“Porque todos os povos andam, cada um em nome de seu deus; mas, quanto a nós, andaremos em o nome do Senhor, nosso Deus, para todo o sempre.” (Mq 4:5)

 

         Nome, conforme Aurélio, é a “palavra com que se designa pessoa, animal ou coisa.” É, também,  palavra que exprime uma qualidade ou característica descritiva de pessoa, ou coisa.” E o nome de Deus, quem o deu? Emil Brunner, um renomado teólogo do Século XX, afirmou que “Deus não é um objeto que o homem possa manipular mediante seu próprio raciocínio. Ele é um mistério que habita nas profundezas da luz inacessível.”  

Qual o teu nome, para que quando se cumprir a profecia te honremos? Por que perguntas assim pelo meu nome, que é maravilhoso? E o Anjo do Senhor se houve maravilhosamente.” (Jz 13:17 a 19). Esse diálogo entre Manoá, pai de Sansão, e o Anjo do Senhor,  leva-nos ao entendimento de que não podemos comparar Deus com nenhum objeto ou pessoa que pertencem ao nosso mundo racional. É por essa razão que Deus ordenou a Moisés a instruir o povo a não fazer imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas embaixo da terra (Ex. 20:4). Deus está acima de qualquer definição ou nome terreno. Ele se apresentou no Monte Sinai para Moisés como “EU SOU O QUE SOU” (Ex. 3:14). A natureza divina é indescritível. Entretanto, esse mesmo Deus que habita o alto e sublime trono celeste está tão perto de suas criaturas como o calor do sol resplandecente ou o como a nuvem do orvalho no calor da sega. Mesmo inatingível, ele habita em nosso ser, como um selo imanente. Não importando qual seja o seu nome, damos a ele honras  com nossa atitude santa, consagrada. Ele, mesmo misterioso, revela-se a nós com seu eterno amor. Sua presença é sentida por meio de seu doce Espírito, que nos guia por um vivo e reto caminho.

Para Abraão, Deus se apresentou como o escudo protetor e foi chamado por Senhor, Deus Altíssimo. Jacó, ao chegar a Siquém, são e salvo, após reconciliar-se com Esaú, levantou  um altar e chamou-lhe Deus, o Deus de Israel. Na antiguidade, a veneração a vários deuses dominou o cenário religioso. Era necessário distinguir o Deus verdadeiro das imagens criadas por mãos humanas e tidas como divinas. Por isso, o nome mais comum para Deus no Antigo Testamento é Senhor, que vem do hebraico YAHWEH. Este foi o nome aceito entre os hebreus, pois carregava em seu significado a natureza divina de governar, mandar, gerir o universo com a destra fiel e poderosa. Ter um nome nos leva à dimensão da pessoalidade, da individualidade. Deus é infinito, porém pessoal, que se importa com sua criação de maneira peculiar e lhe proporciona provisão de forma a atender a necessidade de cada povo, tribo e nação, respeitando sua cultura e seu conhecimento limitado acerca das coisas espirituais.

         O profeta Miquéias adverte o povo, por volta de 752 a.C., a endireitar as veredas tortuosas, e a se lembrar de  que era chamado pelo nome de Deus. O Deus de Israel não poderia ser visto pelas nações como o Senhor de um povo rebelde, que sacrificava seus filhos a deuses pagãos, adulterava, praticava furtos, matava por um par de sandálias e ainda torcia o direito nos tribunais. O povo carregava o nome do Santo de Israel e teria que ser luz do mundo. O profeta, em seu oráculo, profere frases, utilizando-se de recurso literário como o jogo de palavra com o nome das cidades de Judá. O mundo judaico estava em completa confusão, longe de cumprir Aliança de retidão. Safir, a cidade que significa bela, teve o nome mudado para Envergonhada. Jerusalém, que simboliza paz, receberia o nome de Tumultuada. Laquis, que era tida como a cidade de animais ligeiros, seria chamada de a cidade que foge em seus cavalos. Toda essa mudança apresentou como causa a adoração a deuses pagãos que o conduziu ao pecado. Oséias foi mais longe que Miquéias. Descreveu Israel como a esposa infiel a seu marido. Toda infidelidade traz graves consequências, como cobiça, violência, opressão, engano e atritos familiares. A resposta da deslealdade espiritual ao envergonhar o nome de Deus é aborrecer o bem e amar o mal, algo que é contrário aos valores santos que permeiam a eternidade.

         E quanto a nossas vidas? Temos honrado o nome de nosso Deus no meio em que vivemos? Que atitudes retratam que somos servos de um Senhor justo, puro e santo? Padrões de um mundo que prima pelo egoísmo, individualidade e pelo egocentrismo não devem comandar nosso viver.  A palavra hebraica para compaixão  (HAHAM) significa amar desde o ventre, e descreve o amor terno de uma mãe por seu filho indefeso. Dessa forma, foi descrito o  amor de Deus no Antigo Testamento como o de um Pai que se compadece de seus filhos. Andar em o nome do Senhor, para Miquéias, é carregar dentro do ser a compaixão que remete ao amor no padrão divino. Quando Deus revelou seu caráter pelo seu nome a Moisés, ele se apresentou como Jeová, o Senhor Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e em verdade (Ex. 34.6)

         Quem ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.” (Mq 7:18).

         No centro do Novo Testamento está o nome que é acima de todos os nomes: Jesus, o cordeiro que tira o pecado do mundo, a expressão maior do amor de Deus. Os discípulos invocaram o nome de Jesus e o chamaram de Senhor. Essa é a ideia do nome do Filho, o Deus encarnado, que conduz os que creem em seu nome à salvação da alma. Ele é o Emannuel no qual Deus se faz presente, reconciliando o mundo e não imputando aos homens as suas transgressões (2 Co 5:19). O nome sobre todo nome nos mostra quem é o Pai, pois ele está no Pai e o Pai nele (Jo 14:9). Se reconhecemos  Jesus como Filho ressurreto de Deus, recebemos o próprio Deus e trilhamos pelo estreito caminho que conduz à vida eterna doada na cruz do calvário. Paulo afirmou aos filipenses que era necessário  ser achado em Cristo para não ter justiça própria, e sim a que procede de Deus, baseada na fé para, então, conhecer a Jesus, bem como o poder de sua ressurreição. (Fl. 3:9).

         O Senhor Deus dos Exércitos, o Senhor é o seu nome; converte-te a teu Deus, guarda o amor e o juízo e no teu Deus espera sempre.” (Os. 12:5).

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

14 - 07 - 2010

 
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