Desde a minha mocidade, me angustiaram. Todavia, não prevaleceram contra mim.”

(Sl 129:2)

 

                Salmos foram um dos estilos literários que marcaram a vida dos hebreus da antiguidade. Os versos descreviam as declarações de relacionamento entre o povo e seu Senhor. O Deus verdadeiro era adorado por meio de cânticos que espelhavam confissões de pecados, protestos de inocência, queixas de sofrimento, pedidos de livramentos e até  garantia de ser ouvido pelo guarda de Israel, que não dorme e nem se cansa. Os cristãos primitivos ouviram a Palavra de Deus por meio dos Salmos e fizeram deles o fundamento da vida e do culto. A igreja de hoje explora as entrelinhas desses Escritos Sagrados e aplica o poder da Palavra criadora que produz curas, libertações, esperança e confiança no Deus que livra dos inimigos e concede paz.  Babilônia oprimiu Israel por setenta anos e afligiu o povo de Judá como quem passa o arado sobre a terra. O Salmo 129 foi escrito, provavelmente, após o retorno do exílio e nos remete ao início da devastação da terra, em que houve grandes angústias e decepções por parte dos israelitas. Porém, a certeza de que os invasores não prevaleceriam contra o povo escolhido, levou os salmistas a proferirem orações explícitas, que foram fontes de consolo em tempos de aflições. Era necessário crer num Deus que disciplinava com misericórdia. Os caldeus foram instrumentos nas mãos de Deus para que o plano divino de purgação dos pecados de Israel fosse realizado. Entretanto, não agiram com compaixão, excedendo-se nas maldades e crueldades com os israelitas. Um Deus justo se levantaria do trono para trazer à luz seu juízo e a volta dos judeus à terra natal. Essa era a esperança dos que depositavam fé no Santo de Israel.

               

Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1 Cor 2:9)

 

                Por mais que a disciplina de Deus ocupasse o coração dos arrependidos de Israel, uma nova história regada a surpresas agradáveis estava por vir. O tempo de restauração era chegado e os inimigos estavam prestes a perder forças. Paulo, por pregar o evangelho, enfrentou seus opositores, compreendendo que sua jornada deveria ser cumprida em meio às perseguições.  Ele confessou: “até a presente hora, sofremos fome, sede, nudez; somos esbofeteados e não temos moradia certa. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação”. (I Co 4:11). Em nossa história, o cristianismo tem crescido livremente em alguns países e a essência dos ensinamentos nos conduz à ideia de cruz carregada dia após dia, resultando na supressão das vontades próprias em prol do bom, perfeito e agradável querer de Deus. O Pai celeste nos conduz aos pastos verdejantes, todavia por meio do que Paulo nos advertiu: “Através de muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.” (At 14:22).  Os judeus viveram em meio à obediência e rebeldia, e, os que não se curvaram aos deuses estranhos, desfrutaram das bênçãos decorrentes da aliança de Abraão. Hoje, estamos debaixo de superior aliança, firmada com o sangue de Jesus, que nos traz libertação, cura, proteção e alívio dos inimigos invisíveis de nossa alma.

               

Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o Senhor.” (Jr 31:20)

 

                Essa é a dimensão do amor eterno, que atrai o homem com cordas de benignidade. Mesmo na advertência para deixar o caminho tortuoso, o Pai de amor se contorce de dores pelos erros dos filhos e promete não esquecê-los. A ideia é que o sangue vertido na cruz seja invocado para perdão dos pecados e para proteção contra invasores espirituais. Mesmo na revelação da ira divina, o objetivo dessa atitude vai além da punição e alcança a remoção da resistência dos filhos rebeldes para o estabelecimento de uma união real com Deus a partir do arrependimento. O falar de Deus produz ternura, por mais que seja em meio às correções. Os escritores de Salmos compreendiam bem a forma de expressão de suas necessidades e clamavam por justiça, perdão, livramento e salvação dos adversários. E Deus os ouvia, porque seus ouvidos estavam abertos para orações que eram feitas em forma de cânticos. Hoje, temos o consolador, que nos ajuda a interceder com gemidos inexprimíveis e nos dá a iluminação do significado das Escrituras Sagradas. Ele é o principal agente em operação no ministério de executarmos a vontade do Pai. É ele quem nos guia a toda verdade e sem ele as veredas permanecem tortuosas. Assim como a existência do Espírito Santo é uma realidade sobrenatural, não podemos esquecer da ocorrência de seres sobrenaturais de procedência maligna ativos no mundo. Por essa razão, devemos nos revestir da força do Senhor e de seu poder, extraídos por meio das orações, jejuns, leitura da Palavra e adoração coletiva.  Paulo adverte que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo (2 Co 4:4). É interessante atentar para as coisas do reino invisível, posto que são eternas. Satanás obteve sucesso porque os homens mudaram a verdade de Deus em mentira e serviram mais a criatura do que o criador (Rm 1:25). Paulo diz aos coríntios que as coisas que os gentios sacrificam, é a demônios e não a Deus (1 Co 10:20). A idolatria testifica a fraude do iníquo e traz graves conseqüências para a humanidade em forma de atrasos, doenças, desgraças e destruições. Mas o dia de Cristo chegará e ele destruirá todo principado e potestade com o sopro de sua boca. Até lá, resta-nos glorificar a Deus com nossas atitudes santas, separadas da maldade do mundo, para que o reino de Deus seja implantado nesta terra que geme esperando a redenção.

Venham também sobre mim as tuas misericórdias, Senhor, e a tua salvação, segundo a tua promessa” (Sl 119:41)

 

                O salmista clamava por salvação, não a que hoje conhecemos, por meio de Cristo, mas a  de seus inimigos físicos. O conceito de salvação explícito no Velho Testamento está relacionado ao livramento dos invasores estrangeiros e à prosperidade material. Por mais que os profetas anunciassem a vinda do Messias judaico que livraria Israel, esse tema era pouco compreendido pelos israelitas na dimensão que temos hoje. O cumprimento das afirmações proféticas sobre Cristo foi a certeza para salvação proclamada, nos dias atuais, por meio do Evangelho. Se a prosperidade material era a garantia da presença divina na vida judaica, o relacionamento com Deus por meio da salvação pela obra de Cristo no calvário representa a riqueza espiritual, expressa pela partilha dos direitos e privilégios que pertencem a Jesus: Herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8:17). Essa riqueza somente foi possível porque Jesus se fez pobre, despojando-se de sua divindade para receber um corpo carnal e ser tentado em todas as coisas a nossa semelhança, porém sem pecados. Isso o fez salvador, a partir de sua obediência, aprendida pelos sofrimentos que teve.

 

“Naquele dia, se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados.”(Lv 16:30)

               

Na antiga aliança, uma vez por ano o sumo sacerdote aspergia o sangue sacrificial, por ele mesmo e pelo povo, sobre o propiciatório. A tampa da Arca do Testemunho se tornou o lugar em que o Deus santo e o povo pecador se encontravam. A glória de Deus aparecia na nuvem sobre o propiciatório. Na Aliança Superior, onde há a sobre excelente glória, Jesus demonstrou pela sua morte vicária o caminho de acesso a Deus: um coração quebrantado, que crê no sangue que torna todo pecador mais alvo que a neve e garante a comunhão diretamente por meio do ministério do  Espírito. Essa atitude amorosa de Cristo tornou possível a retirada do véu que separava o homem de seu criador, pois ele estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando seus pecados ( 2 Co 5:18). A hostilidade da humanidade foi dominada pelo amor de Deus. A reconciliação providenciada divinamente se estende aos nossos relacionamentos. Jesus nos ordenou explicitamente: “amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus.” (Mt 5:44). Grande é a nossa responsabilidade como despenseiros dos mistérios da salvação!  A combinação da autoridade divina e responsabilidade humana fazem parte do plano de salvação da humanidade. Fomos escolhidos para luzeiros do mundo. O socorro divino esperado pela humanidade se materializou com a salvação em Cristo Jesus.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

14 - 08 - 2010

 
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