Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto. (Sl 1.3)

O produto da terra para sustento e benefício do homem é conceituado, por Aurélio, de fruto. É também entendido como rendimento, produto, lucro. O salmista compreende o valor do homem que não se detém no conselho dos ímpios e faz uma comparação com a árvore que recebe da água o alimento necessário para produção de frutos. O resultado da semente que foi lançada apresenta múltiplas funções, que vão desde a degustação até a manipulação de remédios. Desta forma, é o caminho do justo descrito no primeiro salmo. A história judaica aponta a imagem de uma tamareira no deserto, firmemente plantada em um oásis bem irrigado como sinal de prosperidade. O profeta Jeremias utilizou essa figura para ilustrar a vida de quem crer no Deus criador. Ele afirma que “Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto”. A revelação de Deus à humanidade acontece de várias formas e em diferentes épocas. O Criador revelou-se aos israelitas no Monte Sinai quando chegou o tempo determinado para sua libertação do Egito. Desde então, inspirou homens para registrar seus atributos nas Escrituras, bem como sua lei moral.  Revelou-se, sobretudo, em seu Filho Jesus. O apóstolo Paulo registrou na carta aos gálatas que Cristo vivia nele e por isso toda criatura que o recebe apresenta mudança no caráter e passa a ser frutífero no reino de Deus. A partir do conhecimento da vontade divina pelas Escrituras e pela oração, o velho homem dá lugar ao novo, criado segundo a imagem de Deus para ser ativo no serviço cristão. Com a meditação na Palavra, cultivamos a divina semente em nossos corações. No capítulo 5 desta carta, o aposto descreve qual o fruto que deve permear as ações cotidianas: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”

         Moisés exortou o povo no deserto a servir com alegria para não perder a sua graça. A palavra hebraica para alegria expressa uma disposição do coração. Portanto, independentemente das circunstâncias, devemos nos alegrar com os feitos do Senhor, pois grandes coisas ele faz dia após dia. Nossos olhos carnais não adentram a dimensão espiritual para contemplar os livramentos e as misericórdias que se renovam a cada manhã porque as coisas do espírito se discernem espiritualmente. É necessário um envolvimento com as questões do reino de Deus para entender sua ação em nosso favor.  O amor, no conceito bíblico, é um mandamento e como tal deve ser obedecido. Não precisamos sentir algo para amar, mas devemos amar para que o sentimento que houve em Cristo ao morrer na cruz brote, após a divina semente ser regada com água purificadora, que é a Palavra. A paz tem que exceder todo entendimento e não é a que o mundo oferece, mas a que vem do Trono da Graça, que, mesmo em meio ao caos, faz produzir a certeza do socorro na mente que descansa no Senhor.  O escritor de Provérbios adverte que “quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal de sua casa”. (Pv. 17:13). Fazer o bem é cultivar o fruto do Espírito chamado bondade. O domínio próprio se manifesta à medida que a capacidade de escolha   lugar à vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável. Livre arbítrio para o servo de Deus se traduz em obedecer às ordens e aos preceitos divinos. Não há espaço para decisão sem a direção do Soberano Deus. O significado para fidelidade é constância, firmeza nas afeições, nos sentimentos; perseverança. Sem essas virtudes, é impossível gerar fruto digno de arrependimento. O que pratica a benignidade se mostra suave, brando e agradável. Jesus deu exemplo de mansidão e possuía a capacidade de ser gregário, amistoso, a ponto de juntar grande multidão para ouvir seus sermões. O salmo 18 descreve a forma como Deus age com o benigno. Ele afirma que “para com o benigno, benigno te mostras”. No versículo 26, ele descreve um Deus inflexível com o perverso. Não temos escolha. Devemos dá frutos nas estações próprias, pois, se pedirmos, o Senhor nos concede sabedoria e nos reveste de força para aperfeiçoarmos nosso caminho. “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças.” (Ef. 5:3).  Paulo adverte aos efésios que o fruto da luz consiste em toda bondade e justiça, e verdade. Para os nascidos da água e do Espírito, não há terra fértil para tais obras, mas a germinação deve resultar numa imensa árvore que dê fruto, sombra e funcione como abrigo e bênção.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

19 - 05 2010

 
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