Em paga do meu amor, me hostilizam; eu, porém, oro. (Sl 109.4)

                        Procurar saber qual ministério eclesiástico se enquadra na vontade soberana de Deus para quem ingressa numa igreja, ou para quem já aderiu a uma comunidade cristã, é comum e saudável. Fazer alguma coisa na Casa de Deus sempre é bom. Muito bom.

            Porém, o ministério que está diante dos olhos de qualquer um que recebeu Jesus como Senhor é a obediência, e não exige nada além de colocar corpo, alma e espírito a serviço do reino celeste. Toda alma racional deve entender que obedecer é uma realidade espiritual divinamente exigida para se adentrar a eternidade e atrair bênçãos.

Pois contra mim se desataram lábios maldosos e fraudulentos; com mentirosa língua falam contra mim. (Sl 109.2)

            O trecho acima é parte da oração do rei Davi. Diante de tantas perseguições, que atingiram o nível da trama de sua morte, ele poderia muito bem fazer justiça com as próprias mãos. Vingar-se até ter o desejo emocional satisfeito. Entretanto, resolveu obedecer. Optou por orar.

            Declarou explicitamente que havia amado, e, em troca, recebido hostilidade. Mas orou. Simplesmente orou e pediu justiça divina.

Quando o julgarem, seja condenado; e, tida como pecado, a sua oração. (Sl 109.7)

            Palavras que, sem dúvida, refletem reações ansiosas do rei. Aparentemente, um pedido desprovido de misericórdia. Todavia, Davi, com esses vocábulos, apenas desabafou sua ira, e não pecou, pois depositou nas mãos do reto juiz palavras carregadas de revolta e deixou claro que a vingança propriamente dita pertence ao Senhor. A revolta foi dirigida a quem podia trazer alívios à alma ferida.

            O salmista não deu ordens a Deus, pois reger as criaturas é tarefa do Criador. E não o contrário. Ele sabia disso. Mesmo assumindo um tom negativo e agressivo no decorrer do Salmo 109, Davi se prostrou diante daquele que julga o mundo e livra das mãos de inimigos.

A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.

(Rm 12.18)

            Atitude de se pagar o mal com o bem não é somente em casos como Davi, que, por anos e anos, sofreu perseguição a ponto de se esconder em cavernas e fugir de sua terra natal.

            Deus exige esse comportamento nos detalhes práticos do viver, nas mínimas coisas do dia a dia. Num pensamento, numa palavra, num gesto.

Tudo que merece ser feito, merece que seja feito para atribuir glórias  a Deus.

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. (I Co 10.31)

            Coragem vem do grego tharsos e significa ser de bom ânimo.  Devoção é o ato de consagrar-se, segundo Aurélio. Obedecer passa pela disciplina de se separar de tudo que é contrário ao projeto de Deus e, com bom ânimo, procurar saber qual a vontade dele para a caminhada na terra.

            Adorar é um ato de reverência dirigido a Deus. Portanto, ao se pedir justiça divina, há o reconhecimento de que Deus é o Senhor de todas as coisas. Há reconhecimento, também, de seus atributos eternos, de seus caminhos, sempre retos e justos. Davi adorou a Deus em suas orações nos momentos em que rasgava o coração sincero e apresentava queixas e descontentamentos. É a Deus, somente a ele, que deve o homem abrir o coração em forma de pedido de justiça. E o Senhor de toda terra decidirá os meios físicos para reparação de danos.

Muitas graças darei ao Senhor com os meus lábios; louvá-lo-ei no meio da multidão; porque ele se põe à direita do pobre, para o livrar dos que lhe julgam a alma. (Sl 109. 30,31)

Por Auxilandia Pementa, pastora em Cristo.

12 - 06 - 2013     

 
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