Ainda antes que houvesse dia, eu era; e ninguém há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?
(Is 43:13)

 

         A humanidade almeja poder e tem como meta interior dispor de força e autoridade. Não importando o local do exercício de influência, nem a quantidade de pessoas subordinadas, o homem deseja ardentemente dar ordens, sempre. Entretanto, essa atuação tem limites. O reino natural foi criado com restrições e escassez de recursos que provocam impossibilidade do domínio imutável. Disso decorre a insegurança, o medo do futuro e a incapacidade de crer num ser que está acima da compreensão humana e que tem magnífica preeminência.  Deus, o Todo Poderoso, é princípio e fim de toda criação. Para ele, a capacidade de realizar algo tem como jurisdição o universo e tudo que nele há. A eficácia de suas ordens é irrevogável. O profeta Isaías anunciou que o senhorio do Santo de Israel é inquestionável e, mesmo diante de oposições, seu comando prevalece. Conhecer a supremacia divina e saber que este atributo faz parte de sua essência eterna promove a paz que Jesus conceituou não como o mundo a dá, mas a que ele oferece.

Porque o Senhor dos Exércitos determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, fará voltar atrás? (Is. 14:27)

Luz em hebraico corresponde ao vocábulo  Or  e denota a luz do dia ou o alvorecer, mas também significa vida e se relaciona, na Bíblia, com compreensão e conhecimento da verdade. A veste de Deus é descrita nas Escrituras como a luz que resplandece, dando-nos  a ideia da imagem viva de sua honra, majestade, esplendor e glória. Um Deus que formou luz com sua palavra e criou os luminares com funções específicas não está submetido a nenhum principado ou poderio. Ninguém ou nada tem o poder de intervir em suas decisões.

 A luz difundi-se para o justo, e a alegria, para os retos de coração (Sl 96:11).

Expressou o salmista ao crer no poder de restauração que desce do Pai das Luzes. Essa autoridade não se restringe a grandes acontecimentos, como abertura do mar vermelho, retroceder do sol, detença da lua ou ressurreição de mortos. Esses milagres pontuaram histórias relatadas no Antigo e Novo Testamento e acontecem hoje mais na dimensão espiritual do que na física. As determinações do Senhor dos Exércitos a nosso respeito ocorrem dia após dia e nossa intervenção não impede seu agir. Operando eu, quem impedirá? Pergunta do Altíssimo para esclarecer sua forma de exercer poder. Em nossa mão não reside força alguma que não provenha dele. Mas como perceber a supremacia de um ser que é inatingível? Como compreender que Deus nos fez sua imagem e semelhança, e que, portanto, não somos inimigos de nós mesmos? Sucederia incoerência ao afirmarmos que podemos,  de alguma forma, impedir sua ação. O nosso raciocínio não pode extrapolar o que reza a Bíblia. Isaías foi enfático quando pronunciou o seguinte oráculo: Ai daquele que contende com seu criador! (Is. 45:9). Ele afirma que este não passa de um caco de barro entre outros cacos. E conclui nos alertando que o barro não dá ordens ao oleiro, e o filho não pode perguntar ao pai porque gera e nem a mãe porque dá à luz. Aquele que com as mãos estendeu os céus e deu prescrição a todos os seus exércitos não recebe ordens acerca de seus filhos e filhas e nem de coisas por ele criadas. De que forma oramos a Deus? Dando ordens a ele ou suplicando com toda humildade a sua graça e misericórdia? Cabe-nos ordenar aos espíritos imundos que se retirem, que nos obedeçam, porém, ao que detém o governo do universo, resta-nos a submissão, a petição, a súplica.

Sede, portanto, criteriosos e sábios a bem das vossas orações. (I Pe 4:7).

  Esse conselho inspirado pelo Espírito partiu do apóstolo Pedro que encarnou os princípios de Jesus. As palavras de Cristo ficaram gravadas na tábua de um coração transformado que se tornou terra fértil para a semente da prudência, do bom senso. Orar com base na Palavra de Deus é requisito fundamental para entender a resposta divina. Não é a nossa vontade que é feita na terra, todavia a deliberação eterna é que permeia nossa caminhada. Não é o nosso pensamento que temos a respeito de Deus que deve reger nossas atitudes, mas a revelação de seus atributos encontrada na Bíblia. Ele é soberano e, portanto, ele dá as ordens. Isso nos leva enquadrar orações e conduta em seu modo de agir para obtermos tranquilidade diante de situações inesperadas. Disse Jesus a seus discípulos: “Se sois terrenos e sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai Celeste!” A escolha dele será melhor que qualquer padrão humano, pois antes que houvesse dia, ele já era. O futuro, somente ele conhece.  Assim diz o Senhor: Quem fez ouvir isso desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? (Is 45: 21). É por essa razão que não nos compete guiar os passos, mas suplicar a direção do Espírito Santo para nos mover dentro de seu querer.

O Senhor te abençoe e te guarde. (Nm 6:24)

Berakah é a palavra hebraica que descreve bênção e exprime a ideia de preencher de potência, tornar frutífero ou garantir vitória. Todas as nações foram abençoadas por meio de Abraão (Gn 12:3). Dessa linhagem, nasceu Jesus, o Cristo que redimiu a humanidade pecadora. Proferir uma bênção é desejar o bem ou fazer oração a favor de si ou de outra pessoa. Os patriarcas do Velho Testamento são lembrados pelas bênçãos que davam a seus filhos. A permanência do sopro de vida, do sucesso e da alegria abundante tem estreita relação com a prática da afirmação de bênçãos materiais e espirituais. As batalhas no mundo antigo eram frequentemente travadas nas portas da cidade. Por isso, os governantes investiam em melhorias na segurança para proteção de invasores. Criavam-se fortalezas nessas portas e a estrutura assemelhava-se a grande torre, como um forte castelo. Os tetos eram designados para que os defensores tivessem uma posição estratégica e enxergassem bem os inimigos antes da invasão. Assim, o planejamento para ganhar a guerra saía do topo. Nosso Deus habita nas alturas e detém o conhecimento do passado, do presente e do futuro. E por que insistimos em ditar qual é o melhor caminho a seguir? Ele é a torre forte, o escudo protetor que bloqueia a entrada do adversário de nossa alma. Mesmo que aos olhos humanos a porta do nosso coração esteja sendo invadida, na ótica eterna o socorro está sendo providenciado. As circunstâncias naturais não devem ser parâmetro para ação de Deus. Ele é o doador da boa dádiva e como tal seu poder é ilimitado. Nada impede o cumprimento de suas promessas.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

 
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