O eterno advogado
 
Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e, nas alturas, quem advoga a minha causa
(Jó 16:19)

       Testemunha é a pessoa chamada a depor sobre aquilo que viu ou ouviu, segundo o dicionário Aurélio. Advogar é defender com razões e argumentos utilizando-se da retórica e da eloqüência habitual. Em todo tempo estamos intercedendo a favor de alguém ou estamos sendo alvo de intercessão, pois o processo vital é dinâmico. Atuamos, sem que saibamos, como advogados. O problema reside no fato de que seres humanos são falíveis e a sentença que recebemos ou emitimos nem sempre é respaldada pela reta justiça. Jó viveu esse fato. No capítulo 1, o relato é de que ele era homem justo, reto e temente a Deus. Seus amigos atuaram como seus advogados, todavia em face de tantas acusações, Jó conclui que uma pessoa justa poderia conseguir absolvição no tribunal divino, quando os advogados humanos torcem o direito. Então, apela para o juiz de toda terra, e decide convocar Deus ao Tribunal (Jó 13:3), sabendo que o juízo divino consideraria seu caráter puro como o ouro (Jó 23: 10). Exclama com toda autoridade: A minha testemunha está no céu, e, nas alturas, o meu advogado! Sem nenhuma confissão falsa a Deus, Jó entra num debate provando sua inocência e pedindo explicações, com base na certeza de que Deus é gracioso para com os que o servem. Ele era um servo e por isso obteria a sentença favorável. E foi assim que sucedeu. No final do livro, Deus atribui a Jó a função sacerdotal e dele aceita a oração pelos amigos que advogaram de forma injusta. Jó veste, espiritualmente, um manto real e prevalece sobre seus orgulhosos "acusadores".

        Quantas vezes somos alvo de acusações sem que haja causa? O nosso advogado mora acima das nuvens, entronizado entre querubins, e quando o invocamos para uma demanda em nosso favor, ele vem nas asas do vento e nos diz: Sou eu quem te justifica! Palavras que tentam explicar comportamentos muitas vezes trazem angústia. O remédio é chorar aos pés da cruz. O preço dos honorários é o sangue de Cristo que nos purifica de todo pecado e garante a ausência de culpa, atuando como elemento de esperança. Da mesma forma que sentimos o peso das acusações, podemos está acusando pessoas inocentes. A oração é o instrumento que cria em nós uma atitude correta com respeito à vontade de Deus, que é o julgamento pela reta justiça. A persistência na oração deixa claro que o caráter de Cristo será espelhado em nossas vidas e nos conduzirá a adiar julgamentos e a crescer na graça e no conhecimento, já que isso é uma das dimensões do amor de Deus. O Altíssimo nos constituiu intercessores e não advogados espirituais. A linguagem do reino da luz é o amor, que encobre transgressões, e a do reino das trevas é a acusação, que se manifesta até em doces palavras, mas que se transformam em fel e amargura.

        O exercício do domínio próprio é uma conseqüência da imagem de Deus, e quando o praticamos oferecemos sacrifícios de louvor e adoração. Se adorar a Deus fosse somente cantar ou pronunciar glórias, não haveria necessidade de manter comunhão com ele, já que a facilidade em abrir a boca substituiria o esforço em manter as aptidões de personalidade que refletem o caráter de Cristo. O Senhor nos chama a agregar valor em seu reino e isso inclui a ausência de juízo temerário. Não há dúvidas de que nesta vida existem injustiças e sofrimentos. Mas a doutrina cristã de vida futura ensina que haverá um grande tempo de julgamento justo e a dimensão final da vida eterna será assegurada para os que tiverem atendido à oferta amorosa de Deus. Até lá, resta-nos a esperança que Jó teve nos tribunais divinos. Resta-nos clamar como o salmista: Levantai-vos ó Portais Eternos, para que entre o Rei da Glória! Quem é este Rei da Glória? O Senhor, poderoso em batalhas, ele é o Rei da Glória! Ele virá e julgará nossa causa. Não importa se nossas testemunhas são falsas ou se a eloqüência de nossos advogados convence o juiz terreno distorcendo o nosso direito. Por fim, as portas eternas se abrirão e o juiz de toda terra, com voz de muitas águas, pronunciará a sentença em nosso favor.

        " E, assim, a minha língua falará da tua justiça e do teu louvor todo o dia". (Salmo 35:28)

Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.

20 - Julho - 2009       

 
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