A paz que exede todo entendimento
Bem aventurado os pacificadores,
porque eles serão chamados filhos de Deus
(Mt 5:9)

       Quando recebemos Jesus como nosso Senhor, passamos do status criatura para filhos de Deus na medida em que somos transformados na própria imagem dele, de glória em glória, brilhando mais e mais até atingirmos a perfeição da luz da aurora ao meio dia. Ser filho de Deus está além de um conceito formal. Adentra a esfera de um fazer, de uma atitude que reflete no reino espiritual. Mateus afirma que aqueles que primam pela paz são chamados filhos de Deus. E aquele que semeia a contenda? Neste momento, "perde a condição de filho" até que se arrependa e volte ao Senhor com o coração contrito. Essa perda é simbólica, uma vez que o filho sempre volta para casa paterna e, mesmo caído pelo pecado da contenda, ele se levanta por meio do arrependimento, pois o sangue do Filho derramado na cruz corre em sua veia, provocando o retorno. Paulo nos ensina que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento e esse ato bondoso foi expresso, em seu clímax, pelo derramamento do sangue sacrifical de Jesus. O escritor de Provérbios nos adverte que a alma de Deus abomina a contenda. Espíritos malignos são invocados com esse comportamento desonroso aos olhos do Pai. O dicionário Aurélio conceitua paz como "ausência de conflitos entre pessoas; bom entendimento; harmonia." Somos despenseiros dos mistérios de Deus e semear a paz faz parte desta obrigação imputada divinamente aos que se tornam filhos pelo poder da conversão.

       A afirmação Deus é amor aponta para o coração da mensagem do Novo Testamento. Enquanto a santidade é explícita no Antigo, ressaltando a imagem de um Deus separado da maldade, o Novo gira em torno do amor do Deus Santo. É assim que ele se revela: a santidade dele o remete ao amor. E como devemos ter a mente de Cristo que é a expressão exata do ser de Deus, devemos amar para conquistar o padrão da santidade exigida no cristianismo. Ser pacificador é amar no padrão divino. É ter a garantia de ser filho e participar da herança dos santos. Se a veracidade da santidade de Deus é completada no conhecimento do seu amor, a nossa santidade se revela no amor que exercemos uns para com os outros. Somos santos, separados para viver na dimensão dos valores que expressam a eternidade. Semear a paz parte de uma conduta interior, que decorre do caráter transformado no ato do novo nascimento.

       "Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo." (Rm 5). Essa paz que invade o ser e excede todo entendimento é fruto da paz que semeamos no local em que Cristo nos planta, esforçando-nos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef. 4:3). Jeremias aconselhou os exilados a buscarem a paz da cidade para onde estariam sendo transportados, pois na paz do local estaria a paz de cada um, e ainda ordenou ao povo que orasse por ela ao Senhor (Jr.29:7). Ser m canal para a paz é ser bem-aventurado.

       "Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar." (Is. 48:18). Isaías estabelece o princípio para o desfruto da paz: guardar os mandamentos de Deus. Anuncia a chegada do Messias como o Príncipe da Paz, cujo reinado se estabeleceria com justiça e daria fim a toda opressão e violência, levando o seu povo a se unir na harmonia com os atributos eternos de Deus. A paz não é um esforço puramente humano, independente, é um dom de Deus e para cultivá-lo é necessário ter uma vida de oração, jejum e leitura da Palavra. Sem Jesus, nada podemos fazer. Jesus é o verbo encarnado, é a Palavra revelada em nossos corações e portanto a única fonte de nossa paz.

Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.

3 - Agosto - 2009       

 
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