A graça salvadora e os conflitos internos





        

Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita. Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra. (Jr 4.19)

       O profeta Jeremias, por volta de 600 a.C., recebe uma divina revelação de que a cidade de Jerusalém seria invadida pelo império babilônico. Como ficou o coração do vidente diante de uma notícia assim? O pensamento divagou em meio a cenas de morte, devastação, crueldade e opressão provocadas por um povo de língua estranha, cuja fama era a de que rasgava mulheres grávidas ao meio e não se compadecia dos velhos e crianças indefesas. Mas a realidade foi posta diante dos olhos espirituais para que Jeremias intercedesse pelo povo e ficasse preparado para o que estava por vir, pois, como parte da nação, seria afetado pelo sofrimento de seu povo. No Oriente Médio, o coração era considerado o órgão receptor dos sentimentos e das emoções. Jeremias sentiu a dor de sua alma, representada por esse pequeno órgão, e fez uma poesia melancólica, descrevendo a agitação que invadia as paredes de seu coração  e irradiava em seus ouvidos como som de guerra. Naquela época, as batalhas eram anunciadas por trombetas e muito grito. Esse texto registra o profundo conflito interno que o levou aos gemidos mesclados com dores. O povo de sua terra havia quebrado a aliança com Deus e era chegado o juízo. Um céu de bronze estava por vir sobre a nação. Mesmo compreendendo a causa da invasão estrangeira, Jeremias não acusa seu povo, mas se coloca como pecador e intercede com sofrimentos e lamentações. Ele sabia que um dos atributos eternos de Deus, o amor, estaria em evidência no momento da correção dos caminhos dos rebeldes. Esse Deus não deseja alcançar um padrão de amor pelo seu povo amado, pois conhece a fragilidade humana e a impossibilidade dessa ocorrência, mas almeja doar um amor que vai além de nosso entendimento.

Como um Deus que ama  permitiria uma destruição para corrigir um povo? Essa pergunta permeou a mente de Jeremias, e chega a nossa, nos dias de hoje. Entretanto, o único que tem conhecimento do futuro sabe que direcionar a adoração a deuses pagãos era um pecado que refletiria na eternidade e traria prejuízos irreparáveis ao espírito humano. Era preciso voltar a cultuar o Santo de Israel para o bem de todos. Ao se invocar demônios, com nomes de Baal, Astarote, Dagom e outros deuses  do Oriente Médio da antiguidade, a terra se enchia de maldade e o resultado era a degradação da ordem criadora de Deus. A terra recebia sangue de inocentes, os juízes pervertiam o direito e a medida da longanimidade divina chegava ao limite. Uma correção drástica era o remédio para evitar a destruição da linhagem de Davi, da qual viria o Messias com a missão de resgatar a humanidade perdida.

Pois ouço uma voz, como de parturiente, uma angústia como da primípara em suas dores; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as mãos, dizendo: Ai de mim agora! Porque a minha alma desfalece por causa dos assassinos!” (Jr 4:31)

O mal causado pelos invocadores dos deuses das trevas atingem nossa vida, nossa família, nossa cidade, nosso universo. É por isso que Jesus nos ordenou a pregar o evangelho a toda criatura, para que a maldade dos assassinos seja reduzida. Quantas crianças vítimas de pedofilia, e quantas adolescentes vítimas de estupro! Assistir às notícias, hoje, gera medo e insegurança.  Contudo, nos remete a ideia de intercedermos pela libertação dos escravos do reino das trevas. Eles precisam ser transportados para o reino do amor do Filho de Deus, que morreu por todos, sem exceção. Ele veio para os doentes, e, quem são os enfermos, senão os que praticam a maldade? Para eles, senão intercedermos, o juízo virá e não tardará, porque manhã após manhã o juiz de toda terra se levanta para fazer justiça, mesmo que nossos olhos carnais não contemplem seu santo agir, pois ele afirma: “Não temereis a mim? Não tremereis diante de mim, que pus a areia  para limite do mar, limite perpétuo que ele não traspassará? Ainda que levante suas ondas, não prevalecerão; ainda que bramem, não o traspassarão.” (Jr 5:22)        

         É nosso dever gemer com súplicas e orações pela destruição da terra, pois justos e injustos padecem da mesma forma. O sol nasce para todos. É responsabilidade dos que estão na luz  anunciar as boas novas e proclamar a libertação. Jesus, o cordeiro que tira o pecado do mundo, intercede pela salvação e conta com os eleitos para o ministério de resgate dos perdidos. As estatísticas sociais revelam que em cada família há um desajustado emocionalmente e com potencial para causar  males para a sociedade. Se cada família cuidar de seus membros, o mal será erradicado e o resultado será paz. Doar-se em prol do bem não é tarefa fácil. Requer seriedade, compromisso, responsabilidade e muitas vezes não dispomos dessas atitudes por desconhecermos as consequências dos atos dos ímpios. A Bíblia garante que eles são mais hábeis que os filhos da luz, e quando a guerra, a fome, a morte e a crueldade invade nosso reduto, perguntamos: Onde está Deus? Mas não buscamos conhecer o agir divino por meio das Escrituras Sagradas. Gastamos nosso tempo com programas televisivos que depõem contra a santidade de Deus e não investimos tempo em intercessão e leitura da Palavra para termos um só pensamento e um só parecer. Quando nos reunimos para guerrear no mundo do Espírito, não conseguimos ter a concentração necessária na adoração a Deus, que é uma arma poderosa contra as hostes da maldade. Ao meditarmos nos livros proféticos, nosso coração palpita diante de  tantos horrores, mas esquecemos que os sacerdotes, que detinham o conhecimento que evitaria essa situação humilhante, não instruíram o povo,  e a destruição chegou sem detença.

“Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.” (Hb 5:14). Aqueles que já passaram da fase do leite espiritual conseguem enxergar a seriedade que a luta espiritual exige para desfazer as obras malignas. Isso porque o Senhor já deu oportunidade de discernir, pela vivência, o bem e o mal. Não é tempo de brincadeiras, mas de entender que o mundo caminha para a maldade, como prevê a Bíblia, e nosso dever, como despenseiros dos mistérios de Deus, é se comover pelo mal que assola a humanidade e clamar pela misericórdia numa postura madura e responsável.

Jesus disse aos discípulos: “Não vim trazer paz, mas espada”. Em que sentido? Quando há divergência na aplicação das armas espirituais colocadas em nosso favor para vencer as astutas ciladas do diabo, há desunião, e a batalha é vencida pelos mais hábeis. Que possamos ter conhecimento da seriedade que envolve o reino do espírito, conforme Paulo nos advertiu: “atentem para as coisas invisíveis, porque são eternas.”

16 - 06 2010






Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.
 
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