Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Se todos, porém, for um só membro, onde estará o corpo?”
(1º Cor 12. 17-19)

                         O dicionarista Aurélio define família como “pessoas aparentadas que vivem geralmente na mesma casa; pessoas do mesmo sangue”. Para os nascidos de novo, há uma verdade dinâmica, que transcende ao conceito racional encontrado nos dicionários, idealizada por Deus para ser vivenciada no universo dos que seguem a Cristo: família é o termômetro que indica o quanto do cristianismo há no nosso coração. Ter o mesmo sangue, ou habitar sob o mesmo teto, não é suficiente para apresentarmos a Deus frutos referentes ao relacionamento familiar no contexto cristão. Deus exige muito mais. Ele nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos. E quem é o nosso próximo mais próximo? Nosso parente. O rei Davi orou ao Soberano pedindo bênção para sua família e a proteção divina para que ela continuasse eternamente na presença de Deus (2 Sm 7:29). A primeira atitude nossa exigida pelo Senhor é a intercessão pelos parentes.

                        O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios sobre o valor de cada membro na igreja, atentando para a importância dada a todas as funções. Ele usou o corpo como figura de linguagem para clarear o entendimento. Assim como no corpo humano cada membro tem seu mérito, na igreja cada um deve ter seu reconhecimento a partir dos dons e talentos recebidos de Deus para edificação de todos. Da mesma forma, a família tem seus indivíduos dotados de habilidades que se complementam mutuamente. Contudo, tem também suas fragilidades a serem desenvolvidas. A idéia divina não foi exclusão, mas complementação. Portanto, devemos seguir o ensinamento de Paulo, em Romanos 14, que nos exorta a acolher os fracos sem discutir opinião. E quantos fracos há na nossa família? Temos intercedido para que a luz divina entre no coração endurecido ou temos nos esquivado da obrigação de viver o evangelho que nos foi confiado? Somos despenseiros dos mistérios de Deus na nossa família.

                        Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e, especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. ( I Tm 5:8). Que dura advertência! Entregar cestas básicas na igreja com parentes necessitados demonstra a incoerência na relação com Deus. O Altíssimo criou os céus e a terra com seu poder e inteligência e, por isso, requer de suas criaturas a coesão na maneira de ser. O cuidado não se restringe ao aspecto físico, mas também ao espiritual, como a liberação de uma palavra de conforto, de perdão e de outros valores eternos tão necessários para definir o caráter daquele que segue a Cristo. Não podemos quebrar princípio bíblico. Deus nos confiou pessoas que fazem parte de nosso parentesco com um propósito redentor. Ele espera que a Palavra seja praticada primeiramente com os nossos para depois fluir externamente. Jesus, ao expirar, pediu ao Pai que perdoasse seus assassinos. Temos perdoado nossos irmãos de sangue?

            Não é grande a sua maldade? Não são infindos os seus pecados? Sem motivo você exigia penhores de seus irmãos; você despojava das roupas os que quase não tinham. Você não deu água ao sedento, e reteve a comida do faminto.” (Jó 22:5-7). Muitas vezes retemos água e comida espiritual dos nossos parentes, além da física. Todavia, graças à infinita bondade do Pai, ele se levanta do alto e sublime trono e julga a causa do aflito e do necessitado e dá a segurança que tanto anseiam ( Sl 12:5). Entretanto, cobra o sangue de nossas mãos, pois muito tem nos sido entregue por sua Palavra e por orientação do Santo Espírito. Deus nos convoca a olhar para nossa família com as lentes de sua graça.

            Semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós. (Os. 10:12). A bondade eterna de Deus não nos deixa perecer no caminho da perdição. Ele nos chama a fazer o que é reto dentro de nossa casa para desfrutarmos de seu perdão e de seu eterno amor. “Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles. Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano.” (Os 14:4-5). Essa é a promessa para os que cuidam dos seus, principalmente dos de sua própria casa.

Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.

04 - 03 - 2010

 

 
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