Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!
(I Cor. 9:16)

            Proclamar é “anunciar em público e em voz alta”, segundo Aurélio. Originou-se do termo grego kerygma e se constituiu numa obrigação para os apóstolos do primeiro século. “Coisa que se tem por verdadeira, ou que é digna de crédito” é o conceito dado, pelo mesmo dicionarista, ao vocábulo  evangelho. Do grego “euangélion”, denota a ideia de boas novas.

            A quem cabe a obrigação imposta de proclamar as boas novas? A todos que vivem nos ambientes do cristianismo. Ser cristão implica carregar em si mesmo a responsabilidade de se comprometer, em tempo todo, com a manifestação da vontade de Deus. Que manifestação é essa? A de observar os laços do passarinheiro e de se tornar um atalaia.

A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e anunciarás da minha parte. (Ez 33.7)

            O escritor de Hebreus afirma que hoje Deus fala ao mundo por meio de seu Filho Jesus Cristo. E toda história bíblica relata que o Messias, o enviado ao mundo para iniciar o processo de evangelização, deixou sua marca de proclamação registrada nas Santas Escrituras. O padrão para avisos é a Bíblia. E o mais importante é saber que avisar não é garantia de livramento. É certeza de que a cobrança da obrigação não recairá mais no ombro de quem avisou. Mas no de quem não deu crédito à proclamação das boas novas.

Mas, se advertires o ímpio do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, ele morrerá na sua iniquidade; mas tu livraste a tua alma. (Ez.33.9)

            Paulo entendeu bem o oráculo no livro de Ezequiel. Ele deveria anunciar o evangelho mesmo sabendo que muitos fariam ouvido de mercador. Mas os preceitos da vida deveriam ser bem detalhados.

Mas, se quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniquidade, porém o seu sangue requererei da mão do atalaia. (Ez 33.6)

Eis nesse versículo o teor da responsabilidade que pesou nos ombros de Paulo. Não era glória para ele. Era, mais do que nunca, um dever imposto pelo próprio Deus. Há um desgaste para mostrar as boas novas, mas isso não pode ser motivo para deixar de lado o papel de atalaia. Respeito a ordem criadora de Deus, vida pautada em atitudes saudáveis, contato diário  com textos bíblicos e reunião para colocar em prática os dons espirituais exigem disciplina. E exortação, pois, no tempo que se chama hoje, os cristãos devem alertar um ao outro do caminho que conduz a uma vida abundante.

Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens. ( I Tm 2)

            Paulo afirmou a necessidade de antes de qualquer conselho, ou orientação, que se elevem a Deus pedidos por tudo e por todos. É a oração a chave que abre a mente para aceitar ou mudar rumos na caminhada da vida. O discernimento de como atuar em determinadas circunstâncias vem do Santo Espírito e não de mera sabedoria humana. É ele o consolador, aquele que guia a toda verdade, que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.

Ide por todo mundo e pregai a toda criatura. (Mc 16.15)

            O evangelista Marcos registrou o verbo no imperativo: Ide, pegai. Não é uma opção. É, como Paulo afirmou, uma obrigação. Mas esse pregar não consiste em abrir a boca e simplesmente falar sobre Jesus. Há um mover envolvido no “ide e pregai”. É preciso estratégias, planejamento, a partir dos instrumentos que Jesus deixou. Ele jejuou quarenta dias para vencer as ciladas que Satanás preparou para, no último dia do propósito, apresentar-lhe como orientação divina. Não foi somente o conhecimento que o Filho de Deus tinha das Santas Escrituras que lhe garantiu sucesso sobre o adversário. Foi necessário o discernimento de que a Palavra de Deus vinha do inimigo de forma distorcida. O jejum e a oração de quarenta dias tornaram-se fonte de preparação para Jesus dizer “não” a Satanás e sair vitorioso para enfrentar o desafio de seu ministério.   Além da quarentena de jejum, Cristo permaneceu em comunhão com o Pai por meio das orações. Seu ministério foi dinâmico: curou, expeliu demônios, alimentou multidões, acolheu pecadores, intercedeu pelos transgressores, orientou seus discípulos, pregou sermões, lavou pés de seguidores,  morreu por todos. Disse que aquele que quiser ganhar a alma nesta vida, com certeza perderá a da eternidade. Por isso, serviu, em vez de ser servido.

Por Auxilandia, pastora em Cristo.

18 - 09 - 2013     

 
  Voltar para índice de mensagens
|- - IEMB - Design: João Batista A.P - Igreja Evangélica Missionaria Brasileira- Leia a Bíblia, ouça a voz de Deus - Ministério: Pr. João Nogueira Pimenta -|