Naqueles dias, não havia rei em Israel, e a tribo dos danitas buscava para si herança em que habitar (Jz 18)

 

Ser líder é cumprir as responsabilidades inerentes à liderança acima de qualquer vaidade. É fácil encontrar quem deseja estar no comando. Difícil, entretanto, é descobrir pessoas habilidosas cujo caráter lhe determina a conduta e a concepção moral baseadas na doutrina cristã. Israel viveu um período em que não havia reis no governo, mas juízes. Esses detinham ampla responsabilidade. Decidiam controvérsias e deveriam  proferir vereditos a partir dos Estatutos e das Leis Mosaicas. Shaphat, palavra hebraica que corresponde a juiz, significa libertar ou regular. Muitos dos juízes foram líderes militares apontados por Deus, os quais, apossados pelo Espírito Santo, lutaram contra os opressores de Israel e livraram o povo. Libertação em hebraico vem do termo Teshu’a, cujo significado fundamental é vitória ou segurança. Nas Escrituras, o livramento é sempre creditado a Deus. O salmista lembra que a vitória não é encontrada em cavalos (Sl 33:17) ou na capacidade das pessoas (Sl 108:12), mas unicamente no Senhor.

Na verdade, os outeiros não passam de ilusão, nem as orgias das montanhas; com efeito, no Senhor, nosso Deus, está salvação de Israel. (Jr 3:23)

A salvação eterna é provida para a geração que busca o Senhor. A esperança no dia da justiça final deve permear cada memória, pois a libertação total é promessa divina que se cumprirá quando Jesus, o Rei eterno, implantar seu reinado de paz. Enquanto permanecemos em corpo corruptível, dia após dia, o Senhor nos cumula de libertações. Os descendentes da Tribo de Dã não tinham obtido, ainda,  êxito na posse das terras. Estavam em busca de um lugar para se estabelecer, conforme a sorte que lhes caiu na repartição da herança, cujo território incluía cidades com limites pequenos. Localizaram Laís, uma cidade atraente. Estabeleceram-se nela e a chamaram de Dã. Infelizmente, em vez de condenarem a idolatria, apegaram-se a ela. A apostasia se instalou em Dã a ponto de sacerdotes pagãos servirem à Tribo por muitos anos. A Casa de Deus estava estabelecida em Siló. Em vez de seguirem ao Santo de Israel, como os que se dirigiam a Siló, os filhos de Dã estabeleceram em suas cidades conquistadas o culto abominável. Eles não entenderam o propósito divino na divisão da herança. Toda conquista deveria ser para a glória e o louvor do Deus de Israel. Seu nome deveria ser honrado, santificado. Caminhos infiéis atraem a ira de Deus. Dã não pensou nisso. Estava tão voltado a buscar herança terrena que o elemento mais importante no contexto da busca por terras passou despercebido. Até esquecido e trocado por imagens feitas por mãos humanas. Javé, o Deus dos hebreus que os livrou da escravidão com sinais e prodígios, não mais era o líder dos filhos de Jacó. Esqueceram-se do Deus único, que estendeu os céus como um lençol e colocou cada estrela em seu lugar, chamando-as pelo nome.

Como andam as conquistas de coisas terrenas? Não é condenável quando a direção vem do Senhor. Devemos crescer na graça e no conhecimento diante dos homens e de Deus. O perigo reside em esquecer aquele  que dá força para aquisição de riquezas. Herdar algo sem a proteção divina é habitar em terras inseguras.

Encontrar espiritualidade é a meta para os que conhecem ao Senhor. Ele se revelou com o propósito de reinar sobre vidas e sobre todo universo. Prosseguir em conhecê-lo é a decisão dos que andam em Espírito, pois agradar a Deus é atrair para si a segurança e a libertação necessária para se mover diante de oposições malignas. E somente os que são guiados pelo Espírito entram na dimensão eterna e encontram a paz que excede a compreensão humana.

         Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5:16).

         Palavras do líder que encantou o mundo há mais de dois mil anos. Cristo, o justo que se colocou na brecha e religou o Deus Santo à humanidade pecadora, é o padrão que deve pontuar as obras que nos recomendam como filhos de Deus. É o criador que nos leva a assumir postos importantes com o objetivo de sermos canal de bênção. Ele nos convoca a sermos reparadores de brecha e fechar as frestas da indiferença e opressão. A evangelização por meio da intercessão e do exercício do amor leva a conquista dos territórios dominados pelas trevas. Devemos adentrar os corações difundindo a esperança nos perdidos. Porque pecamos e fomos destituídos da glória de Deus (Rm 3:21), necessitamos da luz do sol da justiça para habitarmos seguramente na terra em que o Senhor nos plantou. Essa necessidade é diária, pois os dias são maus e os dardos inflamados do maligno são lançados a todo instante. A fé no Deus que livra é o escudo que desvia as setas que assolam ao meio dia.

         Eu, o Senhor, te chamei em justiça, te tomarei pela mão e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz  para os gentios.” (Is 42:6).

         As tribos de Israel, em sua completude, deveria ser luz para os gentios. Como a tribo de Dã, todas as outras não se achegaram ao Senhor com coração reto, mas serviram a outros deuses em sua caminhada histórica. A Aliança feita com Abraão foi quebrada pela infidelidade da maioria dos reis que fizeram o povo pecar. Mas da linhagem do rei Davi viria aquele chamado em justiça, que faria a mediação de aliança superior e garantiria a divina segurança a todos que o recebessem. Esse processo redentor iniciou-se na cruz do calvário, quando potestades e principados foram expostos ao ridículo, e a morte foi vencida por aquele que foi primícias dos que hão de ressuscitar em corpos gloriosos. Achegar-se significa, no hebraico (Dabaq), apegar-se fortemente. Nossa devoção ao Senhor precisa alcançar o nível que nos transporta à dimensão do aconchego, pois todas nossas fontes são nele, para ele e dele.

“Volta, minha alma, ao seu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo.” (Sl 116:7)

         Saqat é a palavra hebraica que caracteriza sossego e é a mesma para descrever a paz que cobria a terra periodicamente quando o Senhor levantava juízes para defender os interesses dos filhos de Israel (Jz 3:11). A bondade eterna de Deus não nos deixa perecer nas trevas. Nossos ouvidos sempre terão a doce voz do Espírito Santo nos conduzindo ao vivo e reto caminho. Precisamos, antes de um rei terreno, de um guia que nos mostre a terra que devemos conquistar. A nossa porção é o Senhor que nos garante segurança.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

22 - Setembro - 2010

A graça seja com todos os que amam sinceramente ao nosso Senhor Jesus Cristo
 
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