“Porque assim diz o Senhor: Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranquilidade e na confiança, a vossa força.”
(Is 30:15)

 

         A palavra hebraica hayil descreve o significado de força, e denota faculdade ou poder, habilidade de causar ou produzir algo. Mas pode ser traduzida também por riqueza, propriedade, capacidade. Israel estava agitado por causa dos assírios que sitiavam o local. Em vista disso, elaboravam planos para vencer a invasão inimiga. Mas o Altíssimo, que detém o controle da história na palma das mãos, chama Isaías e pede que diretrizes de vitórias sejam anunciadas ao povo. A senha para suportar as ameaças da Assíria não estava na atividade desvairada, movida pelo desespero. Encontrava-se na confiança tranquila e absoluta em Deus. Era preciso uma conversão.

         Haphak, do hebraico, denota virar, converter, mudar, transformar, virar as costas, indicando ação reflexiva. Como estava a espiritualidade dos filhos de Jacó? Os caminhos eram tortuosos e, portanto, deveriam retornar às veredas antigas, em que a glória do Senhor consumia os holocaustos indicando aceitação das obras do povo. O livramento do inimigo chegaria com o abandono das atitudes racionais desprovidas da direção divina e na virada das costas para a adoração aos deuses pagãos. Transformação no comportamento deveria ocorrer para que a salvação chegasse a Israel.

De onde viria força se turbulências de um povo cruel e devastador dominavam o palco israelita?

 

         De onde vem nossa força se o adversário de nossas almas ruge em derredor como um leão que nos quer devorar? (I Pe 5:8)

         Isaías, profeta do Altíssimo, responde: na confiança está a vossa força. Porém, confiar requer disciplina. É esperar acreditando. O inimigo tentará inundar o pensamento com palavras negativas, desabonadoras do poder divino. Irá sugar, dessa forma, a virtude criadora de Deus em nosso ser. O segredo é adorar o Senhor em sua santidade enquanto a pequena nuvem não for vista. Grandes chuvas de bênçãos descem quando fazemos da pequena força ocasião para lutar nas regiões espirituais. As armas de nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus (2 Co 10:4), como nos alertou o apóstolo Paulo.

         Com quais armas enfrentamos o maligno? Paulo ensinou aos efésios que a fé é um dos componentes do arsenal de guerra que apaga os dardos inflamados. Mas para que a confiança seja ativada em nossos corações é necessário buscar a face de Deus por meio da oração, do jejum e do estudo das Escrituras. No contexto da igreja primitiva não havia imprensas suficientes para reprodução dos Escritos Sagrados. Então, Paulo ensinou que ouvir a pregação faz brotar fé nos corações. Atualmente, e em nosso país, a Bíblia está disponível e seu exame iluminado pelo Espírito leva-nos aos ritmos da confiança inabalável. Congregar também figurou nas atitudes, que elevam nossa fé, descritas por Paulo.

“Convertei-vos, pois, ó filhos de Israel, àquele de quem tanto vos afastastes.” (Is 3:6)

         O bom senso faz-nos refletir numa vida comedida e equilibrada em termos espirituais. Somos corpo, alma e espírito. Devemos, sempre, lembrar que questões espirituais e racionais pontuam nosso viver simultaneamente. Jamais podemos abrir mão da disciplina em busca do socorro divino. Isaías profetizou a respeito disso:

as armas do fraudulento são más, ele maquina intrigas para arruinar os desvalidos, com palavras falsas, ainda quando a causa do pobre é justa.(Is. 31:7).

Não importa classe social, raça, sexo, cor, nacionalidade. Somos pobres diante do criador e carecemos de sua ajuda contínua. A todo instante, somos alvos de ataques malignos.

 

Uma das fontes geradoras de força é a reflexão sobre a área que foi sitiada pelo adversário com a consequente elevação da confiança na capacidade que desce do Trono da Graça.

O escritor de Provérbios fez um alerta: “Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena.” (Pv 24: 10). Como nos mostramos forte? Orando o tempo todo no Espírito, e clamando por misericórdia. Buscando as estratégias na Palavra de Deus e não em sabedoria humana. Encontrando abrigo na Casa do Senhor ou no local escolhido como Casa de Oração enquanto o louvor sai dos lábios. Agindo com compaixão para com os necessitados. Permanecendo na vocação para a qual fomos chamados. Repreendendo as castas malignas por meio da palavra falada depois de descer à Casa do Oleiro em jejuns.

         A essência da transformação é a presença do Espírito Santo. A paz é fruto das sementes plantadas na seara do Senhor. E não significa ausência de turbulência, mas confiança no Deus que se mostra como cidade forte, alívio em tempos de angústia. O Espírito multiplica nossos esforços numa matemática que vai além da memória de uma calculadora humana. Deus dá o crescimento ao que plantamos ou regamos. Logo, o pouco que produzimos nos momentos de guerra interna torna-se grandioso e suficiente para a vitória.

         Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.” (2 Cor 4.16-18).

         Importarta-nos compreender que Jesus, a expressão exata do ser de Deus, destruirá todo inimigo no tempo do fim. Todas as coisas foram a ele entregue, porém o tempo da completude da obra redentora ainda não se consumou. E enquanto nossos corpos não atingem a glorificação, estejamos tranquilos, “como o ardor quieto do sol resplandencente, como nuvem do orvalho no calor da sega.” (Is. 18 4). A conversão é processo contínuo, e dia após dia devemos lutar para que a transformação traga salvação nesta vida e na eternidade.

 

         Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

20 - 01 - 2011     

 
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