Não teremos medo, ainda que os mares se agitem e rujam, e os montes tremam violentamente

(Sl 46:3)

 

         Aurélio define medo como sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça; susto, pavor, temor, terror. Em hebraico, a palavra yare denota a reação psicológica de se estar com medo de alguém ou de algo. Pode significar também reverência a um superior e grande respeito.  Quando os filhos de Corá compuseram o Salmo 46, a ideia de livramento divino diante de batalhas permeava o coração dos israelitas que depositavam fé no amor dedicado de Deus a Jerusalém, pois as guerras constantes com as nações vizinhas agitavam os corações.  Mesmo que essas guerras alcançassem a dimensão cósmica, o Senhor continuaria sendo o refúgio seguro para seu povo.  O melhor protetor para Israel acalmaria as ondas impetuosas dos mares e cessaria o tremor dos montes. Ou não permitiria que eles fossem atingidos mais do que suas forças permitissem (I Cor 10:13).

Nosso dia a dia é recheado de situações que causam medo. A fragilidade humana nos coloca na posição de dependentes de um porto seguro.

 

Dominar o medo para que a fé não se torne menor que um grão de mostarda é necessário para percepção da proteção divina. Em tese, domínio é sempre possível. Mas na prática, o que leva alguém ao controle dos sentimentos que atingem a saúde emocional? A resposta está na oração e no exame das Escrituras. A Bíblia relata que homens comuns superaram fraquezas com a força que descia do alto. O relacionamento que desenvolviam com pedidos que inundavam o céu acalmava a tempestade interior e trazia alívio enquanto a vitória não chegava. 

Os antigos hebreus descreviam o clima em termos de ventos, determinados pelos quatro pontos cardeais. O vento do leste, chamado de vento oriental, vinha do deserto e era famoso por sua violência. Já o vento do sul era suave, e trazia calma sobre a terra. O do Oeste transportava a umidade do mar mediterrâneo entre novembro e fevereiro. O do norte causava dores de cabeça por ser muito frio. Havia momentos de paz, mas também de grande pavor diante das mudanças climáticas.

Qual vento tem pontuado nosso viver? Temos vivido na dimensão do medo incontrolável? Ou da calmaria que o Espírito concede?

“O vento sopra onde quer e podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito.”

(Jo 3:7)

 Pneuma, palavra de origem grega que descreve vento, é cognato de pneo e significa espirar, soprar. O elemento consciente do homem é o espírito, que é a tradução de pneuma. É o meio pelo qual a humanidade consegue perceber, refletir, sentir e desejar. É a parte que liga o homem ao Criador. O Espírito Santo é mencionado como o vento que sopra onde quer. A obra perfeita de Cristo é concretizada pelo Espírito Santo. Esse é o vento que dá rumo ao nosso viver. O apóstolo Pedro relata que a multidão que crer em Cristo é uma casa espiritual (1 Pe 2.5). Portanto, o espírito humano que foi regenerado é local de habitação do Espírito do Vivo Deus.  Esse vento traz bonança independente das estações climáticas. E promove o domínio do medo das tempestades que são inevitáveis na vida do crente.

“E eu, Senhor, que espero? Tu és minha esperança.”

(Sl 39:7)

O rei Davi sabia que a única fonte de proteção vinha do Altíssimo.  O verbo esperar expressa confiança, ou fé, resoluta no Senhor. Por isso, escreveu: “O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?”

(Sl 27).

“No amor não existe medo; antes o perfeito amor lança fora o medo

( I João 4:18)

         O amor teve sua perfeita expressão entre a humanidade com a vinda de Jesus como verbo encarnado. O amor que lança fora todo medo é o que vem do fruto do Espírito, que leva à obediência aos mandamentos divinos. Aquele que age pela sua própria vontade nega o amor de Deus.

         O verbo que se origina do grego agapao é usado acerca de Deus. Expressa amor e interesse profundo para com indignos.  O perfeito amor é o que busca o bem-estar de todos.

Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam.” (Rm 15:1-3)

 

Aceitar fraquezas do próximo é reconhecer que somos pó e ao pó voltaremos. Essa atitude provoca redução dos temores internos.

O escritor de Eclesiastes adverte para semearmos nossa semente tanto pela manhã quanto ao entardecer (Ec 11:6).  Agindo dessa forma, a seara do Senhor terá sempre trabalhadores. Ocupar a mente agregando valor ao reino celeste é forma eficiente de repreender o medo que trava nossas ações.

 

“Agora, pois, ouve, ó Jacó, servo meu, ó Israel, a quem escolhi. Assim diz o Senhor: Não temas, ó Jacó, ó amado, a quem escolhi. Porque derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes.”

(Is. 44)

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

13 - 01 - 2011     

 
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