Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, pôs as mãos sobre ele, e perguntou: “Estás vendo alguma coisa?” O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam”. Então Jesus voltou a por as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. (Mc 8:23-25)

 

            Cegueira é doença que assusta porque traz em si a escuridão, as trevas. Aurélio define esta palavra como “estado de quem tem a razão obscurecida, o discernimento ou o raciocínio perturbado”.

            Nos fatos narrados pelo evangelista Marcos, Jesus curou a visão de um homem com duas ações. A primeira, por meio do cuspe, o homem enxergou, mas não nitidamente, pois viu homens como árvores andantes. A partir da imposição de mãos, a visão foi restabelecida por completo.

            O que motivou duas ações para se conseguir o resultado? Há mistérios no reino espiritual sem respostas. Se o Filho de Deus, investido na missão de curar, libertar, evangelizar necessitou de estratégias diversificadas para agregar valor ao reino celeste, mais busca de ferramentas espirituais precisarão seus seguidores.

            A fórmula é tranquila: oração. Falar com o Pai Celeste e agir quando solicitado atrai as ações necessárias a uma realização espiritual. E não vem como toque de mágica. Elas acontecem como ocorreram com Jesus. Uma tentativa aqui, outra ali, até que os olhos se abram inteiramente. Não resta dúvida de que o Espírito Santo fornece a verdade para cada caso. Muitas vezes as lutas do dia a dia retiram o entendimento completo para se agir. Mas as misericórdias do Senhor, que se renovam a cada manhã, não permitem o perecimento no vale da sombra da morte. A voz de Deus ecoa nos ouvidos e de fé em fé  o sucesso se revela.

Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. (Fl 4.6)

            Enquanto a cura não vem por completo, Paulo dá a direção. Inquietude é o menos recomendado pelo apóstolo que aprendeu a viver com fartura e com escassez, com frio e com calor, com alegria e com tristeza. E em tudo ele aprendeu a ser mais que vencedor em Cristo Jesus.

Sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual é a esperança do chamado que ele vos fez, quais são as riquezas da glória da sua herança nos santos e qual é a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos. (Ef 1:18,19)

            A cruz de Cristo reflete o quanto é preciso doar atitudes em prol do reino celeste. Enxergar o serviço que faz do discípulo um servo sofredor, a exemplo do próprio Deus encarnado, é o primeiro passo no desenvolvimento da esperança do chamado que marca a  vida transitória. O supremo poder, mencionado por Paulo, e as riquezas da glória na herança nos santos pontuam a eternidade, mas deixam rastros nesta vida, em forma de livramentos, curas, alegrias que excedem todo entendimento.

            Um coração disposto a servir consegue visualizar de forma clara ao longo da caminhada cristã a vontade soberana. No início de qualquer ministério, enxerga-se ainda com obscuridade, uma vez que a salvação é processo que se desenvolve com temor e tremor. Os talentos necessários ao serviço são efetuados de ação em ação, de fé em fé. Muitas vezes a cegueira invade a vida do cristão. E não é para um desespero, ou uma parada. É para, simplesmente, lembrança de que a excelência da glória é de Deus, e não dos vasos de barros, que se quebram.

            Nos esquemas mentais elaborados pelo homem, cai-se mais que sete vezes. E é normal tanto quanto se levantar pela força que há no Senhor. O importante é enxergar a boa mão divina promovendo a proteção e abrindo os olhos do coração.

 O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois lhe são absurdas; e não pode entendê-las, pois se compreendem espiritualmente" (1 Co 2:14).

            Paulo já deixou bem claro que quando a espiritualidade diminui o entendimento fica obscuro e provoca prejuízo no reino da luz. Por essa razão, a busca por Deus deve está em primeiro lugar. Olhos abertos, corações quebrantados e mãos que realizam prodígios formam a base necessária ao cumprimento do chamado missionário. Entretanto, é preciso ver claramente o projeto de Deus e implementá-lo na terra dos viventes.             Crescer no processo de iluminação dos olhos do coração é tarefa para crentes. O deus deste século, segundo Paulo, retira o entendimento para que não resplandeça a luz do evangelho (2 Cor. 4.4). Para isso, ler e meditar nas Santas Escrituras dia após dia é tarefa que se consegue com esforço, muito esforço. Adentrar os portais eternos e trazer parte da própria eternidade ao mundo somente é possível com grande luta.

Por Auxilandia, pastora em Cristo Jesus.

22 - 01 - 2014     

 
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