“E toda terra saberá que há Deus em Israel” (I Sm 17:46)

 

A história de Davi e Golias é conhecida mundialmente. Desenhos infantis retratam a vitória do simples pastor de ovelhas sobre o homem preparado para vencer batalhas. Porém, a essência da queda do gigante não esteve na pedra arremessada de uma funda pelo jovem Davi. No campo de peleja invisível estavam os anjos do Senhor preparando o cenário para que toda terra soubesse que em Israel havia um Deus general de guerra. Era comum, no mundo antigo, campeões militares representar seu exército em combates de homem a homem. A vitória era concedida ao lado cujo guerreiro prevalecesse. Cada cidade possuía deuses que eram venerados nas festas comemorativas dos triunfos nos campos de ação.  Golias representava tanto os filisteus como seus deuses. Davi, tanto o povo de Israel quanto o Senhor Jeová. A expectativa girava em torno do poder dos deuses em defender seus adeptos.

O jovem pastor de ovelhas foi impelido pelo Espírito a lutar contra o politeísmo e garantir a proclamação do poder invisível que domina sobre o planeta. A partir desse episódio, Davi inicia uma carreira preparatória para reinar em Israel. Não por sua vontade, mas porque, no plano eterno divino, o rei segundo o coração de Deus estava recebendo treinamento digno de uma coroação da qual viria o Messias, que reinaria de eternidade a eternidade, firmado na reta justiça. Sem nunca ter sido adestrado para guerra, o vencedor dependeu exclusivamente da força que veio do Trono da Graça, da simplicidade e da eficácia de uma defesa invisível, mas real, mesmo contra probabilidades de vitória.  Ao sair ao encontro do lutador, Davi esclareceu que havia adentrado o confronto em nome do Senhor dos Exércitos. As milícias do céu entraram em ação no momento em que Davi declarou profeticamente a presença do comandante soberano. Havia aliança entre Israel e o Deus que salva, não com espada e com lança (I Sm 17:47), mas por caminhos que vão além da compreensão humana. Isso tranquilizou Davi.  O êxito do futuro rei israelita sobre um leão e um urso foi o pilar de sua fé para vencer Golias. A partir daí, sucederam-se inúmeras batalhas. O povo de Israel comemorou alegremente as vitórias regadas ao toque de instrumentos musicais e danças.

“Grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres”
(Sl 126.3).

Mecholah no hebraico é a palavra que descreve dança. A raiz deste verbo significa rodopiar ou mover-se em um círculo. Quando este vocábulo é usado, há ideia de associação com alegria e com o manejo de instrumentos musicais.

O salmista relembrava as maravilhas de Deus em momentos de incertezas e encontrava  energia moral para vencer as batalha no campo da mente.  O Deus que operou no passado não deixaria de atender às necessidades presentes. Esse era o pensamento de Davi. Ao recordar a presença do Espírito do Vivo Deus quando os animais ferozes ameaçaram sua vida, Davi encontrou forças para destruir aquele que confrontava o Santo de Israel. Ficou  reconhecido como herói militar nacional. Temos trazido à memória o que nos pode dá esperança? Jeremias lembrou-se desse exercício mental quando a terra estava desolada após a invasão do exército caldeu. Em Lamentações, ele dialoga com Deus expondo a ruína de Judá, contudo mescla a realidade sombria com a confiança no amor divino que põe fim a toda angústia de alma.

Há momentos em que experiências terríveis pontuam nosso viver. Períodos em que o desespero toma lugar no pensamento e apenas uma verdade pode manter a fé viva: a misericórdia de Deus que se renova a cada manhã. Chesed é a palavra hebraica usada nas Escrituras para descrever o amor e a lealdade de Deus para com seu povo. Mesmo sem preparo para enfrentar batalhas espirituais que se materializam e provocam tragédias, a esperança em vencer o inimigo brota em meio às circunstâncias mais sombrias quando nos revestimos de toda armadura de Deus. O escudo da fé apaga os dardos inflamados do maligno e nos leva à dimensão do pensamento cativo em Cristo, que venceu a maior batalha já descrita na história do universo: a morte. Com sua ressurreição, temos paz no Deus que cria mediante o poder de sua Palavra. Ele age com misericórdia.

 De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3). Conhecer os atributos eternos de Deus nos leva ao descanso em meio ao caos, pois “O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas suas obras” (Salmo 145:9).

         Somente o criador gera novas coisas. Novo céu, nova terra, nova etapa em seu plano de redenção, novo cântico nos lábios dos aflitos. Invocar seu nome traz a revelação profética útil para manifestação da vontade divina na terra. Invocamos por meio da oração, que é arma poderosa num conflito armado pelo inimigo de nossa alma. O jejum é um mandamento indicado por Jesus para expulsão de  certas castas que causam destruição. É também arma indispensável. Algumas  batalhas nos levam à perda de saúde ou energia física. Então, precisamos de um intercessor, entendendo que a bondade eterna de Deus não nos deixa perecer. Ele levanta aqueles que se colocam na brecha a favor dos fracos e concede vitória.

O justo, pela sua fé, viverá.” (Hc 2:4)

Para os hebreus, pessoa justa era a que honrava o pacto com Deus, mediante o cumprimento dos preceitos da Lei de Moisés. Mas Miquéias profere pelo Espírito que não há um reto sequer, um justo, que faça o bem. (Mq 7:2). Por essa razão, Jesus fez expiação dos pecados no calvário e nos tornou justos perante Deus. Então, é pela fé que vivemos, pois fomos justificados pelo sangue de Cristo. Ao escrever este texto, Habacuque usou o vocábulo hebraico emuná que significa firmeza, fidelidade. Confiar no poder próprio, amizades, posição social ou inteligência faz inchar a alma e retira a visão do poder divino que somente pode ser percebido pelo Espírito, mediante fé em Jesus Cristo. E toda terra saberá que há Deus em nossa vida. Céus e terra podem passar,  não as promessas de Deus. O cumprimento delas é garantido pelo poder invisível que nos leva ao entendimento de que a guerra é do Senhor. Resta-nos descansar em seus braços eternos.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

06 - Outubro - 2010

 
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