Vê, Senhor, a minha aflição, porque o inimigo se torna insolente

(Lm 1:9)

        Chorar vem do hebraico Bakah que descreve o ato de chamar com emoções, que vão desde a tristeza até a felicidade. Todos nós já sentimos profunda tristeza ou saudade por perda, falta ou ausência de algo ou de alguém. Somos, então, levados ao choro profundo, expresso por um derramar de alma angustiada. Nesses momentos, aprendemos a lidar com o amor e a justiça de Deus em meio ao sofrimento. O profeta Jeremias, após anunciar e presenciar a destruição de Jerusalém,  mergulha num mar de lamentações e tenta extrair de seu interior a força necessária para suportar a catástrofe de sua terra natal, cultivando em sua memória o que lhe poderia trazer esperança.  Aproveitou, também, o momento para compreender a causa e avaliar as consequências da calamidade que assolou o povo judeu. Não apontou culpado e nem desistiu de clamar por socorro a quem podia livrar sua alma da angústia. Incluiu-se como pecador e incessantemente pediu misericórdia por ele e pelo povo.

        Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera e olha para o nosso opróbrio. (Lm 5).  Os israelitas, por várias gerações, desprezaram os ordenamentos divinos, mas Deus, com suas ternas misericórdias, proferiu advertências contra a opressão aos pobres, órfãos e viúvas, ao culto idólatra, a fraude nos negócios, a confiança em governos estrangeiros e a outros desvios de conduta moral, determinada na Lei de Moisés. Jeremias entendeu que o juízo divino havia chegado para corrigir essas distorções e converter o povo ao reto caminho. Porém, com o coração que ama dirigido pelo Espírito Santo, o profeta passa a se afligir com intercessões e clamores que tocaram o coração de Deus. Para o pecado, havia perdão e por isso implorou o favor do Redentor. Concluiu, em suas orações, que “foi por causa dos pecados dos seus profetas, das maldades dos seus sacerdotes que se derramou no meio dela o sangue dos justos.” (Lm 4:13). Esse mensageiro de Deus lembra ao povo a consequência da desobediência, contudo sem perder a esperança de que o Senhor reina eternamente e de geração a geração o trono dele permanece, dando-lhe, com isso, a oportunidade de iniciar nova caminhada com os dias renovados, com pureza,  sem mancha. Deus sempre está disposto a fazer o necessário para restabelecer a comunhão de seu povo. O infortúnio como instrumento de reaproximação é usado por Deus após diversas tentativas com cordas e laços de amor. Destruição não é a forma ideal divina de correção, todavia, o espírito restaurado tem mais valor que a falsa paz que nada serve na dimensão eterna. O mestre Jesus nos ensinou que os preceitos mais importantes da Lei são a fé, a misericórdia e a justiça. Quando esses elementos são escassos na vida do filho de Deus, o juízo é proferido como forma de resgate desses valores que pontuam o reino dos céus, e com amor eterno o Senhor atrai para si a alma de seus filhos, e concede oportunidade de arrependimento.

        “Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te. Num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor.” (Is. 54: 7-8).

Quem não adoraria em meio aos sofrimentos a um Deus tão bom como o nosso Senhor? Ele mesmo garante em sua Palavra que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pelo amanhecer. Por mais que o inimigo de nossa alma encontre brechas para causar destruições, mortes emocionais e físicas, o Senhor não permite que sejamos tentados além do que possamos suportar. O adversário provoca a tentação maligna e o Senhor envia o socorro necessário. ( I Cor. 10:13). A nossa atitude em meio às desventuras é clamar, entoar uma canção de lamento para relembrar a nossa insignificância face ao  glorioso poder restaurador de Deus. Dessa forma, transbordaremos para a direita e para a esquerda; a nossa posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas. (Is. 54:3). E veremos a salvação do nosso Deus, pois com ele não subsiste o mal e o amor permeia todas as suas obras.

 

Por Auxilandia, serva de Deus, pastora em Cristo.




12 - 5 - 2010 

 
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