Reconstruindo muros
 
Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos (Ne 1:6)

       O nome Neemias significa O Senhor consolou. Um dos livros históricos da Bíblia Sagrada recebe este nome e narra a reconstrução dos muros de Jerusalém por volta de 444 a.C.. Naquela época, um ilustre judeu e servo do Altíssimo, Neemias, era copeiro do rei Artaxexes, da Pérsia e, mesmo exercendo um cargo importante na corte real, mostra-se interessado pela situação da cidade Santa que havia sido invadida pelo império babilônico. A essência da desumanidade, segundo escreveu George Bernard Shaw, é ser indiferente a ela. Este judeu que havia sido levado como cativeiro para servir na Pérsia, demonstra a excelência de seu caráter na oração que faz ao Deus de Israel, dia e noite, de forma não egoísta, clamando por misericórdia aos filhos de Israel.

       Chega, a cidade de Susã, um parente de Neemias e relata a situação de seus compatriotas que ficaram nas ruínas de Jerusalém. Imediatamente ele ora ao Deus do Céu, crendo que poderia enfrentar o desafio de reconstruir os muros para um recomeço. E, quando o rei percebe a tristeza em seu rosto, ele expõe a angústia de seu coração e aproveita a oportunidade para pedir o que necessitava, tendo em vista seu retorno para liderar uma grande obra de restauração. Com o apoio oficial necessário, o copeiro do rei vence, primeiro, um desafio maior: reconstruir os muros de seu coração, a partir do fortalecimento pelas orações que durante cinco meses elevou a Deus: pediu perdão pelos pecados dos filhos de Israel e se incluiu como pecador, numa atitude de humildade e reconhecimento de sua frágil humanidade. Após receber as estratégias do eterno Deus, Neemias esteve certo de que a vontade de divina estava para ser realizada na terra: um renovo da aliança feita com os israelitas, pela leitura e prática da Lei de Moisés logo depois da reforma do templo sagrado. Os levitas tomaram seu posto, os sacerdotes voltaram a exercer seu ofício e uma nova história é registrada na vida dos judeus. Em 52 dias o povo se regozijou com a conclusão da obra.

       Martinho Lutero deixou registrado para as gerações futuras: "a fé é uma confiança viva e ousada na graça de Deus." Jesus afirma que a fé viva pode mover montanhas. Mas como adquirir essa fé, mesmo que do tamanho de um grão de mostarda? A oração traz a presença do próprio Deus para o nosso ser, fazendo-nos enxergar com olhos eternos. O egoísmo, o medo, a falta de esperança e o foco nas tragédias passam a ser derrubados, iniciando, dessa forma, a reconstrução de muros interiores que nos remetem ao consolo, à esperança e à coragem de enfrentar desafios individuais e coletivos. Neemias ao se importar com a miséria de seu povo, inicia um longo período de oração, dia e noite, obtendo graça para esperar o momento oportuno de retorno a sua terra natal.

        "Ah, Senhor, Deus de nossos pais, porventura, não és tu Deus nos céus? Não és tu que dominas sobre todos os reinos dos povos? Na tua mão está a força e o poder, e não há quem te possa resistir" (2 C20:6). O servo do rei da Pérsia estava certo de que era servo, primeiramente, do Rei dos reis e não hesitou em jejuar e orar para encontrar mercê diante de seu senhor. Somente Deus poderia quebrantar o coração de Artaxexes, e levar Neemias a obter a atenção real.

       Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer o inclina (Pv 21:1). Mas, devemos nos lembrar que somente quando invocamos a Deus, ele se faz presente. Antes de qualquer decisão, Neemias invoca a seu Deus.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

3 - 12 - 2009



 
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