O meu povo tem sido ovelhas perdidas; seus pastores as fizeram errar e as deixaram desviar para os montes; do monte passaram ao outeiro, esqueceram-se do seu redil. (Jr 50:6)

 

         Aurélio define ovelha como a fêmea do carneiro. Misticamente, explica o significado como “o cristão, em relação ao seu pastor espiritual”. No contexto bíblico, Deus é visto como o bom pastor de seu rebanho.

Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio. (Sl 100:3)

 

         Questões materiais são reflexos das espirituais. O Criador estabeleceu na terra ordens para boa convivência da humanidade, assim como fez com  estruturas hierárquicas na administração dos entes celestiais, e nas coisas invisíveis aos olhos carnais. O Pai Celeste estabeleceu  guias para condução de seu povo aos caminhos que levam à vida. Mas a história bíblica relata que muitos deles fizeram perecer o rebanho longe do redil.

         O vocábulo hebraico que traduz guia é alluph e quer dizer amigo. Para o salmista, o Deus de Israel era incomparável a toda criação e seu cuidado como amigo eterno o colava na posição de pastor que buscava ovelha perdida com cordas de amor. O profeta Miqueias orou para que o Senhor cuidasse de seu rebanho nos tempos da opressão da Assíria contra Jerusalém. Com sua alma abatida, exclamou: Apascenta o teu povo com o teu bordão, o rebanho da tua herança, que mora a sós no bosque, no meio da terra fértil. (Mq 7:14). Diante do sofrimento, o povo estava como ovelhas que não possuía pastor.

         Jeremias foi além da intercessão por Israel, pois sentiu na pele a dor da invasão do império babilônico e presenciou a destruição da Cidade Santa. Ele sentiu o fogo das palavras de julgamento divino arder no seu coração e clamou dia e noite pela libertação de seu povo. Mesmo sabendo, o profeta, que líderes de Judá haviam feito o que era mal aos olhos de Deus, pediu justiça, pois Babilônia havia banido toda misericórdia para com seus irmãos. Por essa razão, clamou a Deus pela queda do poder da cidade opressora. O amigo eterno, então, proferiu oráculos contra Nabucodonozor, o rei que agiu com soberba e desossou o cordeiro desgarrado, os filhos de Israel.

Portanto, assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: eis que castigarei o rei da Babilônia, e a sua terra, como castiguei o rei da Assíria. Farei tornar Israel para sua morada, e pastará no Carmelo e em Basã; fartar-se-á na região montanhosa de Efraim e em Gileade. (Jr 50:18-19)

        

          Deus promete restaurar a sorte dos rebeldes que se arrependeram durante a opressão dos caldeus. E anuncia que a espada viria sobre Babilônia porque se houve arrogantemente contra o Senhor, o Deus de Israel. (Jr. 50:29).

         Compaixão vem do termo hebraico Raham e é traduzido por amar desde o ventre. Deus usou uma forma desta palavra para revelar seu caráter e seu nome a Moisés:

Eu sou o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade (Ex 34:6)

         Quando nos desviamos dos propósitos de Deus, ele levanta guias para nos mostrar o caminho. A Bíblia exibe diretriz básica da jornada espiritual, revelada nas atitudes naturais do dia a dia. Homens de Deus que buscam com zelo os melhores dons recebem o ministério profético (Ef. 4:11). Por meio desse serviço, que é realizado de forma diversificada, recebemos instruções específicas e direcionadas para determinadas situações.  Assim como Israel rejeitou Deus que fizera aliança com ele, e profetas foram comissionados para anunciarem mensagens de julgamento e esperança, hoje o Espírito Santo sopra como vento nos corações dos pastores que conduzem o rebanho aos pastos verdejantes. Orientações de pastores devem ter respaldo nas Escrituras.

         Obedecer aos guias é preceito essencial para não se desviar do redil. Mas, se guias se esquivarem-se da verdade bíblica, importa obedecer a Deus e não a homens (Atos 5:29).  Deus falou por Jeremias a respeito do rei da Babilônia:

Pois quem é semelhante a mim? Quem me pedirá contas? E quem é o pastor que me poderá resistir? Portanto, ouvi o conselho do Senhor. (Jr 50:44)

         Elaboração de doutrinas sem fundamento bíblico é fazer desviar ovelhas e conduzi-las para longe do aprisco. Temos encontrado nos ensinamentos da Palavra de Deus heresias destruidoras. Sabedoria humana e interesses particulares tem sido o fundamento dos cajados e das varas pastorais. O que fazer para não ser destruído por líderes enganadores? Conhecer a Deus. Ele se revelou em sua Palavra. Ele se revela na oração, no jejum, na comunhão com os fiéis. Buscar conhecer a ele por meio da meditação da Bíblia é sair da dimensão de ovelhas perdidas, entregues ao matadouro por desconhecimento.

         Jesus nos comparou a rebanho pronto para matadouro, mas nos ensinou que sofrer por amor a ele é permanecer nas bem aventuranças. Padecer por se desviar tem um resultado aniquilador.

         Nosso guia espiritual tem conhecimento bíblico? Responderemos essa pergunta o dia em que o discernimento permear nosso coração por meio da ciência do texto bíblico. Os habitantes de Bereia foram elogiados por Paulo por conferirem nas Escrituras tudo que saía de sua boca. E Paulo não se irritou com isso, pois a certeza de conhecer os Escritos Santos fazia parte de sua vida.  

         Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge. Então, o lobo as arrebata e dispersa. (Jo 10:11 e 12). Jesus fez um alerta contra o mercenário que vem para matar, roubar e destruir. Então, o lobo (Diabo),  encontra perdidas as ovelhas e as traga.

Permaneçamos no aprisco de Jesus, que sempre será o bom pastor.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.






06 - 01 - 2011

 
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