Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve 

(Ml 3:18)

 

         Como criaturas humanas, limitadas pela falta de saúde completa, temos esquecimento. É comum. Por essa razão, agendas físicas ou eletrônicas são necessárias para não se perder compromisso importante. Malaquias foi o profeta com chamado divino para ativar na memória de Israel o amor eterno de Deus. Não confiar na fidelidade e proteção do Altíssimo era colocar em dúvida a dimensão sacra dos rituais de adoração prescrita por Moisés.

Havia um sono espiritual nos olhos dos israelitas porque as constantes guerras assírias e babilônicas deixaram marcas de grandes aflições. Diante de incertezas, Malaquias revela instruções acerca das motivações daqueles que adoram. O sagrado templo estava sendo reerguido e Israel havia sido estabelecido divinamente como uma comunidade de adoração a Deus.

         Porém, o povo não mais entendia o conceito de adoração. Não deveria se dissociar dos motivos do coração a entrega de qualquer oferta. Adorar vem do hebraico sahah e significa prostrar-se, curvar-se. Refere-se, também, a ir diante de Deus em adoração. Em grego (proskuneo), toma a ideia de fazer reverência e é usado acerca de um ato de homenagem ou reverência a Deus. É frequentemente traduzido por temor ou devoção.   Outra palavra grega traduz o sentido de adorar, latreuo, que é servir, fazer homenagem religiosa. Fiquemos com o sentido de servir. Ministério tem o significado, conforme Aurélio, de incumbência. Quando adotamos postura de adorador, diante de Deus assumimos um ministério. E todo ato de adoração deve ser feito com amor, como explicou o apóstolo Paulo (1 Co 16:14).

Para Israel voltar à essência do santo ministério, Deus fala por intermédio de Malaquias, cujo nome quer dizer meu mensageiro:

Eu vos tenho amado, diz o Senhor; mas vós dizeis: em que nos tens amado? (Ml 1:2)

         Deus não deixaria seu povo na rebeldia decorrente da perda da memória da graça eletiva e de sua aliança. A pergunta de Israel reflete falta de confiança em Deus. E ainda conclui:

Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?

(Ml 3:14)

         Mas o mensageiro de Deus não hesita em responder, pelo Espírito, que há diferença entre o servo de Deus, que é justo, e o perverso, que cuida em seguir seu obstinado coração.

         Servir é aceitar exigências de quem é o Senhor. A evidência da salvação está em aceitar o senhorio do Filho Glorificado de Deus (Rm 10:9). Jesus foi o servo que revelou pelos seus sofrimentos a vontade divina. E confiou em sua ressurreição, mesmo se sentindo abandonado pelo Pai no momento da morte carnal.  

Porque em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão, tem valor algum, mas a fé que atua pelo amor. (Gálatas 5.6)

Paulo esclareceu aos gálatas que a preocupação em guardar ritos da lei mosaica após a ressurreição de Jesus não mais era necessária, mas a fé, movida pelo amor, deveria pontuar a vida dos cristãos primitivos. Crer que Deus é poderoso para manifestar seus atos redentores aos que lhe servem é pedir para não beber o cálice que nos traz amargura de alma, porém colocando-nos sob soberania do criador, mesmo que essa vontade seja a bebida do indesejável cálice.

Para que a humanidade não se perdesse espiritualmente por toda eternidade, Jesus se fez menor que os anjos e enfrentou a fragilidade humana confiando no poder do Pai. O foco de Jesus não foi o pecado, mas o perdão das iniquidades. Quantas vezes somos guiados por pensamentos de vingança que nos forçam a direcionar o serviço em prol da punição do rebelde? Agindo assim, esquecemo-nos de fazer o bem e de que a vingança pertence a Deus. Em qual conceito temos nos enquadrado? De perverso ou de justo? Qual tem sido nossa visão acerca da restauração de vidas? Fitaremos os olhos nas guerras de invasores e destruidores de nossa alma ou no amor salvador do Pai?

Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. (Ml 3:6). Israel não oferecia sacrifícios com o coração amoroso, perdoador e acolhedor. Para ele, era conveniente cumprir rituais no templo, independentemente da obediência aos mandamentos divinos. Deus não os tratava segundo suas iniquidades, porque se assim fosse, teriam sido consumidos pela ira divina. Miqueias determinou com precisão o que o Santo de Israel exigia:

Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus

(Mq 6:8)   

Ter misericórdia é olhar para o miserável com amor no coração. E resgatá-lo da perdição, entendendo que força e graça para isso não saem de si, mas do trono celeste.

Vale entender qual é o ministério que Deus nos confiou e ser encontrado fiel despenseiro?

Malaquias responde: Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas. (Ml 4:2).

Paulo confessou que foi com temores por dentro e tremores por fora que serviu a Cristo. E tudo ele fazia por causa do evangelho com o fim de se tornar cooperador com ele (1 Co 9:23).  Afirmou que o que vale é guardar as ordenanças de Deus. Ele pouco se interessava pelo que diziam a seu respeito. Deus o justificava. O santo ministério nos coloca como ovelhas sendo entregues todos os dias ao matadouro. E nos leva a fazer renúncias em prol da libertação de vidas. Trabalhar na seara de Deus é anular vontades humanas e sofrer por amor de seu nome. Família é o termômetro que indica o quanto somos ministros e despenseiros dos mistérios de Deus. O amor aos perdidos começa em nosso lar. Aí se verão a diferença dos que servem a Deus e dos que não servem.

 Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

28 - 01 - 2011     

 
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