Não te mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.” (Js 1:9)

 

                   O livro de Josué narra a história dos israelitas desde a conquista inicial das cidades próximas ao deserto em que permaneceram por quarenta anos até a divisão final da terra entre as doze tribos. De 1250 a 1150 a.C. esse povo guerreiro possuiu um general divino a frente das batalhas e adentrou a terra que manava leite e mel, edificando cidades em meio a desafios de obediência aos mandamentos ditados por Moisés . Nas entrelinhas deste livro, percebemos o cumprimento fiel das promessas divinas feitas a Abraão numa aliança inquebrável por parte daquele que não pode negar a si mesmo. Ficou constatado, portanto, que a nossa infidelidade não anula a lealdade daquele que É, que ERA e que há de SER. A promessa de conquista desta terra pelos descendentes de Jacó, neto de Abraão, demonstrou cumprimento do repouso divino proferido antes de serem afligidos no Egito, onde habitava  um povo soberbo e que adorava deuses pagãos em total afronta ao Deus criador. Josué foi o líder escolhido por Deus para guiar o povo nessa trajetória. Foi necessário um discurso de encorajamento e garantia da presença da glória de Deus para que este homem não largasse o comando. Moisés, ao impor as mãos, invocou o espírito de sabedoria sobre Josué, de forma que o povo lhe deu ouvidos. (Dt 34:9). “Não te mandei eu?” Foi a pergunta que o próprio Deus utilizou para levar Josué à reflexão de que a soberania divina é exercida em meio à misericórdia, ao amor, e ao estímulo ao cumprimento da Lei. O sucesso dependeria da obediência na meditação da Lei dia e noite, e do cuidado em cumpri-la. A submissão à vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável pontuaria a vitória. O esforço de Josué não era no campo físico, pois a estratégia da peleja de Israel vinha da parte do Senhor  (Js 23:3). Tão somente Josué deveria está atento à voz do Espírito Santo que o conduziria a realizar o desejo divino.

“O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice.”
(Sl 15:5)

O salmista Davi entendeu que nada herdado neste mundo se compara a presença de Deus no coração. Ele é a alegria, o presente, a propriedade maior que podemos ter, pois a terra e toda sua plenitude é dele e um dia herdaremos, com Jesus, o novo céu e a nova terra recriados por Deus. A palavra herança aparece em Gêneses com o significado de posse (Nachalah) e está ligada às promessas de Deus, especialmente àquelas ligadas à transmissão da terra prometida. Deus fixou os limites da terra de Canaã e prometeu a Abraão entregá-la aos israelitas (Gn 13:14-17). Entretanto, para nós, o conceito de herança transcende a simples associação com bens materiais, mas alcança a dimensão do relacionamento com Deus que nos cumula de benefícios dia após dia. O repouso dos israelitas estava na posse da terra tão esperada. O nosso descanso está na libertação da ansiedade e do conflito interno causado pelas lutas diárias que o inimigo de nossa alma trava no campo espiritual e com reflexo no físico. Para tanto, é necessário uma vida regular na presença de Deus por meio de orações, leitura das Escrituras e jejuns. Ir à igreja não significa estar em comunhão com o Trono da Graça. O devocional é a ponte que conduz ao vivo e reto caminho. Josué, ao envelhecer, despede do povo, fazendo a seguinte advertência: “Quando violardes a aliança que o Senhor, vosso Deus, vos ordenou, e fordes, e servirdes a outros deuses, e o adorardes, então, a ira do Senhor se acenderá sobre vós, e logo perecereis na boa terra que vos deu.” (Js 23:16). O perigo de abandonarmos a busca diária é a invasão dos inimigos na terra fértil do nosso coração. As artimanhas do maligno começam com a sugestão de quebra da aliança com Deus. Violamos o pacto quando subimos em nosso salto espiritual e entendemos que já não precisamos buscar a face do Senhor como quando estamos para conquistar uma vitória. Adentramos a terra prometida pela fidelidade do Senhor e pela força por ele concedida. Todavia,  atribuímos a glória ao nosso merecimento e não a ele. Tudo que temos ou somos vem do Senhor pela sua infinita misericórdia e graça e não por méritos próprios. Deus deixou claro ao povo de Israel que não era pela justiça deles que herdariam a terra, mas pela maldade dos povos que antes habitavam ali. O tempo do juízo havia chegado para os adoradores pagãos. Era o momento da destruição dos povos rebeldes e Israel seria o instrumento usado por Deus para o exercício da sentença.  Não recebemos bênçãos  da região celeste porque somos  bons e buscamos de forma correta. Paulo nos ensina que não sabemos orar como convém e por isso o Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Bom só Deus. Devemos cultivar a bondade como fruto do Espírito, mas nunca seremos bons a ponto de recebermos algo divino por essa virtude. Somos falhos e pecadores. É com base na compaixão divina que somos libertados das garras satânicas e recebemos o que precisamos para nos mover neste mundo tenebroso.

         Vós sabeis de todo coração e toda vossa alma que nem uma só promessa caiu de todas as boas palavras que falou de vós, o Senhor, vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem uma delas falhou.”
(Js 23:14).

Mesmo com tantos erros e tanta desobediência do povo,  o Senhor foi fiel e cumpriu o que prometeu. Essa é a garantia que temos de um Deus que rege o universo com cetro de fidelidade. Ele é nossa herança, nosso escudo protetor e conhece nossa estrutura, que é terrena. Aprouve a ele criar seres que nunca se transformarão em Deus, pois  o único que tem o poder de ser perfeito é o Senhor. “Nossa vereda é como a aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”, afirmou o escritor de provérbios. Mesmo que não chegue o dia perfeito, a perfeição de Deus nos faz receber as bênçãos prometidas por ele. O profeta Jeremias afirma que Deus vela para cumprir sua Palavra.

         Serviu, pois, Israel ao Senhor todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que sabiam todas as obras feitas pelo Senhor a Israel.”
(Js 24:31).

  Infelizmente Israel, pouco a pouco, esqueceu-se das maravilhas do Senhor e não cumpriu sua Lei. Foi necessário o próprio Deus  levantar juízes para que o povo retornasse à prática da Lei. Para que as boas dádivas sejam lembradas, é imprescindível não abandonar a Lei do Senhor, expressa em sua Palavra. O Deus que chama as estrelas pelo nome é aquele que sonda e conhece os corações e está à procura daqueles que são verdadeiros adoradores. Daqueles que se humilham e reconhecem que a força vem do Senhor. É a sabedoria absoluta do arquiteto que edifica a cidade de Deus que deve permear nossas vitórias. Vencer guerras é possível, quando o Senhor estiver conosco por onde quer que andemos.

 

Por  Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

28 - 07 - 2010

 
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