“Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!”(Is 5:21)

Emil Brunner escreveu que o “verdadeiro bem querer é o santo desejo, isto é, a vontade que é totalmente controlada pela vontade de Deus.” Querer bem ao próximo é um imperativo bíblico e não uma opção. Mas, promover essa virtude, que é fruto do Espírito, exige conhecimento das Escrituras, visto que nelas temos a direção da prática do amor ao próximo. O nosso modo de pensar, de julgar não deve ser base para formulação de conceitos, pois nossas justiças são tidas como trapos de imundícias diante do eterno magistrado. A sabedoria humana desprovida da direção divina faz surgir heresias destruidoras. Isaías, divinamente inspirado, profere oráculo que leva o povo israelita a buscar o entendimento que vem do alto e a entender que a ira de Deus difere da demonstrada por seres humanos. Prudência é a qualidade daquele que evita tudo que é fonte de erro ou engano, e busca na Palavra de Deus a verdade para formar seus valores e estabelecer princípios que o impedirão de sofrer os “ais” anunciados profeticamente. Ser sábio aos próprios olhos é deixar a vingança para o Deus que se ira a partir de um caráter justo e reto, e por essa razão o fruto de sua ira é paz e  correção dos erros e da perversidade dos homens.

            Quantas vezes nos sentimos irados, com a raiz da amargura que brota do coração e contamina os que estão ao nosso redor? A estrutura humana que é frágil nos leva a isso. Paulo se viu nessa situação e declarou: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo” (Rm 7:18). Jesus, como homem, entendeu que a natureza humana é inclinada ao mal, por isso jejuou quarenta dias, antes de começar seu ministério, e inundou o céu com suas orações, a sós, nos montes de Israel. Ele, que era filho da eternidade, sentiu em sua carne, a necessidade de buscar o bem que está no Pai das Luzes e não confiou em sua sabedoria de Jesus Homem, mas elegeu o Espírito Santo como seu condutor, como aquele que lhe dizia o que fazer em cada situação. Paulo expressou: “porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.” (Rm 7:19). Ser prudente aos próprios olhos  é esquecer que sem Jesus nada podemos fazer. E ter Jesus é buscá-lo em postura de humilhação no jejum, nas orações e na meditação das Escrituras. Esses são os conceitos que devem permear nosso dia a dia. O apóstolo, que abdicou de sua sabedoria, entendeu que sem a oração, sem as Escrituras e sem o jejum, o bem estaria longe de ser por ele praticado. Essas três simples armas, todavia poderosas em Deus para quebrar argumento aparentemente válido e destruir fortalezas malignas, sendo manejadas, levam-nos a fazer o bem que escolhemos e que por nós mesmos conseguimos fazemos. “O povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento,” profetizou Oséias por volta de 782 a.C. (Os.3:6).  Os sacerdotes que deveriam deter o conhecimento para que o povo se fortalecesse e dominasse a carne, rejeitaram essa ciência quando decidiram não  estudar a Lei de Deus. Na Bíblia não há contradição, mas complementaridade. Quando Jesus disse aos discípulos que deveriam vigiar e orar, ele não estabeleceu a ordem dessas atitudes, uma vez que regras de semânticas nos levam a interpretar o texto como inalterado o sentido se trocarmos a ordem para orar e vigiar. Estão no mesmo campo semântico, mesmo com a alteração da ordem das palavras.  Entretanto, na dimensão espiritual, uma infinita divergência é encontrada. Quando tentamos vigiar sem orar antes, o que impera é a sabedoria humana, pois buscaremos respostas naturais para questões espirituais, que são discernidas não de forma racional. Paulo disse que a nossa luta é contra as coisas que não se veem. Ele não disse algumas das nossas lutas, mas todas as nossas lutas. É por isso que Jesus via má intenção nas perguntas aparentemente inocentes dos fariseus e escribas. Por que ele tinha visão de águia e concluía que as hostes da maldade estavam por trás das atitudes dos hipócritas? Porque ele vigiava? Para vigiar é necessário ter o comando do espírito, ordenando: faça isso, não faça aquilo, não abra a boca, abra a boca. Isso é vigiar. É sair da esfera do natural e ouvir a voz do espírito dizendo qual o caminho a seguir, qual a decisão a tomar. Jesus não julgava pelo que via ou ouvia, mas pelo comando do Pai em seu coração, que foi selado pelo Espírito em forma de pomba, ao ser batizado por João Batista.

            Quando formulamos conceitos sem levar uma vida de oração, que nos leva a não vigiar, posto que sem comunhão com o Deus trino  não há vigilância, caímos nos ais do profeta Isaías. Tornamo-nos sábios aos nossos próprios olhos e geramos a ira humana que não produz a justiça de Deus. Você já fez um mal, querendo fazer o bem e ouviu alguém dizer: você devia ter vigiado.....? Um bom conselheiro diria: você deve escolher conscientemente orar sem cessar para que a vigilância faça parte de sua vida, pois sem Jesus nada podemos fazer, inclusive vigiar. E temos Jesus por meio da oração, que nos faz andar em ritmos eternos e traz a vontade de Deus para nosso ser. A única escolha que temos é obedecer ou desobedecer às Escrituras, que é o Deus revelado e compreendido em oração. Quando optamos em praticá-la, o Espírito rege nossa vida como um vento que sopra onde quer. Quando escolhemos não obedecer, somos guiados pelo príncipe da potestade do ar e somos tidos como filhos da desobediência. O livre arbítrio tão defendido pela humanidade não encontra tanto respaldo assim na Bíblia. Se não temos vontade própria, mas a de Deus, o campo de escolha de nossas ações nos limita a conhecer o desejo soberano e a nos pautar por ele. Não é mais o que pensamos, sabemos ou decidimos que nos transportam à prudência como a da serpente e à simplicidade como a das pombas, mas o querer  e o efetuar de Deus em nosso coração.Vale submetermos à vontade soberana e abolir nosso livre arbítrio em prol do reino celeste? Sim, uma vez que a presença de Deus garante proteção, livramento e desvio do furor da ira divina contra a impiedade.

            O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.”(Sf 3:17).  Essa é uma das promessas para os que confiam no Senhor e faz da força divina sua sabedoria. Não devemos nos colocar em posição de culpa quando falhamos, mas encorajarmos por ter o próprio Espírito nos conduzindo a toda verdade, a partir do arrependimento. Ao reformularmos nossas ideias, que possamos ter como base a Palavra de Deus. Valores mundanos são contrários aos princípios eternos. A santidade de Jesus fundia-se em seu amor e era notória aos olhos dos entendidos da Lei, por isso a ira contra ele ao propagar o evangelho de libertação, a ponto de ser conduzido à morte de cruz. Estarmos separados da maldade do mundo é amar ao próximo no padrão divino, como fez o Filho que anulou sua vontade para trazer salvação, alegria e regozijo aos que o buscam.

 Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

21 - 07 - 2010

 
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