Então, disse Hilquias ao escrivão Safã: Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor.

 (2 Cr 34:15)

         Os povos primitivos não possuíam um código de leis como se processa nos dias de hoje. No Brasil, temos a Constituição Federal, os Códigos, as Leis Ordinárias e outros ordenamentos jurídicos que regem a vida em sociedade. Na antiguidade, cada povo possuía sua lei de forma oral e poucos catalogavam os preceitos. Mas os hebreus receberam do próprio Deus as orientações divinas quando saíram do Egito e toda ordenança foi escrita por Moisés. No Monte Horebe, os estatutos pelos quais o povo seria governado por juízes foram preservados em pergaminhos que séculos depois se transformaram nas Sagradas Escrituras.  

         Por volta de 624 a.C., o Livro da Lei foi encontrado na Casa de Deus. O que fez o povo esquecer-se dos preceitos que norteavam suas vidas? Vários reis, depois de Davi, subiram ao Trono com interesses egoístas e abandonaram a Lei divina escrita por Moisés. Na época em que o rei Josias assumiu o governo do povo hebreu, já não se fazia menção deste sagrado Livro. O próprio Deus cuidou em preservar os escritos durante o longo período de opressão religiosa sob o domínio de Manassés e outros reis, cujo caminho não foi reto. A descoberta deste precioso Livro por Hilquias inicia uma grande reforma religiosa com avivamento para Israel. Josias elege Jerusalém como o centro de adoração ao Deus único. Após ouvir a leitura da Lei, o rei compreende que havia negligenciado, juntamente com seu povo, os mandamentos divinos. Conduziu, dessa forma, o povo a seguir fielmente as Escrituras. Josias fez uma limpeza de todas as abominações no meio da cidade santa e ordenou a colocação da Arca do Testemunho no Templo, retirando os ídolos pagãos. Um renovo da aliança marcou o novo tempo no reinado de Josias. Um tempo de busca a Deus por meio do conhecimento da Lei do Senhor.

         Há quanto tempo não estudamos as Escrituras? Nossa leitura tem sido superficial? Transgredir vem do hebraico MA’AL e significa quebrar a aliança. Quando não meditamos no Livro da Lei do Senhor, tornamo-nos infiéis, e perdemos as armas para lutar contra o caos moral e espiritual. Assim, perdemos o interesse de interceder pelo nosso próximo, visto que a oração sem base bíblica pode se tornar abominação diante dos olhos do reto juiz. Josias, após descobrir os registros divinos, intercede pelo povo em arrependimento e postura de humildade. Ele sabia que a oração era o catalisador da restauração e do renascimento do futuro de Israel. Mas como oraria sem conhecer a bússola de sua intervenção a Deus por sua nação? Só conseguiu elevar orações direcionadas na vontade de Deus por meio do conhecimento do Livro da Lei do Senhor.

         O rei Josias não deixou de fazer as reformas durante as circunstâncias adversas. Teve como foco a mão do Todo Poderoso que o susteve para seu fortalecimento. Sem Jesus, nada podemos fazer, pois nenhuma força há em nosso ser que não derive do Trono da Graça. Esperar ter uma situação confortante para buscar o Senhor é transgredir o mandamento bíblico. O salmista expressou convicto de que necessitava de orientação por meio das Escrituras: “Abro a boca e aspiro, porque anelo todos os teus mandamentos.” (Sl 119:3). Para pensar dessa forma, ele conhecia os preceitos divinos por meio do conhecimento do Livro da Lei. Mas ele não apenas lia, como orava implorando o entendimento: “Dá-me o entendimento, e guardarei a tua lei; de todo o coração a cumprirei”. (Sl. 119:34). Sem a presença do Espírito Santo não podemos compreender as entrelinhas da Palavra, uma vez que as coisas do Espírito se discernem espiritualmente. O apóstolo Paulo não perdeu a visão de seu ministério, baseado na oração, no jejum e na pregação da Palavra. Para ele, distribuir alimentos, envolver-se em serviços que retiravam a oportunidade de conhecer o Senhor para, então, ensinar com entendimento espiritual não era a essência de seu chamado. Era preciso dedicação para viver a Lei do Senhor de maneira justa, reta e assim transmitir conhecimento que brotavam do próprio Espírito Santo.

         A Bíblia é o livro da Lei para a geração que busca a face de Deus. Mas como aplicá-la ao nosso povo, de cultura tão diferente e aspectos geográficos, históricos e conceituais que extrapolam o modo de viver dos povos primitivos? A forma da Palavra não deve ser aplicada, quando choca com valores culturais, que não agridem o comando divino. O conteúdo, sim, deve ser preservado, pois se trata de princípios sublimes, sobrenaturais que se perpetuam de geração a geração. A lei moral vinda de Deus é eterna e se enquadra em toda cultura, em toda legislação humana elaborada de forma justa, reta e voltada para o bem comum. A lei em forma de ordenança varia de acordo com a época, com a nação e com a história de um povo. Assim nos ensina o escritor de Hebreus em seu primeiro capítulo: “Havendo, Deus, outrora, falado, muitas vezes de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho.” Ensina, também, que Jesus cumpriu toda lei em forma de ordenanças, permanecendo a lei moral em sua essência.

O fim de toda lei, como explicou o mestre dos mestres, Jesus, é o amor ao próximo. Interpretar versículo bíblico fora do contexto que remete ao amor é negligenciar os aspectos importantes de uma legislação puramente divina: a fé, o amor e a misericórdia. Até o tempo gasto em uma pregação pode burlar o amor e a misericórdia, trazendo consequências graves para quem ouve, posto que a mente humana é limitada para processar informações. Tudo deve ser feito sem excessos, com decência e ordem para que os mandamentos não se tornem penosos. Jesus censurou os escribas e fariseus (entendidos na Lei do Senhor), pois faziam todas as suas obras a fim de serem vistos pelos homens. Para isso, amavam os primeiros lugares, atavam fardos pesados sobre os ombros dos homens, gostavam de serem chamados mestres e guias. A resposta do Cristo para eles foi: “Ai, de vós, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!” (Mt 23:14).  Hoje, presenciamos não só longas orações, como longas pregações, longos cultos, tudo desprovido da interpretação fiel da Palavra.

Josias buscou do Senhor a interpretação do que estava escrito e fez a mudança religiosa e civil  depois de orar ao Senhor.

         Eterna é a justiça dos teus testemunhos; dá-me a inteligência dela e viverei.” (Sm 119:144). Que o Senhor nos conduza a estudar a sua Palavra para que a inteligência vinda de Deus nos leve a uma aplicação justa, correta e amável da Lei do Senhor, que é pura e restaura a alma.

  

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

26 - 05 - 2010

 

 
 
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