Cooperadores do Reino
 

“Mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas
(Dn 11:32)

         Daniel, entre 605 e 562 a.C.,  serviu no palácio dos reis da Babilônia como um dos deportados após a queda de Jerusalém por Nabucodonozor. Judá havia sofrido com o domínio persa desde 670 a.C.  e agora seus habitantes serviam a um novo senhor em terra estrangeira. Em meio a todos esses acontecimentos marcantes, Daniel, cuja fidelidade a Deus foi inquestionável, serviu, antes de tudo, como um profeta do Altíssimo e cumpriu toda ordenança divina por meio de visões e interpretações de sonhos vindos do Santo de Israel. Este homem, que se manteve afastado dos valores e princípios pagãos de sua época, deixou, como Escritura Sagrada, a mensagem do Deus que é soberano e que escolhe pessoas para cumprirem os propósitos redentores. Como um cooperador do rei Nabucodonosor e seus sucessores,  Daniel vai além: destaca-se como cooperador do reino celeste.  No capítulo 11 do livro de Daniel, Deus envia mensageiro para levar esclarecimento sobre a visão recebida durante o primeiro ano do reinado de Dario. A visão sem a interpretação torna-se infrutífera no reino. Daniel necessitou desvendar os mistérios recebidos e não usou de sua inteligência humana, mas aguardou no Senhor.

         Ora, a estes quaro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos.” (Dn 1:17). Além de Daniel, outros três jovens judeus assistiram no palácio do rei porque eram competentes, sábios, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciências e versados no conhecimento (Dn 1:4). Em sua multiforme sabedoria, Deus decide se revelar por meio de visões e sonhos dados a Daniel e aos reis da Babilônia. Foi indispensável esse dom para que o povo da Babilônia conhecesse o Deus de Israel. Visão vem do hebraico Chazon que significa simplesmente ver. Aurélio conceitua como “ ação divina que comunica aos homens os desígnios de Deus e a verdade que estes envolvem”.
Na antiguidade, sonhos e visões eram frequentemente tidos como revelações dos deuses. Mas para os hebreus, era a própria mensagem do Deus único, criador dos céus e da terra. O escritor de provérbios afirma que as revelações de Deus são necessárias para o bem estar de uma sociedade. Sem a Lei de Deus revelada por sua Palavra ou por meio de sonhos e visões vindos do Trono da Graça, o povo se corrompe. (Pv 29:18). Os sonhos e visões de Daniel foram codificados em símbolos que precisaram da ajuda de anjos para interpretação. Como um simples mortal e vaso de barro, esse profeta do Altíssimo se humilhava ao receber visões e pedia perdão pelos seus pecados e de seu povo. Clamava por buscar compreensão do significado e se dedicava aos jejuns e às orações. Os profetas do Antigo Testamento não se prendiam exclusivamente com a previsão das profecias, mas com o recebimento das revelações divinas que carregava um peso indicador de algo que deveria ser reverenciado com orações. Eles detinham o conhecimento de que Deus estava prestes a realizar coisa demasiadamente sobrenatural e, portanto, era necessário arrependimento e busca intensa da presença do Todo Poderoso, não só para a interpretação, mas para correção das veredas tortuosas. Profecias e visões são importantes para condução do rebanho de Deus. Entretanto,  não se deve decifrá-los como charadas ou usá-los para que o coração do profeta se eleve por ser conhecedor dos ministérios  de Deus. É imprescindível ouvir o que Deus tem a fazer para responder de acordo com a vontade divina, a partir das orações, para conhecer a interpretação do que foi mostrado. Muitas interpretações dadas pelo engano do coração do profeta levam vidas a destruições irreparáveis. Em meio às explicações do anjo Gabriel, um frase foi dita a Daniel: a força vem do conhecimento do Senhor e a realização de proezas depende da experiência com Deus. A Palavra de Deus é o parâmetro para as interpretações. Não havendo conformidade com as Escrituras, as profecias devem ser julgadas como não vindas da parte de Deus.

E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.” ( 2 Co 12:7).  Paulo compreendeu que poder se recebe com espinho na carne. Ele pediu por três vezes a Deus a retirada desse sofrimento e obteve como resposta um não, pois a graça divina era suficiente para mantê-lo humilde. Ser profeta é ser cooperador do reino. Contudo, a vigilância para manter o orgulho longe do ministério é um exercício útil para evitar a própria ruína. Paulo, mesmo sabendo que o serviço profético é espinhoso, incentiva o povo de Deus a procurar com zelo os melhores dons. Enfatiza o de profetizar para edificação, exortação e consolo (1 Co 12:31 e 14:1). Daniel se sentia enfraquecido e atemorizado com as visões até receber do mensageiro de Deus o fortalecimento. Sabia que era um parceiro de Deus, todavia cultivava ainda mais a comunhão por meio de orações e jejuns. Deus enviou Jeremias à casa do oleiro para que ele compreendesse que o detentor do governo do universo não era o homem. Como um vaso nas mãos de um oleiro, assim é a humanidade nas mãos de Deus.  “Ai da criatura que contende com o seu criador!”, exclamou Isaías inspirado pelo Espírito Santo. Não temos escolhas. Somos lavoura de Deus, edifício dele e para que “não haja divisão no corpo, devemos cooperar com todos os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros.” (1 Co 12:25).

O desafio para a geração que busca o Senhor é o que fazer com as revelações recebidas. Engrandecer-se por ser profeta não agrada o coração de Deus e não é o propósito divino ao expor seus mistérios. Algo mais profundo permeia os sonhos proféticos e as visões. Orar e pedir interpretação são o caminho para exercer o serviço profético. Muitos laços satânicos são desfeitos com as intercessões a partir da comunicação sobrenatural. Receber mensagem profética e não ter a atitude de clamar por livramento não nos credencia como cooperadores do reino celestial. A atitude correta acerca da revelação divina é que materializa o significado e produz proezas. Toda revelação tem que ser levada para o campo da experiência com muito temor e reverência.

“Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei.” (Ex 22:30).  Deus sempre mostra em sonhos, visões e profecia o caminho tortuoso para que o profeta conclame a igreja e se coloque na brecha a favor dos rebeldes e descaminhados. Dessa forma  há conversão e os segredos divinos cumprem seu propósito para o qual foi enviado. Mas o profeta que recebe visão e não age com intercessões a favor dos que são arrastados pelas forças malignas não agrega valor ao reino da luz.

Que tenhamos a consciência espiritual de ser um reparador de brechas, principalmente quando recebermos alerta sobrenatural.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

08 - 09 - 2010

 
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