Mudou-lhes as vestes do cárcere, e Joaquim passou a comer pão, na sua presença, todos os dias de sua vida.
(Jr.52:33)

 

Como enfrentar cativeiro físico? E encarar prisão espiritual?

 

 Joaquim, em 598 a.C., é designado rei de Judá, mas por um período curto. Babilônia  dominava Judá nessa época.  Por ordens de Nabucodonosor, Joaquim é levado para a terra dos Caldeus, em 597 a.C., como exilado,  juntamente com outros líderes políticos e religiosos.  Tendo perdido a liberdade, o povo de Judá não se voltou para Deus, mas para os ídolos que haviam adorado nos dias dos reis anteriores (Manassés e Amon).

Antes dessa situação calamitosa, Jeremias proclamou o juízo de Deus por causa da idolatria, da infidelidade em relação à aliança e da desobediência constante à vontade de Deus. Os líderes haviam levado a nação ao caos espiritual e seriam exilados. Entretanto, baseado no amor eterno, o Deus de Israel não permitiu que Judá continuasse nos caminhos tortuosos que trariam destruições. Assim, Deus prometeu trazer um remanescente de volta do cativeiro e restaurar as bênçãos. Os inimigos de Israel seriam derrotados e o povo cantaria jubilosamente a bondade de Deus.

Hão de vir e exultar na altura de Sião, radiantes de alegria por causa dos bens do Senhor, do cereal, do vinho, do azeite, dos cordeiros e dos bezerros. E sua alma será como um jardim regado, e nunca mais desfalecerão. (Jr. 31:12)

Como parte do cumprimento dessa promessa, anunciada por Jeremias, Deus move o coração de Evil Merodaque, filho de Nabucodonosor, que sucedeu o trono em 562 a.C., a ser  benigno com Joaquim. Liberta-o e o faz sair do cárcere, concedendo-lhe honras. Além de comer pão em sua presença, que, na cultura oriental antiga, era símbolo de glória, Merodaque concedeu-lhe subsistência vitalícia durante os dias de sua vida. Essa libertação  foi ato simbólico da restauração futura de Israel.

O chamado de Jeremias como profeta de Deus incluiu a tarefa de plantar e de edificar (Jr 1.10).  A reedificação espiritual de Israel, como povo de Deus, após o exílio babilônico, foi responsabilidade, também, dos profetas. Quantas vezes Jeremias se viu sozinho no encargo de chamar o povo ao arrependimento? Mesmo assim, tornou-se modelo de devoção, após suportar provações, ameaças, agressões físicas e indiferenças. Afinal, o povo era objeto de restauração e o Deus que o comissionou não permitiria que um só  israelita se perdesse nas trevas do pecado.

A ideia de salvar o perdido deve permear atitudes reveladoras de salvação. Fomos escolhidos como profetas do Altíssimo. Resta-nos, então, sentir a dor do perdido e clamar por libertação divina. Em Lamentações, Jeremias chora pelo povo que se prostituiu com deuses pagãos. Mas ouviu uma doce voz quando pedia o socorro divino:

De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei, também com benignidade te atraí. 

(Jr 31:3)

         A ira santa de Deus apresenta um propósito redentor: restaurar, acolher, buscar. Nosso pensamento acerca do perdido tem nos levado a edificar vidas? Deus não nos constituiu juízes para valorar atitudes dentro de uma escala meramente humana. Ele nos fez intercessores, reparadores de brechas, pastores que buscam ovelha desgarrada. Devemos emitir juízo de valor considerando que a luta dos perdidos é, sempre, contra forças espirituais da maldade que habitam as regiões celestes.

         Banah é a palavra hebraica utilizada para edificar. Aparece para descrever a construção de a casa nova, de altar e da Casa do Senhor. Mas pode aludir à constituição de uma família ou à reconstrução ou restauração de algo que foi destruído ou que esteja danificado. Não somente as ovelhas perdidas de Israel necessitavam de encontro com o Pastor das almas. O Deus de Israel revelou sua compaixão para com as demais nações. Israel voltaria a servir ao único Deus, para que todos os povos fossem reunidos em seu nome, em Jerusalém.

Naquele tempo, chamarão a Jerusalém de Trono do Senhor; nela se reunirão todas as nações em nome do Senhor e já não andarão segundo a dureza do seu coração maligno. (Jr 3:17)

 

Esta é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Ele deseja que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade e andem na luz. À luz da história de Judá, nós, cristãos, devemos analisar se nossas atitudes estão edificando ou destruindo vidas.  Jeremias foi chamado para destruir forças contrárias ao reino celeste, mas edificar vidas. Sua fé o levou a interceder com súplicas e lamentos em prol dos rebeldes. Para qual direção estamos indo? Seguindo os que edificam ou os que destroem? A fé é jornada dinâmica. Nessa caminhada, iremos tropeçar, pois, como seres humanos, fraquejamos. Mas que o retorno seja imediato. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânime para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se (2 Pe 3:9).

Jeremias, diante dos pecados de Israel, pediu a Deus que lidasse com a nação segundo a justiça divina, mas que contivesse sua ira. Jesus ensinou seus discípulos a serem misericordiosos como condição de receberem misericórdia.

Enfrentamos cativeiros físicos e espirituais amando o próximo como a nós mesmos, e entendendo que os que ainda não tiveram suas vestes mudadas são alvos do amor de Deus tanto quanto nós fomos quando jazíamos nas trevas. Busquemos libertação divina para os que estão imersos em angústias, pecados e cárceres espirituais.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

24 - 11 - 2010

 
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