Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene. (Am 5:24)

Perder a consciência. O que significa não ter faculdade mental para discernir o certo do errado? O Bom do ruim? A luz da negritude? Em 755 a.C., Amós inicia seu ministério profético acerca da indiferença do povo de Judá com as normas da Aliança Mosaica. Havia uma Lei recebida diretamente por Deus no Monte Sinai e os governantes estavam desprezando os preceitos mais importantes: o amor, a misericórdia e a justiça. Embora Amós fosse um simples pastor, mensagens proféticas saíram de seus lábios para lembrar aos judeus do fim trágico que teriam diante do não arrependimento. Praticar boas obras era sinal da inclusão na aliança. Mas onde estavam os fiéis?  Era incoerente saber doutrina e não praticá-la. Israel apresentava esse cenário espiritual. A intervenção divina estava prestes a acontecer para ordenar pensamentos carregados de pecado.

O rio Eufrates banhava os lugares alcançadas pela profecia. Cidades verdejantes à margem do deserto poderiam ser comparadas ao Éden, porém toda beleza era encoberta pela falta de justiça e juízo. Como as águas de um rio agitado correm, essas virtudes deveriam correr e abalar as estruturas mentais para que o bem fosse propagado.

Ai dos que puxam para si a iniquidade com cordas de injustiça e o pecado, como tirantes de carro! (Is. 5:18)

Isaías suspira e continua com o prenúncio:

Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito”!

         Somente o Senhor dos Exércitos é exaltado em juízo e santificado em Justiça.

 (Is 5:16). Não considerar os feitos do Senhor é desprezar o manual de conduta criado divinamente para conduzir os passos da humanidade. A Bíblia é a única regra de procedimento moral que nos leva à dimensão da sabedoria que desce do alto. Assim como Israel por inúmeras vezes abandonou a leitura do Livro da Lei nas solenidades santas, hoje temos desprezado a pregação da Palavra de Deus nos cultos. Palavras de sabedoria humana têm pontuado os sermões em detrimento da divulgação do texto bíblico. As festas sagradas em Israel não mais serviam para proclamar os ditos do Senhor, mas um passa tempo regado a comidas e bebidas desprovido do significado de adoração ao único Deus. É possível adorar a Deus sem ter consciência de sua revelação por meio das Escrituras? Pouco provável. Discernir o que é reto exige saber o padrão certo. E o único caminho a seguir é Jesus, que se deu a conhecer por meio das Escrituras.

Aurélio define equidade como “conjunto de princípios imutáveis de justiça que induzem o juiz a um critério de moderação e de igualdade, ainda que em detrimento do direito objetivo”. Cumprir a Lei em Israel implicava internalizar a equidade. Jejuar nas festas santas, dizimar, oferecer sacrifícios para remissão dos pecados não justificava a iniquidade que era puxada com cordas de injustiça. Dessa forma, a consciência nacional permanecia afogada no pecado. Para emitir sentença, o juiz analisa não somente as questões objetivas da lei, que é seu texto formal, mas as circunstâncias em que um delito foi cometido, bem como as condições físicas e mentais do infrator. Deus, o juiz de toda terra, exige mais que um ritual para os crentes e não está preocupado apenas com o culto público e oficial instituído pelas igrejas. Ele requer a equidade nas ações. Ele oferece muito, e cobra muito. Somos responsáveis pelo brilho nas escuridões da vida. Quem necessita dos cuidados eternos? O doente, que comete delitos, injustiças, iniquidades. Esse é o alvo do amor que está além da lógica humana. Quando Paulo escreveu que nossa luta não é contra pessoas, e sim contra forças da maldade que habitam regiões celestes, a compreensão das coisas que não se veem deve conduzir a interpretação da falta de justiça e juízo no reino natural. O papel do que já habita na luz é interceder pelos que jazem nas trevas.

         Cantarei a bondade e a justiça; a ti, Senhor, cantarei. (Sl 101)

         Todah é a palavra hebraica utilizada nas Escrituras para reconhecer, confessar ou louvar. É um reconhecimento ou confissão, seja das iniquidades de alguém, seja da benignidade de Deus. Essa palavra também significa oferta de ação de graças, sacrifício opcional, feito para expressar agradecimento a Deus. Louvar a justiça divina em contraste com o pecado humano é agradecer pelos grandes feitos. Reconhecer a iniquidade e louvar a Deus pelo arrependimento gera consequências abençoadoras no reino espiritual. Orar por quem não anda na luz é exaltar o santo nome do Criador.

Porque os teus servos amam até as pedras de Sião e se condoem do seu pó (Sl 102:14)

         Chanan no hebraico significa um ato de bondade para com um necessitado. Demonstrações de piedade com os miseráveis são elogiadas por quem possui a mente de Cristo. O salmista revela a piedade dos israelitas por Sião. A época era de pecado visível e a estrutura humana feita de pó carecia de contrição. Todavia, o amor dos servos do Altíssimo pelos habitantes da cidade subia em forma de clamor. Anjos defensores de Israel, como Miguel, subia e descia com respostas de livramento, julgamento e orientações para uma postura santa. Somos pó e ao pó voltaremos. Por que julgamos os que cometem iniquidades e não agimos como reparadores de brecha? Amar o próximo é se condoer pelos pecados dele e exercitar o fruto do Espírito para resgatá-lo da potestade de Satanás.

Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus?

(Jl 2:17)

Joel , por volta de 850 a.C., deixou essa orientação divinamente inspirada. Não é o nosso papel acusar, criticar ou discutir opiniões acerca de pecadores. Cumpre-nos a obrigação de orar e implorar graça e misericórdia.  Somos sacerdócio real nesse sentido.

A paz tão procurada brotará nos corações como mananciais se a justiça, juízo e misericórdia correrem como rios impetuosos. Para isso, procuram-se intercessores movidos pelo amor benigno, sofredor, paciente.  Então o Senhor se mostrou zeloso da sua terra, compadeceu-se do seu povo (Jl 2:18).  Dessa forma, o discernimento do que é reto habitará nos corações.

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

13 - 10 - 2010

 
  Voltar para índice de mensagens
|- - IEMB - Design: João Batista A.P - Igreja Evangélica Missionaria Brasileira- Leia a Bíblia, ouça a voz de Deus - Ministério: Pr. João Nogueira Pimenta -|