Os teus testemunhos, recebi-os por legado perpétuo, porque me constituem o prazer do coração

(Sl. 119:111)

 

 

         Quando se fala em herança, a ideia é de recepção de bens imóveis ou de grande valor. Há uma expectativa ao se abrir um testamento. Qual parte caberá a cada um?  Ao escrever o salmo 119, que ressalta o poder da Palavra de Deus, o salmista afirma que o maior legado que recebeu e que promoveu  prazer a sua alma foram os testemunhos, a lei divina.

        

Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração.

(2 Pe 1:19)

 

         O apóstolo Pedro afirma que mesmo sem compreender o significado de cada texto sagrado é preciso continuar buscando a iluminação que desce do alto. Os israelitas dispunham da Torah (os cinco primeiros livros de nossa Bíblia) e nem sempre entendiam os princípios implícitos. Por isso, os escribas apresentavam explicações em escritos que se liam nos templos ou sinagogas. Os livros históricos e os Salmos também faziam parte das Sagradas Escrituras para esse povo. Os proféticos eram lidos com reverência e mesmo contendo simbologias que ultrapassavam o poder de interpretação, não eram esquecidos.

         Somente no Salmo 119 o autor utiliza oito palavras diferentes para se referir às Sagradas Escrituras: lei, testemunho, preceito, estatuto, mandamento, juízos, palavra e promessa.  Constituindo um legado perpétuo, levava o salmista a sentir-se bem.

 

Eterna é a justiça dos teus mandamentos. Dá-me a inteligência deles e vivei. 

(Sl 119:144)

 

         Desenvolver amor pela lei de Deus é se tornar sábio e justo. Mas a sabedoria e justiça que nos recomendam ao fiel criador não são as que aprendemos em escolas seculares. O Espírito Santo é o doador do ensino. O apóstolo Paulo discorreu sobre a lei divina e concluiu:

 

Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom. 

(Rm 7:12)

 

         A palavra bom vem do grego agathos e descreve aquilo que é benéfico em seus efeitos. Algo que é moralmente honesto, agradável a Deus e que sempre traz edificação.  O Novo Testamento utiliza a palavra agathousune (bondade) para indicar a qualidade moral do que foi regenerado em Cristo. Ser bom e fazer o que é bom é um imperativo que deve pontuar a vida do cristão.

Como definir o que é bom sem conhecer as sagradas Escrituras?

 

O mandamento divino é o referencial de bondade. Por isso constituía o prazer maior do salmista.  Outro significado para bom é ter eficácia, força, valor, honestidade.

 

Pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens

(2 Cor 8:21)

 

Paulo compreendeu que  a honestidade que deveria exercitar diante dos céus e da terra não vinha de conceito humano, mas divino. Por isso, o reflexo da obediência a Deus recairia sobre as atitudes racionais. Era preciso, para o apóstolo, atentar para princípios que indicavam o novo nascimento. Era necessário ter um código de conduta. Para os cristãos primitivos, o Velho Testamento e as cartas de Paulo, Pedro e outros,  bem como os evangelhos que estavam sendo escritos compunham esse código.

 

Um derivado de agathos é kalos  que denota o que é intrinsecamente bom e, portanto agradável, belo, bonito. Ou aquilo que é bem ajustado às circunstâncias. As más conversações corrompem os bons costumes (1 Co 15:33). Não é nada bonito ouvir palavras torpes saindo da boca do cristão.

Tudo que traz virtude, como ensinou Paulo aos filipenses, é o que deve ocupar o nosso pensamento.

 

Torna-te pessoalmente padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito

(Tt 2:8)

 

Ter os testemunhos como  incentivo de permanecer no caminho estreito é condição para desenvolver a salvação. É saber que a revelação de Deus se manifesta quando se navega nas páginas que apontam para vida eterna. Isso é bom, é prazeroso, pois traz alívio nas horas angustiantes. É receber o legado que traz benefícios eternos.

 

Por Auxilandia, pastora em Cristo, serva de Deus.

04 - 03 - 2011     

 
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