que ninguém o Pai, derramou sua alma na cruz num momento de total escassez de recursos emocionais, pois havia se angustiado até o ápice que um ser humano pode chegar: ele suou gotas de sangue no Jardim do Gtsâmani. Na sua humanidade, Jesus passou por todas as aflições e sofrimentos possíveis. O escritor de Hebreus nos ensina que por essa razão ele aprendeu a obediência necessária à realização da obra redentora na cruz do calvário e, depois de consumar esta obra, foi glorificado e exaltado.

        Jó é o exemplo bíblico que nos conduz ao conforto e entendimento das situações que vão além de nossa compreensão. Um homem reto, justo, temente a Deus e que se desviava do mal chegou a perder bens materiais, filhos e a própria saúde. Só não perdeu a fé no seu Deus, algo que o tornou exaltado por toda a eternidade. Satanás havia desafiado as questões eternas e por não possuir o atributo da onisciência (conhecimento do passado, presente e futuro) pensou que derrotaria a crença de Jó no Todo Poderoso a partir de uma vida atribulada. Mas o Deus onisciente sabia que seu servo, ao passar pela prova, sairia mais fortalecido, confiante e conhecedor do amor eterno do Pai protetor e, por essa razão, decide infligir o sofrimento, não por prazer em agir dessa forma, mas tendo em mente um propósito redentor, que envergonharia seu inimigo e o venceria como exemplo para toda a humanidade. Jó amaldiçoou dois momentos: a noite de sua concepção e o dia do seu nascimento (Jó 31:1-13) e dirigiu perguntas ao Todo Poderoso: Por que, por que e por que? Deus não se incomodou com os questionamentos e nem com as maldições, pois para ele a dúvida sincera tem maior valor que a falsa certeza. Se Jó negasse sua fé e na isca de Satanás fosse fisgado, teria colocado em risco todo propósito redentor. Ele permaneceu fiel àquele que podia livrar sua alma da morte. Com toda convicção, confessa: Ainda que ele me mate, nele esperarei. Havia uma aposta de peso eterno que deveria permanecer longe do conhecimento de Jó. Deus é justo e por isso entendeu o questionamento de seu Filho na cruz, entendeu o de Jó, e entende as nossas dúvidas, os nossos desabafos na busca por saber o que se passa em nossa vida. Não podemos perder de vista a graça salvadora de Deus que vem pela nossa fé.

        Deus permite o sofrimento com um propósito maior em nossas vidas. É difícil entender essa decisão divina, mas como não podemos esquadrinhar o entendimento dele, só nos resta agir como Jó: "antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora meus olhos te vêem." Os sofrimentos nos aproximam de Deus e nos remetem a um nível de conhecimento mais profundo das questões eternas, pois nossa morada aqui é passageira e a glória que há de ser revelada transcende a essa transitoriedade cheia de amarguras e dores. Os amigos de Jó falaram acrescentando ainda mais sofrimentos e angústias. A melhor maneira de ajudar as pessoas que sofrem é simplesmente ouvir e não tentar fornecer explicações, pois essa hora é imprópria e palavras não são suficientes para acalmar um coração ferido. A demonstração de preocupação e amor é que faz aquietar uma alma angustiada. Ver a radiografia faz passar a dor de uma perna quebrada? Verdades devem ser ditas, porém não no momento crucial de dor, pois pode causar maior estrago do que a falta delas. Vivemos de promessas e não de explicações. Nessas horas, o melhor é lembrar aos sofredores as promessas imensuráveis do Deus que tem o SIM para cumprir, pois fiel é o que prometeu.

        Depois que as nuvens negras e o aguaceiro na vida de Jó passaram, ele entendeu que não havia meios de pleitear suas causas diante do Juiz de toda terra. Então, numa atitude de humildade reconhece o poder e a justiça de Deus na execução de seus planos, e admite que havia dito coisas que não entendia. Percebe, também, que tudo o que Deus faz é certo e que o ser humano deve aceitar por fé tudo que vem do alto: tanto o bem quanto o mal. Depois do sofrimento, Jó tem um verdadeiro encontro com Deus e entende que não passava de pó e cinzas. Sofremos para que a criação seja redimida, para que o valor de nossa fé seja confirmado e resulte em honras e glórias ao Senhor e para que nossa alma seja salva no grande e glorioso dia da volta de nosso Redentor.

Por Auxilandia, seva de Deus, pastora em Cristo.

29 - Junho - 2009       

 
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