O Senhor é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até às pontas do altar.

(Sl 119.27)

 

         Como é agradável ir a uma celebração em que há unção do Espírito, regada à alegria e a clima de festa santa! Nos tempos do Antigo Testamento, festas para promover a leitura da Palavra de Deus eram divinamente determinadas. Havia troca de presentes, comidas e muito regozijo. Os enfeites eram feitos de ramos de plantas naturais e tudo contribuía para tornar o lugar agradável à veneração ao Deus Único, que havia se manifestado de forma milagrosa ao povo hebreu. O salmista, ao escrever um cântico sobre a Torah (os cinco primeiros livros da Bíblia), convida o povo a ornamentar o local de adoração com ramos até as pontas do altar. Era necessária uma preparação tanto física quanto espiritual para conduzir o povo ao sacramento. A ideia da separação para cultuar a Deus fazia parte dos rituais de adoração dos tempos antigos.

         Os israelitas recebiam a leitura dos preceitos divinos com reverência porque sabiam que a lei, ditada pelo próprio Deus a Moisés, era específica e ao mesmo tempo genérica, era diretiva e restritiva. Era, entretanto, bondosa e solene e tão complexa quanto o Senhor que havia determinado sua observância. Por isso, não se reuniam em qualquer lugar ou de qualquer maneira. Havia uma prescrição para todo tipo de celebração das ordenanças divinas. O escritor desse salmo não consegue parar de descrever o louvor a Deus por sua misericórdia e benignidade em prover seu povo com instruções que orientavam o modo de viver em sociedade. A conduta dos hebreus deveria evidenciar o amor ao próximo dentro de um conceito vindo do próprio Deus e não do entendimento humano. Deus era a luz, e, como tal, a comunicação dos raios divinos à alma somente se realizava a partir do conhecimento verdadeiro, que promovia alargamento das tendas do raciocínio em busca da interpretação conforme o querer do Legislador Eterno, do Santo Juiz.

         “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, hoje nos fala pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas”... (Heb. 1: 1-2)

         Como anda, à luz das Escrituras, a celebração da Palavra nos nossos dias? Jesus, o Cristo de Deus, ensina-nos que já chegou a hora em que os verdadeiros adoradores o cultuarão  em espírito e em verdade, indicando que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo e ensinando que há diversidade nos serviços, porém nos mostrando que é  a unção do mesmo Espírito que opera em tudo e em todos. Nada impede, porém, que venhamos a preparar um local físico de adoração, com celebrações regadas a enfeites e a muita alegria. Porém, tudo dentro de um estabelecimento de prioridades: o que importa é a essência da pregação da Palavra e o investimento dos recursos em missões para que os ensinamentos alcance a completude da humanidade. Qual tem sido a preocupação da igreja do Senhor? O exterior se corrompe, mas o interior se renova com o passar dos anos, conforme ensina o apóstolo Paulo. Nossa atitude deve refletir o adorno do coração, em que o amor e a preocupação com os perdidos devem ser a constituição do cerne do nosso ser, da nossa existência como cooperadores do reino eterno de Jesus que, enquanto foi feito menor do que os anjos e habitou em nosso meio, dirigiu sua preocupação aos pobres, pecadores e desprezados. Evidenciou, com sua vinda ao mundo, o objetivo de trazer o remédio para os doentes, sem, contudo, necessitar de uma formosura em seu porte físico, de aceitação na sociedade, pois era desprezado e  homem de dores, mas sabia amar sem preconceitos, tornando-se  o servo sofredor que não tinha onde reclinar a cabeça. Hoje, exaltado como aquele que venceu a morte, intercede junto ao Pai pela salvação da humanidade. Riquezas materiais, para ele, não foi o foco de seu ministério, mas os tesouros e riquezas do saber e do conhecer da vontade do  Pai, que lhe enviou para uma missão dolorosa, porém gloriosa. 

         Os mistérios das entrelinhas da Palavra de Deus só sobrevêm àqueles que se disciplinam a vencer os inimigos da leitura: falta de tempo, apatia, irregularidade na agenda do dia a dia, descuido com a saúde. Esses fatores são brechas para que a busca dos valores do reino de Deus não ocupe o primeiro lugar em nossas vidas. Congregar para aprender os preceitos divinos e adorar ao que é digno de todo louvor não exige, hoje, rituais específicos, contudo a ideia do sagrado deve permanecer em nosso entendimento para não entristecermos o Espírito, que é sensível e requer um preparo espiritual para sua habitação e derramamento de unção. O dicionarista Aurélio descreve unção como a “doçura de expressão que comove”. Para nos comovermos com a atuação do Espírito, é necessário cultivar a doçura com a prática do amor a Deus e amor ao próximo.

         Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas” (Sl 118:15).

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.








28 - 04 - 2010 

 
 
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