Mas o Senhor me disse: Não digas: não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quando eu te mandar falarás (Jr 1:7)

        Quando alguém recebe um convite para assumir uma nova posição, algo acontece no íntimo que o faz sair de si mesmo, de sua estabilidade, para enfrentar o desconhecido. Nova maneira de viver, de se movimentar neste mundo torna-se necessário para se gerar um sentido à vida. Assim acontece nos chamados ministeriais do reino de Deus. O primeiro relato de uma escolha divina para sair de sua comodidade e explorar um mundo diferente, tendo no coração uma visão plantada pelo próprio Deus, foi com Abraão. A missão foi árdua, mas empreendedora. A ordem do Todo Poderoso foi: sai de tua terra, de tua parentela e vai para uma terra que te mostrarei. De ti farei uma grande nação e te abençoarei, e te engrandecerei o nome.Sê tu uma bênção!( Gn 12). Mesmo crendo que Deus o abençoaria, a condição de humanidade aflorou em momentos difíceis. Quando chegou ao Egito, teve medo, pois sua mulher era formosa e poderia ser morto, em sua imaginação. Porém, em sua caminhada regada a fraquezas e firmeza para a prática do bem e do cumprimento de seu chamado, saiu de sua geografia e passou a conhecer a si de forma aprofundada. Também foi aprendendo a conhecer o Deus que servia, por fé, e isso lhe foi imputado como justiça. A filosofia grega adverte: “Conhece-te a ti mesmo.” Isso é possível quando enfrentamos situações que estão além de nossa compreensão racional, humana. Sentimentos interiorizados são manifestos e nos remetem ao entendimento de que somos totalmente dependentes de Deus e devemos obedecer ao seu chamado.

Persuadiste-me, ó Senhor, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim (Jr 20:7)

        Abraão já era homem quando recebeu a vocação. Mas Jeremias era apenas uma criança na ocasião em que ouve uma voz inefável anunciando sua consagração para profeta às nações. O resultado do argumento do jovem profeta não convenceu o coração do soberano que reina sobre todos os tempos. É a vontade divina que prevalece, mesmo diante de nossos medos, inconstâncias, rebeldias e desobediência. Atitudes que retratam essas fraquezas não impedem que a vontade do que detém autoridade suprema seja executada. A missão de Jeremias foi tão pesada quanto à de Abraão, pois Israel vivia um período de total idolatria e rebeldia quanto aos preceitos divinos. A angústia por ele revelada refletia a iminente destruição de sua terra natal. Ficou sobrecarregado com a responsabilidade posta em seus ombros para arrancar e derribar, para destruir e arruinar e também para edificar e plantar (Jr 1:10). Mesmo angustiado, não teve outra escolha. Cumpriu seu ministério em meio a lamentações, dúvidas e sofrimentos. Permaneceu fiel ao oráculo de Deus diante das provações. Além do cenário de julgamento, o profeta relatou mensagens de esperança. Inspirado pelo Espírito, ele obteve ciência da aliança inquebrável de Deus pelo seu povo escolhido. Isso o fortalecia nos momentos cruéis que passou (foi lançado numa cisterna, passou fome, passou períodos escondidos para proteger a própria vida, enfrentou falsos profetas, foi colocado no tronco na própria casa do Senhor e passou por outras atrocidades....). Por muitas vezes se achegou ao Trono da Graça dizendo: Oh! Seu eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O meu coração desfalece de mim. (Jr 8:18).  Deus o consolava com palavras eternas, mas também o convidava a diagnosticar a realidade vivida: “ Se te fadigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão? (Jr 12:15). Da mesma forma Deus alertava Josué para que fosse forte e corajoso ao conquistar a terra prometida.

        Deus não nos deixa enganados com relação ao nosso chamado. Para Jeremias, duas visões selaram a certeza em seu coração. Ele vê uma amendoeira que floresce quando as outras árvores ainda ficam  improdutivas, significando para os judeus o anúncio da chegada da primavera, como se velasse o início da estação. Adentrando o entendimento do profeta, Deus o faz enxergar que do mesmo modo ele velaria por sua Palavra. A segunda visão mostrava uma panela a ferver vinda do norte em direção ao sul. Jeremias consegue identificar o inimigo como a Babilônia. Ao nos chamar, Deus sela um entendimento inquestionável em nosso coração. Não há como fugir. Jonas fugiu para Tarsis convicto de que estava contra a vontade divina. Mas quem prevaleceu? Não foi Jonas. Quem prevalece diante da ordem soberana? Ninguém. Deus é quem rege o universo e não o contrário.  Jeremias não viu resultado imediato de seu ministério, contudo a semente foi lançada para outros regarem, crendo que o crescimento viria do próprio Deus. De início, questionamos o chamado, como Jeremias fez, porém, uma vez tendo aceitado, tornamo-nos modelo de perseverança e vocação.

Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos. (Jr 10:23).

Que possamos entender qual a vontade de Deus para nossas vidas, porque dele somos e para ele nos movemos.

21 - 02 - 2010

 

 
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