Graça sobre graça



       O escritor Georg Herbert afirma que "aquele que não pode perdoar destrói a ponte que ele mesmo tem de passar." O perdão é o fruto da graça redentora e, portanto, uma virtude necessária para adentrarmos a eternidade. O salmista, com muita habilidade na escrita, personifica a graça e a verdade ilustrando o fim da guerra e a chegada da harmonia entre a humanidade. Como resultado da graça e da verdade, brotam a justiça e a paz, ambas atributos de Deus, comunicáveis ao homem. O pai misericordioso espera que seus filhos estejam preparados para perdoar as transgressões de seu próximo com a mesma abundância de graça demonstrada por ele.        Isaías, por volta de 700 a.C., fala pelo Espírito que o "efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre." Paulo nos ensina, em Romanos 3:21, que a justiça de Deus, testemunhada pela lei e pelos profetas, se manifestou mediante a fé em Jesus Cristo, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Jesus deixa claro que Deus nos perdoa na medida em que perdoamos nosso irmão. Para perdoar, e entrar na dimensão da graça, é preciso praticar o que Paulo recomenda aos irmãos de Roma (Rm12;17): "Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, o quanto depender de vós, tende paz com todos os homens." Quando nossa atitude humilde perante Deus nos leva a vencer o mal com o bem, somos capacitados a perdoar.
       W. H. Alden dá uma direção para quem quer ser livre das algemas espirituais: "Nos desertos do coração, deixe a cura jorrar. A força dessa prisão ensina o liberto a louvar." Desenvolver um comportamento compassivo e perdoador para com os outros é apresentar a Deus sacrifícios de louvor. A graça, no conceito humano, não é justa. Como perdoar atrocidades cometidas por alguém? É por isso que Jesus disse que o caminho que conduz à salvação é estreito, e poucos são os que passam por ele. Perdoar entra na esfera dos valores eternos, cuja moeda de transação é o amor, que transcende qualquer conceito e lógicas racionais. Tocamos o céu quando cremos para compreender, pois a fé está no andar superior e a razão fica sublimada pela doce melodia da confiança num Deus abençoador dos que nele esperam. O perdão também é considerado injusto no conceito humano. Mas sem exercitá-lo, como receber o perdão dos nossos erros? Os conceitos divinos são loucura para os que se perdem. Quando olhamos para alguém com as lentes da graça, percebemos nele a imagem e a semelhança do Pai, e então podemos perdoar, sem questionar se a atitude dele foi ou não justa.
       Jesus Cristo, quando voltar em glória e majestade, implantará um reinado de paz e justiça, pois somente nele a misericórdia e a verdade podem andar juntas. Até lá, pesa sobre nosso ombro a obrigação de anunciar as boas novas de salvação, que inclui o dever de crescer na graça e no conhecimento de Deus.
        "Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne." (Ez 11:19). Como o Espírito Santo já nos selou para o dia da redenção, temos a capacidade espiritual de perdoar, porque todos nós temos recebido da plenitude de Cristo e graça sobre graça (João 1:16).

Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.

17 DE AGOSTO DE 2009   

 
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