Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo. (Sl. 23.4).

            Algum tipo de vale é certo na vida de qualquer humano cuja vida é  cercada de fraqueza, medo e incertezas. Ninguém, por mais que domine teologia ou a arte de orar, louvar e interceder conforme ordena as Escrituras, vive longe dos ambientes do sofrimento, ou, simplesmente, dos vales. Mais precisamente, do vale da sombra da morte, como relatou Davi, em seu famoso salmo de todas as gerações.

Refrigera-me a alma, guia-me pelas veredas da justiça por amor do teu nome. (Sl 23.3)

            Entretanto, para passar pelo vale da sombra da morte, carregando no pensamento um vale de luz que aponta para uma vida abundante, deve-se caminhar com o pé calçado com o evangelho da paz e com a mão apoiada no ombro de Jesus. Davi afirmou passar pelas angústias que o cercaram sem temor porque a companhia do Santo de Israel era uma realidade tanto quanto o ar que ele respirava.

Deus escolheu ajudar Davi, num relato pleno de acepção de pessoas? Não. Isso é impossível para Deus. Seus atributos eternos o tornam um ser que está acima de qualquer escolha para livrar a alma aflita do vale de morte. Sua destra poderosa livra a todos que o busca incansavelmente.

Elevo a Deus a minha voz e clamo. Elevo a Deus a minha voz, para que me atenda. (S.77)

            Esse é o segredo de passar pelo vale com o olhar fixado na vitória futura. Buscar ajuda a partir dos feitos do Senhor manifestado em lutas passadas e abrir o coração para receber diariamente a porção do remédio que não perde a validade, que é, nada menos, que a Palavra de Deus.

Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor. (Jr. 17.5)

            Mesmo para aqueles que não saem da Casa de Deus,  é fácil apartar o coração das virtudes divinas. Basta deixar de meditar dia e noite na Lei de Deus (Santas Escrituras) e absorver conhecimentos humanos como se fossem a solução para os vales da vida. Jeremias alertou que a carne, além de insuficiente para livrar, é mortal. Carne é tudo que contraria o saber que vem de Deus, que milita contra os valores que se alojam no espírito do homem pela infusão do Espírito Santo. Carne é a inteligência humana sem a recriação do espírito segunda a verdade em Cristo Jesus. Carne é o conjunto de vontades próprias, que nada valem para livrar de vales.

Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor.

(Jr. 17.7)

            Se a maldição é o salário de se confiar em si mesmo, ou no próximo, a recompensa para a confiança e esperança no Senhor é a bênção.

Ele me invocará e eu lhe responderei; na sua angústia estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei. (Sl 91. 15)

            Caminhar de força em força, vencer os momentos negros do coração requer conhecimento ativo de Deus. Requer, igualmente,  atitudes pautadas nos comandos da Bíblia que impulsionam a caminhada estreita de vale em vale.

            Perder tempo tentando descobrir a causa dos vales é desferir golpes no ar. Deus tem prazer em abençoar, sempre. Tudo que ele criou recebeu o relato de bom, muito bom. As adversidades tem um endereço certo: vem do inimigo da alma. Deus, em sua soberania, transforma o mal em bem, em perfeição, em coisas agradáveis, nele. Das sombras enviadas pelo tentador, o Pai das Luzes faz provações, que dão um novo toque ao caráter, à personalidade, ao conjunto de valores internos de cada ser. E  preparam para a vida eterna, para uma vida terrena misericordiosa, cheia de benignidade, de compreensão, de suporte às falhas alheias, de perdão e compaixão, de acolhimento e não expulsão.

            Jesus não proferiu palavras de louvor pela sua expiação, entretanto marchou pelo vale sombrio que culminou na morte libertadora dos cativos. E com isso louvou eternamente ao Criador pela obediência sofredora. Clamou pelo livramento no Jardim das Oliveiras com alma angustiada. Também, no momento de entrega do espírito, bradou, com o coração humano, apesar de guardar em seu bojo a essência de ser Deus, palavras que denunciavam o  aparente abandono do Pai.

            Deus o havia abandonado? Nunca. Deus não abandona sua criação. Mas há, ainda, em operação, o poder das trevas. O fim virá, quando Jesus vencerá o império do mal. E Jesus, para levar cativo o pensamento humano a Deus, venceu o vale maior de sua vida terrena expondo medo, tristezas, angústias. O que levou o Filho Aprazível a não desistir da obra redentora?  O conhecimento do Pai. A certeza de que os céus não desistiriam de lutar pelo sucesso da salvação. E assim foi o dia em que Jesus passou pelo vale da sombra da morte não temendo a ponto de retroceder.

            Quando Davi afirma “não temerei mal algum”, a interpretação não deve ser puramente literal. Como homem, ele teve medo. Porém, como homem que lança a esperança em Deus, ele venceu o medo acima do que poderia suportar.

            Mas Deus é fiel, e não permitirás que sejais tentados além de vossas forças. (1 Co 10.13). Tiago afirma que Deus não tenta a ninguém. Portanto, é preciso tomar toda a armadura de Deus para sair do vale da escuridão e adentrar o vale de luz de vida, em Cristo Jesus.

Que em 2014, e por toda a vida transitória,  a força que há em Deus seja a única dominadora dos desejos próprios e que, acima de tudo, os vales sejam a fonte de busca por Deus.

Por Auxilandia, pastora em Cristo Jesus.

11 - 12 - 2013     

 
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