Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual
fazia o que achava mais reto.

(Jz 17:6)

         Se você quiser liderar, deve servir.” Essa frase é síntese do conceito de liderança deixado por Jesus.

 

“Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja servo de todos. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente.” 

(Mc 10: 43-45)

 

Serviço e doação são elementos fundamentais na liderança cristã.

        

De 1.405 a 1050 a.C., Israel não era governado por rei. Líderes ou juízes  eram eleitos pelo próprio Deus para libertar o povo e conduzi-lo em guerras travadas pelas nações pagãs e para decidirem questões de direito. Mas, após a morte desses guias, o povo costumava fazer o que bem parecia aos seus olhos. E como relatam os livros bíblicos históricos, violências e injustiças cresciam. Dessa forma, a presença de um chefe tornava-se imprescindível. Sem líderes, poucos seguiam as prescrições da Lei de Moisés. Com isso, o cumprimento dos estatutos divinos ficava de lado até a eleição de um novo juiz, que deveria carregar em si a obediência à Lei Mosaica.

O caminho espiritual da vida dos israelitas havia sido traçado na Torah ( cinco primeiros livros da Bíblia) e a responsabilidade do ensino estava sobre os ombros dos líderes. Era preciso disposição e disciplina para conduzir um povo que havia se  multiplicado como areia do mar. Entretanto, ao desprezar a adoração ao Deus Vivo, a violência e as abominações exerceram domínio sobre  a vida desse  povo que foi divinamente escolhido para  ser luz das  nações. Opressão pelas cidades vizinhas foi necessário como instrumento usado por Deus para que Israel voltasse a servi-lo com retidão. Diante do sofrimento, líderes e liderados se rendiam ao Santo de Israel e imploravam perdão divino. Com amor eterno, o perdão chegava juntamente com a bênção da libertação.

 

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” 

(Atos 5:29)

 

A tomada de decisões deve seguir um padrão aceito pela sociedade quando não houver contrariedade da lei moral de Deus. No que concerne à vida individual ou coletiva, o Senhor nos chama à lucidez, aos comportamentos que sejam fundamentados no relacionamento com ele a partir dos valores extraídos das Sagradas Escrituras. Seguir um líder requer discernimento do certo e do errado ditados pela Bíblia.

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. (Hb 1)

Quem é nosso líder? Quem tem exercido influência sobre nossa vida? O Espírito Santo tem guiado nossos passos ou alguém sem conhecimento bíblico tem delineado nosso proceder? Jesus explicou aos discípulos que no meio cristão não pode haver  exercício de  autoridade sobre outro, mas cada qual deve servir, como ele mesmo se doou em prol de muitos. Buscar conhecer Deus por meio de sua Palavra é a chave para servir. Jesus, como líder, lavou pés de apóstolos, caminhou humildemente pela via crucis, passou fome e sede, andou léguas a pé a fim de propagar seu ministério.

Estruturas eclesiásticas requerem hierarquia de comando para que as questões administrativas fluam de forma tranquila. Os princípios da Administração como ciência devem nortear as atividades racionais das igrejas a fim de que o evangelho seja difundido com eficácia. Mas as instruções de cunho espiritual não se enquadram numa pirâmide ou figuras que representem escalas de autoridade.  Todos nós recebemos dons para edificação do corpo de Cristo. Nenhum dom é maior que outro. Por isso, sentir-se rei, juiz ou líder na dimensão espiritual não é comando bíblico. É arrogância, soberba.  Jesus é nosso líder. Ele mantém todo universo na perfeita ordem pelo poder de sua palavra. Devemos nos submeter à liderança eclesiástica em prol do bem comum litúrgico. Porém, à Santíssima Trindade devemos obediência irrestrita.

Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele. 

(Ap 18:14)

         A fé em Jesus Cristo faz do homem uma nova criatura. Isso implica viver não mais para si, mas com visão de reino celeste, onde paz e alegria de espírito comandam as ações. O amor, que é o cerne do evangelho, como mandamento nos transporta para esse reino. As lutas travadas diariamente pelo adversário de nossas almas são vencidas pela fé no sangue do cordeiro, que traz livramento e salvação. Ele é nosso rei e comandante fiel. Seus atributos eternos (amor, fidelidade, justiça, eternidade, etc.) são a garantia da proteção de que tanto necessitamos para vencer as astutas ciladas do diabo. Conselhos, podemos receber, mas a direção certa para as horas incertas virá do Trono da Graça.

         Deus é soberano Senhor e rei de todos os reis, de cuja vontade tudo procede.

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” 

(Colossenses 2.8).

Nos dias de hoje, Jesus é o nosso rei. E Senhor. Nele habita a plenitude divina. O que é reto, encontra-se nas Sagradas Escrituras.
E indica serviço, doação.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

10 - 11 - 2010

 
  Voltar para índice de mensagens
|- - IEMB - Design: João Batista A.P - Igreja Evangélica Missionaria Brasileira- Leia a Bíblia, ouça a voz de Deus - Ministério: Pr. João Nogueira Pimenta -|