“Nos muitos cuidados que dentro de mim se multiplicam, as tuas consolações me alegram a alma.” (Sl  94:19)

 

 

         Edmund Burke, escritor renomado, deixou um alerta aos leitores:“para que o mal triunfe, o homem bom só precisa cruzar os braços”. O salmista viveu uma situação em que, aparentemente, o mal prosperava.  No meio de sua adoração, perguntou a Deus: “Até quando, Senhor, exultarão os perversos?” (Sl 94: 3). Conclui sua oração, afirmando que “o Senhor, nosso Deus, os exterminará.” (Sl 94:23). Quando o salmista se achegou a Deus, implorando ajuda, a maioria dos líderes de Israel havia conduzido o povo à adoração pagã, provocando, assim, graves conseqüências espirituais. Uma delas, o abandono do cumprimento da Lei Divina, gerou opressão e desprezo aos pobres, órfãos e viúvas. Isso moveu o coração dos justos ao clamor com lamentações e choros diante ao Santo de Israel. O escritor desse salmo foi vítima das perversões dos líderes que fizeram o que era mal aos olhos de Deus. Mas, em meio ao caos, encontrou alívio nos cuidados daquele que mantém em perfeita ordem a criação. A necessidade e a pobreza não se limitam ao plano físico. Somos carentes de amor, compreensão, alegria, consolo e, acima disso, da salvação de nosso espírito para o momento escatológico.   

         Diante das aflições diárias, os salmistas louvavam a Deus com orações, cânticos, atitudes de reverência. Todah, palavra hebraica que traduz a idéia de agradecer, louvar, adorar, fazia parte da vida dos israelitas fiéis ao único que é digno de receber ações de graças. Derivada do verbo yadar, que é dar graças, cuja raiz é yad (mão), essa palavra reflete nos salmos o louvor desse povo que, com mãos levantadas, agradece pela alegria ao contemplar os cuidados divinos sendo multiplicados manhã após manhã. Mal resulta de tudo que menospreza a instrução divina. Ele está presente de geração a geração e somente a fé garante a minimização dos efeitos das hostes da maldade. A fé nos remete às bênçãos já recebidas para adquirirmos forças e visualizarmos a proteção de Deus. A angústia deve ser um motivador para entramos com ousadia no Santíssimo lugar e buscar pela oração o refrigério para a alma cansada. Repousar na proteção e salvação de Deus requer um investimento espiritual. Jesus afirmou que com muito esforço adentramos o reino celeste.

        

Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, porque sua misericórdia dura para sempre.” (Sl 106)

Mesmo estando a humanidade mergulhada em falhas e transgressões, o Senhor é bondoso para com ela  e sua misericórdia alcança a alma abatida de forma surpreendente.  Violamos os limites conhecidos da obediência e Deus não leva isso em conta ao dispensar seus cuidados eternos. Ele perdoa de forma amorosa. O perdão é prerrogativa de Deus. “Se olhares nossas transgressões, quem subsistirá, Senhor?” Perguntou o salmista consciente de sua fragilidade. A palavra hebraica que expressa idéia de perdão é salach, que significa aliviar alguém das cargas de sua ofensa. Jesus foi enviado como semente missionária para frutificar em prol do livramento de morte eterna do homem. Salach denota apenas Deus perdoando um ser humano e não o contrário. Por essa razão, quando Jesus anunciou que os pecados de um homem que curara foram perdoados (Lc5:20), os escribas se admiraram e questionaram sua autoridade, pois somente Deus perdoa no sentido de apagar as transgressões e tornar a pessoa justa, sem mácula.  Cristo veio para aliviar o jugo do pecado. O profeta Jeremias anunciou este oráculo: “Purificá-lo-ei de toda sua iniqüidade com que pecaram contra mim; perdoarei todas as suas iniqüidades com que pecaram e transgrediam contra mim.” (Jr 33:8). Com Cristo, este oráculo se cumpriu cabalmente. Uma alma alegre reflete o perdão que recebeu de Cristo ao perdoar as ofensas recebidas, que são muitas. O reino das trevas atua retirando o entendimento para que não resplandeça a luz do evangelho. (2 Co 4:4). É preciso entender que graça se revela nas fraquezas. Jamais a natureza humana se fará divina, pois a idéia de Deus é que a sua glória nunca será dada a outro. Aceitar fragilidades e buscar força no poder de Deus é o caminho para a alegria como fruto do Espírito.

Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão fartos”. (Mt 5:6)

      Justiça e direito são bases do trono de Deus. Ele não poderia deixar de consolar seus filhos que buscam em primeiro lugar seu reino. Dentro de nós se multiplicam os cuidados nessa área tão delicada. O mundo clama por justiça. Até nos povoados mais simples contemplamos movimentos que chamam a atenção dos governantes à questão dos direitos humanos violados. Se os juízes terrenos atentam para sentença justa, não atentaria nosso Deus que é reto em justiça? Sua palavra garante que bem aventurados seremos se trilharmos caminhos retos. Estaremos fartos e nos deleitaremos com alegria de nossa alma. Este século estimula a justiça que se baseia no egoísmo, no egocentrismo e não no  compartilhamento de recursos em prol do bem comum. Jesus deixou outro conceito para justiça. Ele nos pediu que o renascimento mediante a absolvição do pecado nos levasse a infundir seu caráter puro e santo, que se expressa no amor ao próximo, capaz de se doar e de arriscar a própria vida em prol dos pobres e necessitados de recursos materiais e espirituais. Devemos ser justos no padrão de Deus para que a suas consolações sejam percebidas em nosso ser.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

25 - 08 - 2010

 
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