Quantas vezes insistimos para que entes queridos permaneçam em nossa presença! Imaginemos o mestre Jesus que, durante três anos, encantou Jerusalém com seus ensinamentos e sua prática de vida amorosa. Quem não queria sua presença? Somente os que foram movidos pelo egoísmo e poder ilegítimo alegraram-se com sua morte. Dois de seus discípulos caminhavam para Emaús, uma pequena aldeia próxima a Jerusalém, e discorriam sobre os últimos acontecimentos que marcaram a vida dos judeus. Falavam com tristeza, com amargura de alma, já que o varão profeta, poderoso em obras e palavras,  havia sido crucificado há três dias. Nessa caminhada, alguém se aproxima e se interessa pelo assunto por eles abordado. Mas, conforme informa o texto de Lucas, seus olhos estavam como que impedidos de o reconhecer. (Lc24:16). Era o Cristo ressurreto, que lado a lado passou a explicar toda Escritura que sobre ele discorria, desde Moisés até os profetas. Expôs, claramente,  os propósitos redentores para Israel. O coração deles começa a arder e um convite sai de seus lábios: “Fica conosco, porque já é tarde, e o dia já termina.” O mestre do amor entra, parte o pão após impetrar a bênção. Naquele momento glorioso, o reconhecimento chega com o abrir de seus olhos. Desaparece em seguida, pois outra missão o aguardava.

         O que contribuiu para que os olhos permanecessem impedidos de reconhecer Jesus?  “Há tempo para todas as coisas e para todo propósito debaixo do céu”.  Essa afirmação foi proferida pelo escritor de Eclesiastes para compreendermos o fator tempo divino. Conhecedor da estrutura humana, Jesus não permitiu que os olhos dos discípulos se abrissem antes da exposição das Escrituras, pois aquele era o tempo ideal para a compreensão do plano redentor divino. A alegria, ao saber da presença de Jesus, seria tanta que a exposição das Escrituras perderia seu espaço. Aquele era o momento de ouvir e não de ver. A compreensão humana não alcança o planejamento eterno. Muitas vezes permanecemos alheios aos planos do Senhor em nossas vidas porque não é o momento propício para conhecimento de algo que nos deve ser revelado.

        

 

 

Deus é o Senhor do tempo e, por mais que ele permaneça em nossos corações, há momentos de aparentes trevas em nosso viver. Entretanto, o brilho da Estrela da Manhã, que é o Cristo ressurreto, não nos deixa permanecer de olhos fechados. Vem o instante em que se faz tarde e o divino companheiro abençoa o nosso pão e o parte em nossa presença.

         Servo, em hebraico, é Ebed e traduz a ideia de servir, trabalhar ou escravizar. Ebed tem sentido de escravo no dicionário hebreu. Entretanto, para Deus, este significado alcança o padrão da misericórdia. No ano Sabático e no do Jubileu, a liberdade deveria acontecer. A escravidão dos hebreus  não era permanente. O Senhor Único da terra não aceitou a servidão nos moldes das nações pagãs do antigo Oriente Médio. Com a Lei Mosaica, os efeitos do cativeiro foram amenizados.  Para que a linguagem bíblica fosse compreendida pelos hebreus, Deus falou profeticamente a respeito do Messias como um servo, um escravo que cumpriria suas ordens. Os profetas também foram chamados de servos, pois obedeciam às ordens divinas como súditos de um rei. Isaías descreve o Messias como um servo sofredor que procederia com prudência, mas depois dos sofrimentos seria exaltado e elevado de forma sublime. Jesus cumpriu sua missão de servo e foi obediente até a morte de cruz. Nos quarenta dias após sua ressurreição, encerrou a missão terrena confortando os discípulos, orientando-os a pregar o evangelho e ministrando o poder e a autoridade sobre eles.

         E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne.”  (Atos 2:17).

         Ocorreu a descida do Espírito Santo quando da ascensão de Jesus. Joel previu isso oitocentos anos antes do nascimento de Cristo. A presença do Consolador abre os olhos do nosso coração para compreendermos os mistérios de Deus e rompe os grilhões da morte espiritual que nos assola todos os dias. Os desígnios malignos são desfeitos pela presença do divino companheiro que na escuridão brilha com fulgor eterno. Mas é necessário que o convidemos para permanecer conosco. O convite se faz pela oração, jejum e pela leitura bíblica. As Escrituras trazem a revelação do Deus que se deu a conhecer no passado pelos profetas. A oração nos coloca nos ritmos da eternidade e remove a trave que nos impede enxergar as coisas que não se veem com olhos carnais. O jejum é arma poderosa para repreendermos determinados tipos de casta.

         Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas.” (Atos 1:8).

         Jesus proferiu seus ensinamentos com seriedade. Curou, expeliu demônios, alimentou pessoas, pregou o evangelho porque Deus era com ele. O Espírito Santo desceu em forma de pomba no momento de seu batismo. A partir de então, seu ministério foi regido pela vontade soberana de Deus. Quando iniciamos o processo de salvação, a presença do Salvador produz alegria indizível. Na caminhada cristã, a santificação gera a necessidade de compartilhar as bênçãos recebidas e o Espírito Santo é o promotor dessa fase. Salvação vem do hebraico Yeshuá e nos remete à ideia de livramento das aflições. Esse termo foi usado na Bíblia ao lado do vocábulo justiça para indicar uma conexão entre justiça de Deus e seus atos de salvação. Quando reconhecemos que somos salvos, os atos de justiça divina devem permear nossa vida. O mundo deve enxergar em nossa vida a presença de Jesus, mesmo que em alguns momentos nossos olhos estejam como que impedidos para esse reconhecimento. Crescer na graça e no conhecimento de Cristo até chegar à estatura de sua plenitude é a meta cristã mais desejada. Ao promover favores imerecidos, aumentamos nossa estatura espiritual. Certamente, o convite para Jesus ficar vai ser feito não somente quando o dia já estiver declinando, mas também com o rompimento da estrela da alva, que anuncia a existência do Filho que sustenta todas as coisas com o poder de sua Palavra.   

Fica conosco, amado Jesus!

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

15 - 09 - 2010

        

 

 
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