Fiel é o que prometeu
 
Alegro-me nas tuas promessas, como quem acha grandes despojos
(Sl 119:162)
 

       Todos nós já passamos por situações em que alguém nos prometeu algo e não cumpriu. É desagradável e provoca falta de confiança que dificilmente será restabelecida. O homem age assim, entretanto Deus está acima de qualquer quebra de acordo. O salmista consegue entender a fidelidade de Deus e se alegra, fazendo comparação com os grandes despojos. E ele está certo. Ser fiel faz parte da essência de Deus, de sua natureza. A fidelidade é um atributo divino e se revela nas próprias características do seu ser. Nossa compreensão se baseia em nossa estrutura mental, e por essa razão não podemos, de forma alguma, projetar nosso comportamento sobre o caráter de Deus, já que a fidelidade é uma qualidade permanente nele e não na humanidade. Devemos ser fidedignos, porém a imperfeição que faz parte de nosso ser não garante o total exercício dessa virtude. Jesus deixa isso claro quando ele adverte que os pais humanos, que são maus, sabem dá boas coisas a seus filhos, quanto mais o Pai celeste. Deus não cabe no nosso raciocínio e na nossa maneira imperfeita de ser, pois a transcendência o torna elevado, acima dos seres humanos. E como fruto dessa elevação está sua fidelidade, que vai para além das nuvens, e sua onisciência que o capacita a ver o futuro, e, assim, ter controle do tempo por toda eternidade (passado, presente e futuro).

       A onisciência de Deus nos remete à alegria e a certeza do cumprimento daquilo que ele falou a nosso respeito. Moisés, ao escrever Deuteronômio (18:22), deixou esse ensinamento: "Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele". Paulo também entendeu assim e advertiu aos irmãos de Corinto: "Quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim". Jeremias tem uma visão que já veio com a interpretação do Deus de Israel: O soberano pergunta: "O que vês? Ele responde: Vejo uma amendoeira. Vistes bem, pois eu zelo em cumprir a minha Palavra". Assim conclui o que é digno de toda confiança. Há e sempre haverá um elemento de mistério em torno de Deus, pois sua onisciência o capacita a ver o amanhã e saber com antecedência nossas quedas, nossas fraquezas, nossa vontade em acertar e por isso ele pronuncia somente aquilo que ele vai cumprir. Sempre haverá uma diferença entre Deus e os seres humanos. Mesmo tendo a imagem e semelhança restabelecida com a conversão, ainda seremos criaturas humanas e nunca nos tornaremos Deus. Dessa forma, não podemos medir a ação do Todo Poderoso utilizando nossos valores de referência. Quando prometemos e não cumprimos, estamos expressando algo terreno. Deus expressa o que é eterno, perfeito, sem variação ou sombra de dúvida. Temos promessas de Deus?Alegremo-nos e lancemos mão delas, mesmo que ainda estejam na dimensão espiritual, pois na plenitude dos tempos descerá como forma de chuva.

        "Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta, a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu." (Heb. 6:17 a 19). A fidelidade de Deus significa que ele se prova verdadeiro. Ele nunca precisa revisar sua palavra. Balaão disse a Balaque: "Deus não é homem para que minta, nem filho do homem, para que se arrependa" (Nm 23:19). Paulo foi mais incisivo: "Fiel é o que vos chama, o qual também o fará" (l Ts. 5:24). O perigo da dúvida surge quando interpretamos passagens bíblicas como quebra da promessa de Deus. Muitos pregadores utilizam o caso do rei Ezequias como uma promessa de Deus que sofreu mutação após sua súplica. O que se esconde nas entrelinhas dessa passagem é uma ordem de Deus, um aviso para que Ezequias conserte seus caminhos, coloque sua casa espiritual em harmonia com seus princípios, seus mandamentos. Morte sempre foi uma certeza divina deliberada nos tempos eternos, que se materializou após a queda. Uma lei espiritual, da qual não podemos fugir: a alma que pecar, essa morrerá. Na sua soberania, Deus usa o modo, o tempo e a forma que lhe apraz para cumprir seu propósito na vida de alguém. Usar o profeta Isaías para advertir Ezequias foi uma maneira escolhida por Deus para consertar suas veredas. Deus conhece nossas atitudes e faz promessas que ele cumprirá. Creiamos que o que foi determinado nas regiões celestes por Deus vai chegar às nossas mãos. Tenhamos firme o pensamento naquele é fiel para cumprir o que prometeu.

Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.

13 - Julho - 2009       

 
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