Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da vida?
(Lc 12:25)

 

         Corrie Tem Boom escreveu que “a preocupação não livra o dia de amanhã das aflições; apenas rouba do dia de hoje sua força”. Boom refletiu sobre os cuidados diários que retiram de nossa mente o descanso no Senhor e concluiu que não vale perder a calma. É preciso diluir as preocupações na mente. O comando bíblico revela que a nossa força é pequena no dia da adversidade quando nos mostramos fracos. Por essa razão, o salmista nos convoca a erguer os olhos e buscar o socorro do Trono da Graça. É do céu que vem o consolo, a esperança, a certeza de que há um Deus onipresente e onisciente que tem cuidado de nós. A criação denuncia a força que emana de Deus e que mantém em perfeita ordem as coisas que foram criadas, revelando a provisão necessária para dissipar toda preocupação. Portanto, há remédio espiritual para a ansiedade.

         Nossos dias já estão contados, e mesmo em meio a aflições e a angústias, há a alegria que invade o ser de quem conhece a plenitude de Deus. O conhecimento que o Todo Poderoso tem do futuro vai além das limitações temporais do ser humano. O tempo e o espaço certamente limitam nosso conhecimento, semeando incertezas e dúvidas quanto ao dia de amanhã. Assim como o presente está diante de nossos olhos, o futuro está diante daquele que tem o poder de cortar o mal que se projeta contra nossa paz. Mas como saber qual o curso de nossa vida e encontrar descanso para nossa alma? Buscando saber qual a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nossa caminhada. Ser dependente do Espírito Santo é confiar na proteção de Deus e lançar sobre ele toda ansiedade. É preciso ter dinâmica espiritual, pois a forma como vencemos uma batalha ontem não nos garante a vitória hoje. O tempo investido em jejum, oração e estudo da Palavra deve ser crescente a cada dia, tendo como foco o alimento sólido, que torna a mente do adulto apta a discernir o bem e o mal ( Hb 5:14). Assim, a confiança ganha dimensão necessária para nos voltar ao que é eterno, e dissipar o que é terreno, trazendo a tranqüilidade desejada. 

         Porque assim me disse o Senhor: Olhando da minha morada, estarei calmo como o ardor quieto do sol resplandecente, como a nuvem do orvalho no calor da sega.” (Is. 18:4). O profeta Isaías retrata a imagem de um Deus sereno, cuja fidelidade vai além das nuvens e ultrapassa o céu dos céus. E como devemos ser perfeito como perfeito é nosso Deus, a ideia de passividade deve permear nossos pensamentos para que a ansiedade seja substituída pela fé no Deus invisível, porém real. Em tese, tudo é possível, mas na prática há algo  a ser feito. O reino do céu é tomado por esforço e o conhecimento de Deus vem por uma busca incessante. O profeta Jeremias fala pelo Espírito de Deus: “Invoca-me e te responderei e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes.” (Jr 33:3).  Encontrar a paz que dissipa a ansiedade é entender o chamado de Deus, a vocação que ele nos comissionou. Para tanto, é preciso invocar o seu nome e mergulhar no amor expresso em Jesus, em quem reside toda plenitude divina. “De todas as famílias da terra, somente a vós outros vos escolhi” (Am 3:2). Amós lembra a eleição de Deus pelo povo escolhido que trouxe ao mundo os oráculos divinos. Isso implica mais responsabilidade em vencermos o mal de cada dia, pois somos descendência espiritual de Israel e temos a obrigação que pesa em nossos ombros como despenseiros dos mistérios de Deus. Transmitir confiança faz parte do ministério que somos responsáveis. Não somente aquele ordenado por mãos humanas, mas o serviço que nos está proposto: amar o próximo com atitudes de doação, de apresentar uma postura confiante em Deus e contagiar o ambiente de esperança, mesmo diante de um cenário hostil.

         Jesus lança uma pergunta que faz a multidão alargar as tendas do pensamento e fincar bem as estacas do raciocínio: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da vida?” Na língua inglesa, preocupação deriva de uma palavra que significa estrangular. Verdadeiramente nos sentimos sufocados quando tentamos acrescentar ou diminuir o tempo de nossa vida. Só Deus é atemporal. Estamos limitados a uma intervenção divina no curso de nossa jornada terrena. A glória de Deus, mais resplandecente que a luz mais brilhante, será nossa retaguarda quando nossa confiança for depositada em suas mãos provedoras. A atitude de depositar é expressa pela oração, pois “A luz difunde-se para o justo, e a alegria, para os retos de coração.” (Sl 98:11).

      A ansiedade é tratada por Deus com o remédio do consolo: “Porque a minha mão fez todas essas coisas, e todas vieram a existir, diz o senhor, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.” (Is 66:2)

 Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

3 - 6 - 2010

 
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