“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”
(Rm 10:9)

 

         Para Aurélio, salvação é ato ou efeito de remir. Remir é tirar do cativeiro, do poder alheio; resgatar. O apóstolo Paulo recebeu de Jesus a incumbência de ir até os gentios “para lhes abrir os olhos a fim de que se convertam das trevas à luz, e do poder de Satanás a Deus, para que recebam remissão de pecados e herança entre aqueles que são santificados pela fé” em Cristo (Atos 26:18). A cultura jurídica da antiga Roma e Grécia exigia um tribunal em que declaração pública era necessária para se estabelecer uma relação, contratualmente, legal. Confessar, do grego homologeo, tem a conotação de estabelecer poder legítimo para consolidação de situações de direito. Para Paulo, era preciso confessar publicamente o senhorio de Jesus para que a salvação fosse notória.

 

Mas como reconhecer a verdade diante do tribunal (homologueses) se o deus desse século havia retirado o entendimento para que não resplandecesse a luz do evangelho?

(2 Cor 4:4). 

 

Paulo recebeu a missão de anunciar as boas novas pela proclamação da Palavra aos quebrantados de coração, aos pobres de espírito, aos que jaziam nas trevas. O peso que estava sobre seus ombros o levou ao kerigma (do grego, proclamar). Assim como as escamas caíram de seus olhos quando chegou à Rua Direita, a casa de Ananias, o véu que cegava os gentios deveria ser retirado com o anúncio dos requisitos necessários à salvação.

Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos.”

(Rm 10)

         Sem intercessão a fé não chega aos corações. Essa tarefa pertence a quem já foi transportado  para o reino do Filho do amor. Aquele que  está nas trevas não enxerga a luz do Espírito. Paulo explica no versículo 2 de Romanos 10 que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. O convencimento pela fé deve assumir a dimensão do crédito pessoal que produza obediência. Ao pensar assim, Paulo orava a Deus para que os olhos dos corações fossem abertos.  Ele compreendeu que a mente se torna terra fértil ao evangelho a partir de intercessões e pregação. Por isso, questiona:

Como crerão naquele de quem nada ouviram?  E como ouvirão, se não há quem pregue?”

 (Rm 10:14)

 

         Nos dias atuais, e na nossa cultura, confessar Jesus é estabelecer seu senhorio nas atitudes. Lampejo de Cristo deve permear ao dia a dia do cristão.

 

Falar o texto de Romanos 10:9 não reflete salvação se a confissão for desprovida de ações ratificadoras do novo nascimento.

 

         A vontade do Salvador é que todos sejam conhecidos como seus discípulos pelo amor ao próximo, não na medida do amor a si próprio, mas no padrão de sua dedicação expressa no sacrifício.  O amor nos impele ao acolhimento e integração dos perdidos no convívio que garante a vida eterna. Agostinho deixou registrada a oração com valor não excludente: “Movei-me, Espírito Santo, para que eu ame santamente!” Este homem de Deus compreendeu que pela força de seu braço jamais amaria com santidade. Era preciso a presença do Santo Espírito para chegar à devoção extrema. Na prática, a santidade para amar chega por meio da oração, do jejum, da meditação nas Escrituras. Sem essa base de recursos espirituais, as lentes da graça tornam-se embaçadas. Enxergar a salvação em si é um exercício de doação. Só conseguimos amar os inimigos e orar pelos que nos perseguem quando pontuamos nossa vida com o serviço em prol do reino celeste. Isso é santidade. É a separação da forma de amar do mundo, que segue padrões racionais. A santidade, sem a qual ninguém verá a Deus, exige amar a quem não nos ama. 

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.”

 (Mt 25:34-ss)

 

         Quantos parentes nossos passam fome e sede de justiça? Esses são vítimas do sistema espiritual do reino da maldade. Em vez de serem acolhidos pelos cristãos, são abandonados. Com angústia de alma, tornam-se forasteiro, doentes e presos. A salvação proclamada deve alcançar a família que crer no poder redentor. “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (Atos 16:31). Jesus é a justiça de Deus para salvação.

         A fé não pode ser egoísta. Deve ser acolhedora, transformadora, benigna. Deve produzir frutos dignos de arrependimento, pois o reino dos céus chegou com a encarnação do verbo divino. A coerência do Deus criador, que fundou o mundo com sua inteligência, conduz-nos a princípios bíblicos. “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente ( 1 Tm 5:8). Esse princípio, se quebrado, leva-nos ao questionamento do bem maior de nossa alma: Somos salvos? Faremos parte dos que estarão à direita do Rei Jesus e seremos chamados de “benditos de meu Pai”?.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

18 - 11 - 2010

 
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